sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

A maioridade e a zona de conforto



Em números, 18 anos são 260 meses, que são 6575 dias.

Quando se completa 18 anos, a maioria quer se emancipar, tornar-se independente, livres de casa e da família. Viver novas aventuras, aventuras maduras(?) e adultas, mesmo com temperos de molecagem e a jovialidade das idéias.

Ao completar 18 anos, eu queria dominar o que já sabia, aprender mais e mais, aperfeiçoar a cada dia.

Por isto muitos me têm como perfeccionista... Não sei se é um elogio, virtude ou defeito.
Sei que me reconheço assim: um perfeccionista relapso, preguiçoso, aquele que quer evoluir e tenta... Uma, duas, até três vezes... E depois me torno utópico: aquele que crê na perfeição nunca alcançável.

Acho que sempre fui um cara estranho, diferente, especial. Na adolescência às vezes pensava que nem deste planeta era! (rsrs)

Ao passar dos anos, a caminhada, a gente enfim, às vezes entorta e se envereda por portas que não queríamos adentrar.

Uma vez dentro, não tem como sair. Se sair, deixamos uma sala ou um quarto vazios...
Portas são passagens que levam a outros cômodos. Mas cômodos são para se ficar, acomodados.

Uma casa tem muitos cômodos e também muitas portas. Por elas entramos e saímos. E também modelamos os cômodos para nos sentirmos mais confortáveis.

Se não está bom de um jeito, muda-se, rearranja-se a disposição dos móveis, quadros, troca tudo, reformula-se sempre que preciso. Mas não precisa demolir uma casa porque uma maçaneta de porta emperrou, ou porque apareceu uma ou outra goteira...

Uma música antiga de Antônio Carlos & Jocafi lembrava o dito popular:
"Dizem que pau que nasce torto, morre torto.
Eu não sou pau: posso me regenerar!"

Dizem também que se conhece as árvores pelos seus frutos,
assim como que um fruto não cai longe de sua árvore.

Apesar da genética e DNAs, não somos determinados como árvores, paus e frutos.

Somos determinantes. Porque somos seres pensantes, ou daqueles que preferem deixar de pensar (ou não sabem).

Assim, somos também contra-exemplos da natureza: famílias de bem têm suas ovelhas negras, e daquelas famílias de onde nada se pensava brotar, surge um proeminente expoente da humanidade.

E arrependimentos e aculturamentos acontecem. Seres mudam ao longo da vida, e suas vidas não são constantes nem atreladas a raízes. Não temos asas, mas nossos destinos são capazes de voar para longe ou nos trazer de volta, depende sempre do ponto de vista.

Somos seres que aprendem, por bem e boa vontade e inteligência, ou pelas lombadas que a vida se encarrega de nos assolar.

É bom esclarecer: acomodar-se não quer dizer estagnação. E conforto não quer dizer mesmice.

Mesmice pode ser entediante para alguns, mas nem sempre é sinônimo de estagnação, mas sim de segurança! Eis alguns exemplos.

Não é mesmice trilhar o caminho conhecido e movimentado todos os dias para voltar de noite e a pé para casa (hoje em dia, vale até se for de carro!), em vez de se aventurar pelos atalhos escuros e sinistros. Arrisque-se: será sem dúvida emocionante! Se não tiver sorte (o que não se compra nas lotéricas nem em qualquer esquina), pode ter seus dedos levados, senão a "virgindade", a honra, a paz de espírito ou até mesmo a vida levada embora, em vez dos anéis apenas (ou o carro)!

Há certas convenções sociais que residem na "mesmice", para assegurar uma ordem entre as pessoas civilizadas. Por exemplo, a mesmice de nunca roubar, nunca matar, nunca violar a lei, porque do contrário, essas aventuras se convertem num CAOS incontrolável e irreversível!

E outro exemplo desses é experimentar "comer fora" do casamento, para fugir do tédio... Não dá certo! Melhor nem casar! Há formas de se buscar inovações dentro da mesmice, de forma a mantê-la interessante, segura, e continuar confortável e adorável; REnovações conscientes, dialogadas, entendimentos a dois, sem enjoar de comer a mesma "coisa"... Casamento não é indigesto; há que se preparar o estômago! É preciso QUERER, não de desculpas.

Então, quem está na "mesmice"? Qual o conceito de "conforto"?...

Segurança traz conforto, daí a associação à Zona de Conforto!

Existe uma tendência dos motivadores e das empresas em geral, adotarem o discurso contra a Zona de Conforto, para exigir dos vendedores, técnicos e funcionários em qualquer escalão, de dar sangue o tempo todo, de dar suco até não haver nem mais bagaço! Entendo que não é bem assim...

Tudo tem seus altos e baixos, momentos de vitórias e comemoração, outros de derrota e recolhimento (para convalescer, repousar, analisar, refletir, remuniciar-se, recuperar-se, restaurar-se). Noites foram feitas para descansar e dormir. Experimente trabalhar o tempo todo, levar trampo para casa, trabalhar em casa sem separar o que é momento de lazer e repouso (conforto). Experimente, e ganhe um infarto! Prêmio em altíssima pressão! Nem à base de remédios e redbulls você se sustenta por muito tempo. Não vai conseguir assim sucesso, carreira nem dinheiro que valha a pena. Mas o pouco que você se acabou para isto, um tiquinho que seja, a empresa ganhou mais um caldinho seu!

E o que todos têm contra a Zona de Conforto???!! Por que a maioria dos motivadores insiste em violar a zona de conforto? Por que dizem que ela é o inimigo na inovação, se na verdade muitos lutam e inovam para se chegar justamente a ela, como objetivo? Por que dizem que ela é uma ameaça, uma estagnação? Por que abrir mão do que se conquistou?

Seria inveja? Desdém? Ameaça talvez não para os que estão dentro, talvez sim para os que não conseguem entrar, e ficam felizes de ver os outros caírem foram, daí os ficam tentando, tentando, criando tentações do lado de fora da zona?

Enfim, o que contesto é que a maioria das dinâmicas de grupo ou motivacionais pregam: "deixem a Zona de Conforto!".

Acho que não pode ser uma norma geral, que cada caso tem que ser analisado e ver o tempo que se está nela (na Zona de Conforto) e como chegou até ali. Abandonar conquistas só para sair loucamente atrás de aventuras incertas não é propriamente dito só "ousar"... pode ser burrice em alguns casos, insanidade em outros, e na maioria das vezes ato de heroísmo.

Não sei... Acho que existe alguma distorção nessa visão, a da Guerra à Zona de Conforto... Sou do tipo de cara que rejeita invencionices para tirarem a gente da nossa área ou zona de conforto. Sou a favor do "ouse, mas com inteligência e sabedoria!".

Acho que temos, sim, que tentar é sair da "zona", bagunça, trapalhada, enrosco, confusão, desespero, angústias, e buscar:
- paz (= conforto da alma),
- segurança (= conforto do corpo),
- sabedoria (= conforto da mente),
- amor (= conforto da paixão),
- etc (= conforto da preguiça)...

O fato é que só há transformação quando se está vivendo uma crise, seja ela qual for e de que tamanho for.

É preciso haver diferença de altura para haver queda-d'água; sem esse diferencial, não há geração de energia elétrica (hidráulica).

Ou seja, o marasmo é danoso no sentido da evolução ser mais lenta. Isto, se houver alguma, fundamentada mais no intelecto do que na necessidade...

Crises promovem atitudes!
Atitudes (certas ou erradas) geram resultados (efetivos ou não).

E qual o problema de passar 2 horas num cinema ou vendo um vídeo, emprestando 2 de suas horas e absorvendo 2 horas de vidas alheias??? Isto é muito diferente de ler um livro? (talvez tome mais tempo...) Sei lá!... (rsrs)

Por outro lado, em nenhum momento quero sugerir em ser acomodado, letárgico, perder o compasso do tempo e da evolução das coisas. Não sei se você percebeu, mas essas crianças de hoje, que desconhecem nosso tempo que não faz tanto tempo assim (chegam a dizer "daquele tempo em que tudo era preto-e-branco", não se referindo apenas à fotografia, que sendo todas hoje coloridas, obviamente retratavam a época! rsrs), essas mesmas crianças que não querem sair de frente do computador, da internet ou do game, têm uma rapidez impressionante de absorção e entendimento diante da inundação de informação que recebemos hoje! Elas precisam mais ainda, mais do que nunca, questão de sobrevivência! Instintivamente, elas sabem e compreendem isto (assim muitos dos adultos de hoje subiam em árvores e pulavam córregos para atravessar a cidade a pé em pouco tempo). Tente comparar o que elas conseguem nesta área (informação e informática e tecnologia), com o que você conseguia na idade delas, ou mesmo há alguns anos atrás... Elas pegam qualquer aparelho novo, arrancam-nos da mão e já o saem operando, sem consultar manual algum!!!! Elas acompanham a evolução. Nós, que implicamos com isto, NÃO!

Caminhos e discursos que entortam.
Texto de começa de um jeito e segue por outros rumos.
Gente que se adapta.
Gente que evolui.
Gente que busca alcançar algo.
Gente que quer conforto e felicidade.
Gente que quer aventura e emoção.
Gente que quer viver.
Assim como quando atingimos 18 anos.


segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Parado em trânsito (5/5) - Deduções


Parado em trânsito – Parte 5 de 5 : Deduções

( Como foi dito nos posts anteriores, muita coisa para se pensar e fazer... )


E) Finalizando?

Creio que abordamos superficialmente o problema do trânsito cada vez mais caótico e confuso da cidade de São Paulo.

Não existem soluções imediatas, simples e definitivas, pois a problemática é complexa e de larga escala.

Mas algumas coisas poderiam ser feitas e repensadas com seriedade e responsabilidade.

Conclusão:
• medidas práticas poderiam ser tomadas com inteligência e economia;
• parece que outros interesses escusos conduzem as decisões;
• ficamos à mercê de que alguma solução eficaz seja feita para tentar resolver o problema de tráfego na cidade de São Paulo;
• e enquanto o caos está vindo para nos devorar... NÃO vamos a lugar algum! ( * )

Não se iluda: quando estiver passando por algum caminho que parece estar livre e desimpedido, NÃO HÁ MÁGICA. Os outros veículos se encontram represados em outro local com um enrosco muito maior, e você só deu SORTE de pegar aquele trecho DEPOIS o incidente ou acidente.

Porque este trânsito não melhora, só piora!

E se nada for feito AGORA, não quero nem pensar quando chegarem as Olimpíadas 2012 e a Copa do Mundo de Futebol 2014.

Enfim, sós – e parados, no meio de muitos iguais a você, no meio do trânsito!


( * = parafraseando “Enquanto Seu Lobo não vem, vamos passear na floresta!”, da fábula Chapeuzinho Vermelho, ou Os Três Porquinhos. )

domingo, 20 de dezembro de 2009

Parado em trânsito (4/5) - Alternativas


Parado em trânsito – Parte 4 de 5 : Alternativas

( Soluções comentadas no post anterior não são as únicas )


D) Considerando alternativas

Recentemente, em vez de agilizar obras da expansão do metrô ou das linhas e frotas de ônibus, a Prefeitura do município de São Paulo resolveu alargar as pistas da Marginal do Tietê, uma importante via que liga São Paulo Leste-Oeste e por onde passam caminhões e ônibus de viagem a caminho de outras cidades, atravessando a cidade São Paulo por falta de opção para contorná-la, dentre outras coisas.

Ora, isto não vai resolver nenhum problema. Aliás, cria outros.

Alargar apenas estas pistas só vai conseguir colocar mais carros no mesmo congestionamento. Pois os gargalos, por onde entram e saem os veículos de/para esta "veia" mais larga, continuarão estreitos. Teoria dos fluidos.

Além disto, para efetuar as obras na Marginal do Tietê, a prefeitura interditou parcialmente cinco pontes que cruzam a Marginal (inclusive pontes vizinhas, sem deixar alternativas de fluidez), o que fez tumultuar ainda mais o trajeto de quem usava apenas essas vias perpendiculares e "escapava" do transtorno direto das Marginais.

E o que é pior: bem em período pré-natalino, onde as pessoas (maioria em férias) vão às compras e o trânsito fica naturalmente mais congestionado, shoppings centers lotados e disputas por estacionamentos, etc... Imagina então com as vias em obras e interditadas!...


Eu me pergunto onde estará a engenhosidade da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET)...

Por que não investem inteligência na fluidez do trânsito, criando "Ondas Verdes" nos principais corredores que ligam a cidade, pelo menos?

Não se consegue pegar qualquer grande avenida da cidade e percorrê-la do início ao fim sem parar nos semáforos, seja em qualquer velocidade, seja em qualquer horário. Às vezes chega a ser irritante quando abre o sinal numa esquina, e na esquina seguinte o próximo sinal fecha...

Esse constante arranca-anda-freia-e-pára é nocivo em todos os sentidos:
• para o veículo em si, que para vencer a inércia do movimento (isto é, do estado parado para o estado em movimento) consome muito mais recursos do que a manutenção de um movimento, mesmo que seja baixa a velocidade;
• para o bolso do motorista/proprietário, pois gastar menos recursos significa mais economia de combustível e de manutenção do veículo;
• para a indústria do petróleo e álcool/metanol, pois o consumo de combustível reduzindo representa maior longevidade das reservas petrolíferas e dos campos de plantação;
• para a natureza e meio-ambiente, já que carros em movimento contínuo poluem muito menos do que ao arrancar;
• para a saúde das pessoas, que ficam menos estressadas indo ou vindo de um lugar para outro do que simplesmente presas no trânsito parado;
• para os negócios e a vida da cidade como um todo, pois todos ganham quando há mais agilidade e menos desperdício.

( O que mais a fazer, afinal? Finalizo no próximo post )

sábado, 19 de dezembro de 2009

Parado em trânsito (3/5) - Soluções


Parado em trânsito – Parte 3 de 5 : Soluções

( No post anterior, considerei 3 fatores que levam haver cada vez mais carros em São Paulo )


C) Sugerindo soluções

A solução para o trânsito, portanto, seria:
1) oferecer (=investir) mais transportes público e coletivo muito mais eficientes e abrangentes;
2) desestimular (cortar financiamentos ou dificultar os critérios para) a compra de mais carros.

Quando se está sangrando, tem que se estancar imediatamente o corte, senão o sangue pára de fluir nas veias e artérias (pela escassez devido ao vazamento). No caso da cidade, há um vazamento no sentido contrário, ou seja, um transbordamento da quantidade de carros introduzidos na cidade (sem a retirada dos velhos) que vai entupir e provocar a parada de circulação das "artérias".

Também é preciso urgentemente ("pra ontem!") melhorar as condições e opções de transportes coletivos. Quem não iria preferir tomar um ônibus ou metrô, próximo à sua casa, a baixo custo, rápido e cômodo, para ir e voltar ao trabalho, à escola, às compras, etc, em vez de se cansar dirigindo com atenção e gastando fortunas com combustível e manutenção do carro?

Se levar o mesmo tempo ou menos, e for muito mais barato, eu garanto que a maioria deixa o carro na garagem (ou nem compra um) e pega o coletivo. Nem precisa de rodízios para obrigar.

Outro coisa importante, um ônibus ocupa relativamente o espaço de 3 a 4 carros, que em geral carrega apenas seu próprio motorista (uns 80% dos casos), e leva cerca de 40 passageiros sentados, sem contar os que vão em pé e enchem o coletivo.

Além de tirar carros das ruas e transportar muito mais gente, agrega as seguintes vantagens:
• é saudável: proporciona caminhadas ao/do ponto de ônibus ou estação de metrô
• é sociável: você vê gente, circula entre pessoas, e pode ampliar seus contatos
• é cultural: permite ler livros durante o trajeto, ver a paisagem, conhecer melhor a cidade e encontrar outras culturas
• é instrutivo: durante o trajeto você pode até estudar, se quiser, para aproveitar o tempo, ou assistir filmes graças aos recursos eletrônicos modernos e à internet.

Enquanto nada disto acontece, o jeito é imaginar o que fazer durante o tempo inevitável que enfrenta no trânsito todos os dias, dentro do carro, enquanto dirige (ou tenta). Como, por exemplo:
• ouvir rádio e CDs;
• mulheres: maquiar o rosto e pentear ou secar os cabelos;
• homens: cortar as unhas e fazer a barba (barbeador à pilha);
• resolver negócios: falar no celular (infelizmente é ilegal e sujeito à multa) ou tomar notas;
• espreguiçar-se e alongar-se: pode parecer estranho pra quem olha, mas é recomendável para quem fica parado muito tempo (bocejar é o espreguiçar da boca e do rosto)
• limpar o nariz (ok, sei que é nojento, principalmente se não tiver os vidros escuros e a pessoa ao lado, noutras conduções, observar esse flagrante).

A verdade é que não dá pra fazer muita coisa, nem nada direito, pois o anda-pára-anda-pára constante exige atenção ao dirigir e as duas mãos no volante. E isto cansa e estressa.

Afinal, o que se pode fazer?
Ficar como um tarado em transe?
Não, apenas parado em trânsito.
Pensando que vai, mas mal sai do lugar...
E, o que é pior: tende a piorar!... (E olha que estou sendo otimista, hein?)

( Continua no próximo post )

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Parado em trânsito (2/5) - Situações


Parado em trânsito – Parte 2 de 5 : Situações

( No post anterior levantei uma problemática sobre o trânsito entupido de São Paulo e indaguei qual seria a solução. )


B) Entendendo o problema

Para tentar dar alguma solução, é preciso entender por que tem mais carros nas ruas.

Primeiro, porque a população cresce, e rápido. Todo dia tem novos motoristas se habilitando e que querem ter seu próprio carro para se locomoverem. Se até aí fosse um direito do cidadão, tudo bem. Mas é uma necessidade! Se estes não tiverem sua própria condução, não poderão ir facilmente aonde precisam.

Em segundo lugar e também fator de causa anterior, falta uma rede de transporte coletivo e público que atenda satisfatoriamente à demanda. Essa rede existe, mas é insuficiente para atender a população crescente, e ineficiente para ligar com rapidez e facilidade todas as regiões da Grande São Paulo.

Se você leva tempo de carro, num trajeto direto, levará muito mais tempo de ônibus, que vai parando nos pontos pelo caminho para recolher e deixar pessoas. As linhas de metrô existentes são poucas e não atendem toda a cidade... E os trens estão sempre lotados. E há muita espera entre uma composição e outra.

Assim, quem pode vai de carro. Ou de táxi. Táxi é prático: leva você a qualquer lugar e você não se estressa dirigindo. Táxis ficam caro, principalmente em função das dimensões da cidade. Não é uma solução cotidiana, para todos os dias, e também ficam parados no mesmo trânsito.

Por fim, o terceiro motivo que levam as pessoas a adquirirem seu próprio automóvel, a despeito dos preços absurdos e desproporcionais, é a facilidade de crédito e o hábito do brasileiro de se endividar.

Esses bens móveis chegam a custar preços de uma casa ou terreno. As pessoas deixam de investir num bem imóvel onde poderiam habitar, para comprar um meio de locomoção, necessário e indispensável, e que pode ser inutilizado num acidente bobo na próxima esquina.

Mas os créditos facilitados pelas concessionárias de automóveis incentivam isto. Juros mais baixos do mercado, muito menores que os melhores obtidos em empréstimos pessoais pelos bancos (por exemplo: 0,98% ao mês. contra 2,64% a.m.), induzem o desesperado cidadão a comprar seu carro próprio, fazendo com que a parcela mensal caiba dentro do seu orçamento/salário. Para a maioria das pessoas (eu incluído), esta é a única maneira de se adquirir um carro, muitas vezes sem se dar conta que assim estará pagando duas ou até três vezes o valor do veículo do que se tivesse o valor à vista, em vez de financiá-lo.

( Continua no próximo post )

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Parado em trânsito (1/5) - Problemas


Parado em trânsito – Parte 1 de 5 : Problemas

( Isto pretendia ser um artigo a ser publicado num post do blog, mas o tema forneceu tantos pontos a abordar que vou dividi-lo em partes. )

O trânsito de São Paulo não ajuda muito. Atitudes como essas do prefeito Kassab e da CET, atrapalham mais ainda!

Nem vou falar dos problemas diários, como acidentes com motos e caminhões quebrados, tampouco dos problemas naturais, como chuvas com pontos de alagamento, enchentes, blecautes... Vou me ater na essência do problema crescente: o volume de veículos.


A) Descrevendo o problema:

São Paulo é uma cidade que conta mais de 10 milhões de habitantes. As cidades vizinhas, que não são pequenas, já estão fisicamente unidas a São Paulo. Moradores delas cruzam a cidade de São Paulo para irem trabalhar ou voltar pra casa. É o que chamamos de A Grande São Paulo, também designada Região Metropolitana de São Paulo.

A indústria automobilística é a que mais cresce neste país, independentemente de qualquer crise mundial ou nacional. Todos os anos rádios e jornais divulgam que as vendas de automóveis cresceram 130% ao ano! A gente lê e escuta isto e nem pára para pensar... Ora, isto significa que a frota de carros aumentou, de um ano pra outro, 100% MAIS 30%. Ou seja, a cada ano, nos últimos 6 anos pelo menos que eu me lembro, é despejado nas ruas O MESMO tanto de carros novos introduzidos no ano anterior, E mais UM TREÇO desse tanto, sem contar o que já havia!

E não "vendem" RUAS e AVENIDAS na mesma proporção... Quer dizer, este volume todo de veículos, crescente, é confinado a disputar o mesmo espaço físico!

E qual a conclusão matemática dessa soma de fatores? É algo impraticável, caminhando (!) para uma imobilidade total em curtíssimo prazo.

Isto é muito mais preocupante que o tão badalado "aquecimento global", mas tem muito menos repercussão e cuidados. Mas ninguém olha pra isto. Será porque não querem? Eles quem? A população motorista e passageira se preocupa, mas nada podem fazer para resolver a questão. Os que podem preferem dizer que é um mal passageiro...

Tentativas de contenção de quantidade de carros nas ruas da cidade, como o rodízio de proibição de circulação dos veículos com determinadas placas (finais 1 e 2, 3 e 4, 5 e 6, 7 e 8, 9 e 0) em certos dias da semana (segundas, terças, quartas, quintas e sextas-feiras, respectivamente) dentro do "centro expandido" (uma grande região central determinada por decreto) nos horários de pico (entre 7h e 10h, e entre 17h e 20h), é um paliativo, pois retira do congestionamento quase 20% do total da frota, mas só temporário, já que 80% de milhões continua sendo uma quantidade absurda de carros.

O fato é que mais e mais carro vão enchendo as ruas, que não aumentam em número nem largura, e cada dia que passa leva-se mais tempo para percorrer o mesmo trajeto.

Antes, há algum tempo, ainda se podia escolher um caminho alternativo para se fugir do trânsito das principais vias de circulação. Hoje em dia, só se tem uma opção; você pode escolher em qual daquelas alternativas você vai ficar parado no meio do trânsito.

Então, qual seria a solução? É preciso entender por que tem mais carros nas ruas.

( E isto será tema para o próximo post. )

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Um domingo em São José dos Campos


Outra viagem por conta da música, que por si só é outra viagem.

Quase uma continuação do post anterior Um fim de semana no Rio de Janeiro: praticamente o mesmo grupo, o programa ligeiramente modificado, mesmas peças tocadas. A novidade ficou por conta do áudio-visual que ilustrou as falas dos protagonistas, das goteiras sobre algumas poltronas do teatro/auditório, e do ambiente bem mais formal que em Paquetá.

Desta vez os detalhes da audição estão no post Domingão Lotado (no Caldeirão-da-Bruxa), com fotos e tudo.

Como eu disse antes, TODA a apresentação me deixou emocionado. Esses rapazes e moças talentosos tocando obras-primas de compositores famosos e desconhecidos, músicas tocantes! E algumas até muito complexas e dificílimas, executadas com louvor!

Davi fez sua participação, discreta, mas muito especial para mim. E para quem quiser ouvir do que estou falando, da apresentação na Ilha de Paquetá, está publicamente registrado, para quando minha memória falhar, eu poder recordar e me alegrar sempre.

Haydn - Sonata em Fa - Divertimento - 2o-movimento (4:04)
http://www.youtube.com/watch?v=6cf0yV1jLkM



Introdução a Haydn (1:50)
http://www.youtube.com/watch?v=wdQU6nNupjo




sábado, 12 de dezembro de 2009

Um fim de semana no Rio de Janeiro


Foi um final de semana intenso.

Meu filho mais velho fez uma apresentação de piano na Ilha de Paquetá, no Rio de Janeiro, no último sábado.

Antes, ele prestou exame de piano na 6a-feira de tarde, que se desdobrou estudando de véspera, o que fez bem.

Eu tinha programado irmos todos juntos pro RJ naquela noite, de avião.

Minha mãe, que fez 82 anos no domingo, decidiu vir para SP, pra ver a audição e comemorar o seu aniversário junto com a nora querida (que também aniversariou alguns dias antes).

Daí que durante a semana foi uma trabalheira para encaixá-la nos mesmos vôos, não deu, tive que quebrar a ida em 2 vôos, elas duas num, e eu e os meninos noutro, no mesmo horário.

Então começou uma maratona, uma verdadeira aventura.

Logo que chegamos no aeroporto de Congonhas, vimos que o Davi não tinha posto sua mala no táxi, ficou em casa!

Nela estava toda sua roupa para a apresentação e acessórios de toilete... (Que azar!)

Não dava pra voltar pra pegar, iríamos assim mesmo, ele com a roupa do corpo, depois a gente se virava como desse.

Uma vez na fila do check-in, descubro que EU me enganei quanto ao horário: olhei a hora de chegada no RJ em vez do horário de partida em SP!

Como chegamos 1 hora antes, já era hora de embarcar... Aquele frio na barriga: como vamos agora?? (Que azar!)

Agindo rápido, descobri que ainda daria para fazer check-in urgente, mas só porque os vôos estavam atrasados. (Que sorte!)

Descobrimos que TODOS os vôos estavam atrasados porque os aeroportos do RJ estavam fechados por causa de temporal lá.

Daí foi aquela espera... longa... indefinida... e os vôos poderiam ser até cancelados. (Que azar!)

Aeroportos no RJ abriram por volta das 21:30 e começaram os embarques dos atrasados. (Que sorte!)

Soubemos de uma preocupação a mais: depois das 23h os aeroportos centrais, tanto Congonhas (em SP) quanto Santos Dumont (no Rio) fecham, e nesse caso os vôos são transferidos para Cumbica e Galeão, respectivamente. (Que azar!)

O nosso vôo, conseguiu sair às 21:45 (Que sorte!), mas foi desviado para pousar no Galeão. (Que azar!)

Quando pousamos (Que sorte!), o vôo das duas ainda não tinha nem saido de SP, nem embarcado... estavam indo pra Cumbica para embarcar de lá. (Que azar!)

Chegamos no apartamento eram 00:30, eu e os meninos; e elas às 2:30. (Que sorte!)

Às 7h já tavam todos de pé, sem café da manhá, para irmos às 9h ao ponto de encontro com o resto da turma na Praça XV e pegar a barca pra ilha às 10:30. (Que azar!)

Só quase às 10h começaram a chegar os outros alunos e a professora de piano, que vieram de ônibus durante a noite e chegaram as 6h.

Enquanto esperávamos, havia uma feirinha de antigüidades embaixo do viaduto, onde achamos roupas e acessórios para comprar pro Davi. (Que sorte!)

Chovia em Paquetá, o dia inteiro. (Que azar!)

A apresentação, realizada na Casa das Artes, apesar de longa (mais de duas horas, com vários participantes), FOI UM SHOW!!!


Pegamos a barca de volta as 19:15h, e tinhamos um encontro com blogueiros amigos às 21h (só chegamos às 23h no local), jantamos e fomos dormir às 00:30, eu e as 3 crianças (minha mãe já conto como uma).

Dia longo, comprido, cansativo, para todos. Tudo transcorreu bem, ainda bem!

Domingo foi mais light:
café-da-manhã às 10h no supermercado, Arthur quis nadar no mar das 11:30 as 12:30, fomos almoçar no Barra Shopping às 16h, os meninos brincaram no HotZone até as 18h, pegamos táxi de volta para pegar as malas (enquanto rolava a rodada final do Campeonato Brasileiro onde o Flamengo se sagrou campeão), dali pro aeroporto, embarcamos às 21:45 e meia-noite em casa!

Ufa! Só isto tudo!

Em resumo, valeu toda a correria e surpresas e experiências!

Embora cansativo e estressante, preciso dizer que
ouvir a apresentação do Davi foi MUITO EMOCIONANTE para mim.
Uma das maiores emoções que lembro de ter vivido. Que sorte!


As fotos registram alguns desses momentos e passagens mágicos, belos, encantadores, interessantes.










Outra versão desta viagem e mais fotos podem ser encontradas no post
O RIO DE JANEIRO CONTINUA LINDO! (do Caldeirão-da-Bruxa)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O Ego presente


"Somos o que somos, graças ao que fomos.
O 'Eu' presente é o resultado de muitos 'Eu's passados,
uma coleção de milhões de 'fotografias temporais',
uma somatória de instantâneos pessoais, experiências e pensamentos.
Se você descartasse qualquer um desses 'Eu's, deixará de ser você,
o que é impossível.
Não podemos mudar o que já foi,
nem evitar o que será: só podemos modificar o que seria.
Temos condições e capacidade de tomar consciência de nossos 'Eu's,
aceitá-los e usá-los para compor um 'eu' melhorado, superior.
Conseqüentemente, não podemos consertar o que já passou,
mas podemos arrumar o agora e ajustar as conseqüências.
O Passado é o nosso presente para um Futuro melhor!"

Mesdre


Uma dúvida surgiu certa vez quanto ao tempo do verbo empregado em "só podemos modificar o que seria"...

Por que ser conjugado no futuro do pretérito, um tempo verbal usado pra indicar possibilidades no passado? Não deveria ser "será" em vez de "seria"?

Acontece que, no meu entendimento, o português está correto: é uma questão de mergulhar mais fundo na questão.

Suponha o seguinte: que sejam possíveis vários futuros, dependendo das circunstâncias atuais, das ações e reações, atos e conseqüências. Apenas UM deles SERÁ, os outros nunca serão. Portanto, você tem, em princípio, a capacidade de escolher ou modificar "o que será", e com isto determinar outro futuro; assim, aquele que SERIA o "será" antigo, não será mais!


domingo, 29 de novembro de 2009

Teoria da Janela Quebrada


Um amigo me perguntou certa vez se eu conhecia a "teoria da janela quebrada".

Suponha que você tenha uma casa novinha, tudo novo, arrumadinho e bonitinho. Daí uma janela quebra. Uma tabuinha que seja, ou um vidro trincado. Manda a teoria que você a conserte, imediatamente. Não importa se você já gastou tubos de dinheiro e agora está sem nenhum para isto e prefere aguardar mais um pouco. Não espere acumular probleminhas pra resolver tudo de uma vez, para quando sobrar mais tempo e dinheiro. Dê um jeito e arrume logo o que está fora de lugar e enquanto ainda esteja pequeno, pouca coisa, pois senão depois piora e com o tempo o estrago poderá custar muito mais caro.

Bem, eu já tinha ouvido outra historinha, a da "limpeza do casco de navios". A que recomenda lavar, raspar os mariscos que se acumulam no casco, e depois pintar. Nesta, a mensagem vinha com uma moral comparando a limpeza com o deixar o passado para trás, em esquecer o peso que carregamos para prosseguir mais leve.

Tanto uma quanto a outra, escutei com ressalvas.

No caso do navio, não gosto da associação de apagar o passado para seguir vivendo. Acho que se aprende com a história, e negá-la é uma evolução incompleta. Somos o resultado dos muitos que fomos, o Eu presente é a soma de todos os Eus passados.

E quando ouvi a da janela, torci o nariz, óbvio, pois havia acabado de reformar a casa inteirinha, e praticamente quase todas minhas reservas (e até o que não tinha) tinham-se ido nesta brincadeira... Pareceu-me muito mais lógico, prático e barato esperar ter mais alguma coisa pra arrumar e daí chamar algum entendido e especializado para arrumar tudo de uma empreitada, num pacotão só a ser acordado para ser econômico e justo para ambos. O que ficou para trás não eram reparos... Seriam reformas numa segunda fase. Acontece que esta nunca aconteceu, mesmo depois de muito tempo ter se passado. E então, com o decorrer desse tempo, além da segunda fase da reforma geral, há um monte de "janelas quebradas" para consertar...

Parece que vou na contramão da correnteza mais forte...

Por exemplo, enquanto a maioria prega que é preciso amar antes a si mesmo para amar outra pessoa, eu insisto que ser amado e reconhecido é fabuloso para a auto-estima. E é muito mais fácil entregar-se à pessoa amada, do que despender uma energia imensa para se convencer a sair de qualquer buraco sozinho e solitário.

Ok, reconheço que saber fazer o segundo nos torna auto-suficientes, e que o primeiro exige preparo para suportar a perda de modo que esta não se torne MAIS UM profundo buraco... Mas enfim, o primeiro é melhor e mais humano; o outro é mais prático e mais comum.

Uma teoria que tirei do dia-a-dia e aqui compartilho com o leitor. Aprendi cuidando da hera que envolve o muro de casa.


Um muro de hera é bonito, principalmente quando bem rente à parede, e é ecológico. Dispensa pinturas e é a melhor defesa (ou desestímulo) contra os pichadores ou grafiteiros. Cresce sozinha e sem cuidados, nem precisa regar.

Mas precisa aparar. Se não, dependendo das chuvas e sol, os ramos e pontas crescem tanto e tão rapidamente que começam a "atacar" os passantes na calçada... Mais que um problema estético, à medida que os ramos crescem seus talos engrossam, e daí fica muito mais difícil de cortar: exige muito mais esforço para aparar, a troco de calos e bolhas nas mãos, que poderiam ser evitados.

A primeira lição a ser tirada daqui é que se aparar a hera a miúde e com certa freqüência haverá menos galhos grandes para cortar. Levará muito menos tempo e esforço para terminar o serviço, e o volume de folhas pelo chão a recolher e ensacar será muito menor.

Este princípio está coerente com a Teoria da Janela Quebrada.

É o mesmo pensamento que devemos adotar em relação aos emails: assim que receber, abrir e ler um email, decida logo o que fazer com ele.
- Se for para responder, faça-o imediatamente.
- Se for para guardar, transfira-o na mesma hora para uma pasta organizada cujo título/nome facilite seu resgate posterior quando precisar.
- Se for para jogar fora, nem pense duas vezes para apagar logo.
- E se for para pensar e reler depois para responder com calma, assinale-o como tarefa urgente para ser lembrado logo.
Senão, tudo que você deixar para depois encherá sua caixa postal, e ficará praticamente impossível (ou uma tarefa monstruosa, cansativa e demorada) organizar isto mais tarde.

Outra coisa observada em relação à casa com o muro herado...

Suponha que todo o interior esteja uma bagunça por arrumar: a sala, os quartos, os armários, as estantes e gavetas.

Se começar a cuidar por dentro e esquecer da hera lá fora, e se a tarefa interna for grandiosa e tomar muito tempo, as pessoas que passarem em frente pensarão: "Nossa! Que casa mais mal cuidada!"... Mesmo você, que sai e entra na própria casa, terá essa impressão sempre que chegar em casa, que todo seu trabalho doméstico é invisível, e esta sensação é desestimulante... Parece que nada do que anda fazendo aparenta resultado.

Se, por outro lado, começar sua "reformulação" pelo lado externo, ou seja, cuidando da aparência da casa e aparando a hera (ou pintando o muro que não tem hera), não só as outras pessoas verão e pensarão numa casa inteira arrumada (ainda que restem faxinas internas por fazer), como também torna-se um verdadeiro estímulo para manter o interior bem arrumado também, pois quem vê de fora pode gostar e desejar entrar (o que não acontece com o aspecto abandonado da casa).

Assim, a segunda lição que podemos concluir é que se você quiser mudar ou reformular algo, comece de fora pra dentro.

Isto justifica que, quando algumas pessoas estão tristes, deprimidas e querem "dar um jeito" na vida e "dar a volta por cima", elas começam por mudar sua aparência (corte de cabelo, barba, roupas e sapatos novos), para depois mudar seu estilo de viver. É normal cuidar do visual primeiro, isto cria uma sensação de bem-estar que facilita o trabalho de se refazer por dentro. Não é vaidade, nem superficialidade. É instinto prático de sobrevivência. O espelho, neste caso, é o melhor conselheiro.

Isto, de certa forma, contradiz milhares de preceitos bem intencionados que recomendam cuidar da beleza interior primeiro, de se autobastar, a despeito da opinião externa. No caso, quero dizer que a primeira opinião externa tem que ser a própria, num exercício de projeção para olhar por fora primeiro, antes de mirar o interior da alma e de nossa casa, o corpo.

No fim, quando chega o futuro,
não digo mais que a Teoria da Janela Quebrada já era,
enfim graças à hera,
que envolve o muro.

sábado, 21 de novembro de 2009

Amizade: ter x ser


"Pensamos que TEMOS amigos...
Na verdade, SOMOS amigos,
mesmo que nossos amigos não o sejam de verdade!"

Mesdre


quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Atualização obrigatória não obrigado


Atualização obrigatória? Não, obrigado!


Hoje em dia, quase todo mundo usa uma ferramenta de mensagem instantânea (IM, de Instant Messengers).

Atualmente, quase todo mundo tem um MSN. Se não é este, é o Yahoo!Messenger. Ou então Skype, ou gTalk, ICQ, AIM, etc... Tem até ferramentas, na Web ou no celular, que integram essas várias contas numa única interface, se você tem conta em mais de um desses provedores de IM.

Mas, talvez por conta da plataforma Windows, muito mais difundida, ou talvez por conta de um dos mais famosos e populares servidores de email público e gratuito, o Hotmail, que foi comprado pela Microsoft, o fato é que o MSN é o mais popular dos IMs.

No meu caso, como eu possuia conta no Hotmail, passei a poder usufruir do MSN, bastando instalar o client (software local no meu PC), para poder usar trocar mensagens online com quem quer que também usasse o MSN.

Pessoalmente eu prefiro o Yahoo!Messenger, mas desde que a Microsoft firmou acordo de compatibilidade de cadastro entre o Y!M e o MSN, o universo de contatos praticamente dobrou, e em teoria tanto faz agora usar uma ou outra ferramenta para conversar com as mesmas pessoas. As preferências fica por conta dos recursos adicionais que cada uma delas oferece (no meu entender, o básico que é a intercomunicação permanece o principal recurso, e o resto é firulas).

Daí que, para permitir essa intercomunicação, o MSN precisou se transformar no Window Life Messenger versão 8 (pulando aqui algumas etapas de versionamento, para ir mais direto ao ponto). E a Microsoft passou a sugerir a migração de seus usuários de MSN e WLM para a versão 8.

E foi o que eu fiz. O motivo era razoável e interessava poder unir o melhor dos dois mundos. Em algumas empresas, o uso de Y!M não é permitido, mas o MSN é usado internamente se a empresa adotou os produtos Microsoft como ferramentas oficiais de trabalho. Assim, seria possível conversar com colegas do Y!M usando o MSN. Isto é ótimo.

Mas sou avesso a mudar de versões, por pouca coisa ou sem um motivo bem forte. Isto não é ser retrógrado nem conservador radical. Isto é ser prático. Se não há nenhum ganho convincente em se mudar de versão, mudar por mudar representa, ainda que o fornecedor tente mostrar o contrário, uma sobrecarga maior no seu sistema operacional e na capacidade de seu computador.

Antigamente, devido à escassez e lentidão de recursos de hardware (memória, disco, processamento), os software eram feitos com algum cuidado inteligente, de economizar recursos e fazer o mesmo mais rapidamente e com mais inteligência. À medida que os recursos foram se barateando, e em tempo cada vez menor se obtinha hardware cada vez mais potente no mercado, a tendência dos desenvolvedores passou a ser no aproveitamento máximo da nova tecnologia, e não na eficiência dos programas. Então, se as novas versões fossem mais lentas, o novo hardware compensava as melhorias, de modo que se poderia oferecer muito mais, e nos novos equipamentos seria uma beleza!

As empresas em geral, passaram a não mais se preocupar com a dita compatibilidade retroativa e respectivo suporte. Quem seria o louco de manter o equipamento antigo, com equipamentos novos no mercado capaz de realizar mais que o dobro pelo mesmo preço? A lógica capitalista aposta que todos irão migrar, e que a tendência é terem sempre o último equipamento mais avançado. É o que eu chamo de "síndrome da troca pelo carro novo", ou seja, não importa quão novo seja seu automóvel, assim que sair um modelo novo, você troca o atual pelo lançamento, para estar sempre atualizado, valorizando assim seu patrimônio, a despeito de quanto tenha que gastar ainda por isto.

Bem, essa lógica pode se aplicar muito bem para equipamentos de informática em países de primeiro mundo (Estados Unidos, Canadá, Europa e Japão), ou parcela seleta da população de outros mundos (Brasil incluído), que possuem o privilégio de estarem em dia com as recentes inovações tecnológica, indiferentes ao seu custo.

Mas aqui? Dificilmente alguém consegue acompanhar a frenética velocidade de novidades na informática. Se tiver a sorte de poder comprar um equipamento e acessórios de última geração, a vista ou financiado, aposto que vai pensar duas vezes antes de trocar tudo em menos de 6 meses... E outra coisa: trocar para quê, se tudo que você precisa está ali, finalmente funcionando? (vamos pular a parte do tempo que leva para conseguir fazer tudo funcionar como a gente quer, ok?)

Então, voltando aos comunicadores online, há algumas semanas o MSN vem apresentando uma mensagem de que há nova versão disponível para download, a cada vez que você inicia uma sessão. A mensagem pode ser entendida como um procedimento correto, no sentido de divulgar a nova versão e sugerir atualizações (ou upgrade). A maioria das ferramentas gratuitas que oferecem novas versões melhoradas, cobram para baixar e instalar; mas não é o caso do MSN.

Porém, depois de algum tempo, já faz alguns dias, a cada vez que você fazer login (conectar-se numa sessão online), uma caixa de mensagem passou a ser mais contundente (e irritante!)... Avisa que uma versão mais nova está disponível, pergunta se quer instalar agora ou obter mais informação.

Não, obrigado, não quero atualizar, por favor deixe-me continuar com esta versão que no meu entendimento e uso está bom demais. Não desejo nem mais melhorias nem mais "piorias". Depois de ignorar meu não, e não realizar meu login, por algumas vezes, eu conseguia continuar usando normalmente, como antes.

Entretanto, desta última vez, a "democracia" norte-americana, no caso representada pela Microsoft, não me deixou prosseguir. A toda tentativa de login, vinha a seguinte caixa de mensagem:

A newer version is available. You must install the newer version in
order to continue. Would you like to do this now?
_Y_es ?
_N_o ?
OK / _W_hat is New...


Traduzindo:
Uma versão mais nova está disponível (até aí, tudo bem, fico feliz em saber)
Você PRECISA insalar a versão mais nova para poder continuar (EPA! tenho que? Mas não quero!)
Gostaria de fazer isto agora? Sim ou Não? (NÃO, claro que não gostaria, nem agora nem depois!)

Eu escolhia Não, e clicava OK, e voltava para tela de entrada, desconectado do MSN... Sempre!
Cliquei no "Quais são as novidades..." para ver o que dizia. O texto, que pode ser conferido no seguinte link (http://www.windowslive.com/Desktop/Messenger/Upgrade), dizia o seguinte:

Why You Need to Upgrade ?
The Windows Live Messenger team has identified an important security issue in Messenger.
All Messenger users need to upgrade to the new version.
This update will help keep you and your friends safe and secure while you chat online.


Traduzindo:
Por que Você Precisa Fazer esta Atualização?
A equipe do WLM identificou um importante problema de segurança no MSN (muito bem, mas QUAL problema??? Não sei, não dizem, é mistério...)
TODOS os usuários do MSN têm que migrar para a nova versão (NÃO há outra opção, precisam, é obrigatório!)
Este upgrade ajudará manter você e seus amigos seguros e protegidos (DE QUEM? COMO?) enquanto conversam online.

Minha versão de Windows Life Messenger, exibida pela opção de menu Help/About, era:

Version 2008 (Build 8.5.1302.1018)
Copyright 2007 Microsoft Corp
Contains security licensed from RSA Data Security Inc

Como não havia meios alternativos, respondi Yes para permitir a atualização. Daí, algumas verdades veladas podem ser percebidas...

Depois do download da "última" (latest) versão do WLM (que você não é avisado qual é, até que se conclua a instalação), para prosseguir na instalação, você é novamente OBRIGADO a aceitar o termo imposto pela MS. Ou seja, a primeira verdade não explícita é que a MS está, através deste procedimento, isentando-se de uma série de possíveis processos e impondo outras condições de uso, pois ao continuar a instalação você está concordando com o que ela diz, sem poder questionar.


Aliás, outro pretexto desta atualização é o que aparece na linha de baixo dessa mesma tela: "Esta instalação pode requerer atualizações na versão do WLM que você já possui, e futuras atualizações você irá obter pelo Microsoft Update. (saiba mais)". O truque na manga da camisa é o Microsoft Update, uma ferramenta que vasculha seu PC para saber o que você tem instalado na máquina, o que é da MS, que versão está, se é legítimo ou pirata, número de série, etc, tudo isto na surdina, para depois dizer pra você se pode ou não fazer novas atualizações antes de dizer para que versões estão disponíveis para você em função do que você tem. Bem, na prática é isto, uma espécie de vírus (no conceito teórico, obviamente) "oficial" que de forma alguma é chamado ou comparado a um vírus, por ser parte de um procedimento legal (e concordado com seu aceite) de instalação/atualização de versão. Para conhecer "tudo" sobre as dúvidas mais freqüentes "oficialmente" perguntadas e politicamente correto respondidas, clique no "Learn more" que leva você ao seguinte link: http://www.update.microsoft.com/microsoftupdate/v6/vistaabout.aspx?ln=en-us

Bem, quando terminou a instalação, estava atualizado para a seguinte versão:

Version 2009 (Build 14.0.8089.726)
Copyright 2009 Microsoft Corp
Contains security licensed from RSA Data Security Inc

Em apenas 1 ano de versão (2008 para 2009), não pude mais continuar com a versão que usava e que pra mim bastava...

E continuei sem saber qual era aquele tão grave problema de segurança que a MS alegou, a ponto de me "impedir" de continuar usando o que sempre usei normalmente... Ora, não deveria processar a RSA Data Security, por ter permitido tal vazamento de segurança? E por que não explicam de forma transparente o real motivo (ou pelo menos a principal falha da segurança detectada), de modo a transmitir maior conforme e sentido de urgência na atualização por parte se seus usuários?

Ao final da instalação, talvez por pura ironia macabra, é apresentada uma tela que confirma que você foi "OBRIGADO por atualizar para a nova versão", reconhecendo a imposição de tamanha tirania. (rsrs)


Em resumo, seria mentira dizer que você não tem opção...
Tem sim, a mesma que algumas companhias aéreas oferecem para serviços a bordo:
a opção é ou "isto" ou "nada", "aceita o que e como queremos" ou "fica a chupar dedo e a ver navios", a opção é sua!

Eu fico a pensar no grande golpe que o brilhante Bill Gates e posteriormente toda sua equipe que se transformou numa prestigiosa corporação, estratégia esta que foi de difundir o sistema operacional MS-DOS gratuitamente (estimulando o que posteriormente passou a tachar de pirataria), e inicialmente o Window 3.1 e Windows 95. A partir daí, quando estavam quase todos dependentes (talvez viciados seja um termo menos apropriado), passou a cobrar pelos UPGRADES para outras versões, cada vez mais caro.

Não defendo a pirataria, quero deixar isto bem claro. Mas sou de opinião que os principais responsáveis pela pirataria hoje existente não são os usuários nem os intermédiários nem a falta de fiscalização. São os próprios fabricantes e sua ganância por lucro (muitas vezes pressionados por seus acionistas, obviamente, igualmente gananciosos).

Sim, e a explicação é muito simples. Se em vez de encontrar numa loja um software oficial e completo por R$ 200, por exemplo, e encontrar o mesmo por digamos R$ 30, quem iria pagar uns R$ 10 por um software pirata e ilegal, quando pode ter todas as garantias e qualidade por um preço só um pouquinho a mais? Seria o fim da pirataria! O problema está na desproporção de preços, incompatível com o bolso da maioria dos usuários, quando este tem outras preocupações de primeira necessidade básica (como comprar comida, remédios, roupas e transporte para poder ir trabalhar, contas de água, luz, telefone, instrução própria e escola de filhos, manutenção da casa, etc). Software é muito caro e não é gênero de primeira necessidade, apesar da enorme dependência que temos disto no atual estágio de evolução da civilização que participamos.

Os fabricantes alegam impostos que encarecem o preço, ou seja, a culpa é do governo se o preço está tão caro. E eu digo que a culpa é de quem não quer enxergar o problema do custo de forma real e pragmática, e nem quer enfrentar a pirataria como se deve. Deixam a cargo do pobre e infeliz usuário, a responsabilidade de ser ético ou dentro da legalidade, e arcar com o prejuízo no bolso de quem está do lado mais fraco da corda financeira.

Assim, ficamos sem ter a quem recorrer neste caso.
Piratas são ilegais e portanto criminosos. Resolveriam nossos problemas práticos de informática, mas comprometem nossa integridade.
Fabricantes impõem suas regras, querem controle cada vez maior sobre o que você usa, e onde for possível, irão cobrar por isto.
Governo, que poderia regrar as coisas a favor do povo, de nós usuários, é o primeiro a impor um regime de impostos a que estamos obrigados a nos submeter, e que desencadeia uma cascata de outros repasses que encarecem todo e qualquer custo.

De qualquer forma, ninguém me conforta o fato de eu não ter podido continuar usando a versão da interface com que eu estava acostumado. O orkut (da Google), e outros, também já ameaça que em breve já não dará suporte ao meu browser atual, o MsInternetExplorer 6 e que precisarei mudar para IE 8, GChrome ou MzFireFox. Assim meu PC não agüenta!!!

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Atualização do post:

No serviço, apesar de ter feito uma atualização do WLM há poucos meses, fui obrigado a atualizar de novo!


A versão que tinha instalada era:

Version 2009 (Build 14.0.8064.206)

Ou seja, mesmo build (14.0) apenas uma pequena variação na release (8064.206 x 8089.726). Quer dizer, nem mesmo versão ligeiramente anterior e portanto supostamente atualizada, foi poupada para deixar como está. Questiono o que tem por trás desse nivelmento obrigatório, isto é, que recursos obscuros e ocultos a MS empregará a todos sem que o saibam...

Tudo leva a crer que quando a MS quer impor seu domínio aos seus súditos-usuários, consegue de forma imperiosa e nem um pouco "democrática". Resta apenas aplaudir. É obedecer ou boicotar.

Para os que tiverem escolha, sugiro que prefiram o Yahoo!Messenger, que por enquanto continua gratuito, eficiente, e compatível com os contatos do MSN ou WLM.

sábado, 14 de novembro de 2009

Eternidade, Amor e Felicidade


Constatações para eternos questionamentos...

A Dor, Eternidade,
Amor e Felicidade.


Verdades:

"Somos todos mortais, um dia, cedo ou tarde, morreremos.
Nada do que construímos, fizemos ou juntamos, levaremos.
Talvez só aquilo que somos, a soma de tudo o que fomos.
Nada do que dissemos, pensamos, amamos, deixaremos.
Talvez só a lembrança naqueles que nos envolvemos, de uma forma ou outra."



Dúvidas:

Nada dura para sempre ?
Talvez não. Só o tempo, este é eterno.

Tudo acaba um dia ?
Acho que tudo se transforma, e se não acompanhamos a transformação, perdemos o compasso do tempo.

A paixão sobrevive ?
Certamente, transformada. É preciso desejar que dure, é preciso desejar transformar para seguir no tempo, é preciso desejar sempre, senão acaba.

Paixão no relacionamento a dois, é de um ou de dois ?
Primeiro, a paixão é de cada um, cada um tem a sua própria paixão.
Depois, não existe relacionamento a dois, pois ninguém é dois sozinhos no mundo: há amigos, há parentes, há passado, há presente... Se haverá futuro nessa paixão, depende de como cada um deseja. Quem não gosta de se sentir amado, desejado?

Tempo: senhor da paixão, dos desejos, dos amores, dos momentos felizes...
Se tudo acaba, se tudo se transforma, se tudo muda, o que é realmente eterno, perante o tempo, no que diz respeito ao sentimento humano que se traz no peito ?
A única coisa que persiste, em todos, é o desejo de ser feliz, a busca pela felicidade. O que varia é o que faz cada um feliz.


Princípios:

"Felicidade absoluta não existe. O que existe são momentos felizes.
Felicidade, portanto, é uma coleção de momentos felizes.
Felicidade é um estado de espírito, uma opção de vida.
É possível SER feliz, sem ESTAR feliz, mesmo triste naquele momento.
É possível estar feliz, e ser uma pessoa triste. Isto é triste."



Descobertas:

Fiz algumas descobertas, recentemente.
Descobri que minha vida está uma bagunça, mais do que costumava ser.
Descobri que ponho no trabalho a desculpa de não me sobrar tempo para organizar a minha vida.
Descobri que eu preciso me organizar então seriamente.
Descobri que para eu me organizar, eu preciso estar equilibrado, encontrar um equilibrio, eu preciso me encontrar.
Descobri que a minha paixão pela Mi me dava paz, quando correspondida.
Descobri o quanto sexo é importante no meu equilibrio emocional e sono.
Descobri o quanto meu equilibrio emocional é importante pro resto da minha vida e dos outros, principalmente daqueles que eu amo.
Descobri também que penso que posso controlar meu desejo, que posso decidir e abrir mão de certas vontades, que posso determinar como quero viver o resto dos meus dias.


Conclusões:

Para ser sério eu preciso estar alegre. Porque estar triste é campo fértil para desastres para mim.
Permanecer triste é deixar o mundo desabar diante de si e não se importar por isto.
Um círculo vicioso e destrutivo.
Dizem que é preciso amar para sair desse vórtice.
Muitos dizem que é preciso amar a si mesmo, antes de tudo.
Por outro lado, amar a si mesmo é algo egoísta. Eu quero ser altruísta.
Não importa o que aconteça comigo, se eu puder amar (não a mim), se eu puder expressar minha paixão.
Sigo apaixonado, a paixão é minha razão de viver. Seja esta contida ou extrovertida.
Se eu não puder expressar minha paixão, sigo calado, deixo que minha paixão siga em frente.
Meu amor não precisa de comparação: não preciso que saibam se é grande ou imenso, se é tímido ou intenso, se é tolo ou vão.
Eu quero que minha paixão seja feliz, mesmo a custa de minha infelicidade pessoal. Quero ser altruísta, lembra? No fim, serei feliz sabendo que ela está feliz. Melhor seria se estivesse feliz comigo. Melhor eu seria se eu a soubesse fazer feliz.
Mas felicidade é uma coisa muito pessoal. Cada um é feliz do seu jeito. Ou não, também do seu jeito.


AndreM (com "citações" de Mesdre)


quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Mulher Madura

Recebi por email o texto abaixo, que aqui reproduzo por ver da mesma forma.


"Quando resolvi escrever sobre a MULHER MADURA, pensei em mim e em todas as mulheres de trinta, quarenta, cinquenta... não importa a idade, claro, não desmerecendo as mais novas, até porque, pretendo falar de toda vivacidade que elas possuem.
A MULHER MADURA tem um jeito todo especial de ser.
Ela possui uma beleza peculiar que não se iguala a nenhuma outra.
Pena daqueles que não sabem percebê-las!!!
A MULHER MADURA não é ventania, ela é ar EM MOVIMENTO.
A MULHER MADURA não pega, ela TOCA.
A MULHER MADURA não come, ela se ALIMENTA.
A MULHER MADURA não provoca, ela já é PROVOCANTE.
A MULHER MADURA não é inteligente, ela é SÁBIA.
A MULHER MADURA não se insinua, ela mostra o CAMINHO sutilmente.
A MULHER MADURA não se precipita, ela espera o MOMENTO CERTO.
A MULHER MADURA não nada, ela NAVEGA.
A MULHER MADURA não voa, ela FLUTUA.
A MULHER MADURA não pensa em quantidade, ela prefere QUALIDADE.
A MULHER MADURA não vê, ela OBSERVA.
A MULHER MADURA não anda, ela CAMINHA.
A MULHER MADURA não deita, ela ADORMECE.
A MULHER MADURA não é pretensiosa, ela SIMPLESMENTE SE GOSTA.
A MULHER MADURA não julga, ela ANALISA.
A MULHER MADURA não compara, ela ASSIMILA.
A MULHER MADURA não consola, ela ACALENTA.
A MULHER MADURA não acorda, ela DESPERTA.
A MULHER MADURA não coloca algemas, ela os DEIXA LIVRE.
A MULHER MADURA não enfeitiça, ela ENCANTA.
A MULHER MADURA não é decidida, ela apenas sabe O QUE QUER.
A MULHER MADURA não é exigente, ela é SELETIVA.
A MULHER MADURA não se senti velha, ela se considera EXPERIENTE.
A MULHER MADURA não se lamenta, ela tenta fazer DIFERENTE.
A MULHER MADURA não tem medo, ela tem RECEIOS.
A MULHER MADURA não faz juras, ela deixa por conta do TEMPO.
A MULHER MADURA não tira conclusões, ela faz SUPOSIÇÕES.
A MULHER MADURA 'não desce do salto', ela tem 'JOGO DE CINTURA'.
A MULHER MADURA não brilha, ela é ILUMINADA.
A MULHER MADURA não dá tchau, ela ACENA.
A MULHER MADURA não gosta de ser vigiada, ela prefere ser ESCOLTADA.
A MULHER MADURA não é moderna, ela é ELEGANTE.
A MULHER MADURA não quer ser cobiçada, ela prefere ser DESEJADA.
A MULHER MADURA não possui sombras, ela tem AURA.
A MULHER MADURA não adivinha, ela tem PERCEPÇÃO.
A MULHER MADURA não faz sexo, ela é mestre na ARTE DE AMAR.
A MULHER MADURA não fica, ela se ENVOLVE.
A MULHER MADURA não é fácil, ela é FLEXÍVEL.
A MULHER MADURA não manda, ela ADMINISTRA.
A MULHER MADURA não aflora, ela é um constante FLORESCER.
Enfim, a MULHER MADURA é um conjunto de todas as belezas possíveis.
Mulher sensível, e ao mesmo tempo uma verdadeira guerreira, é forte, mas é feminina.
Porém, muitos não possuem sensibilidade para perceber tal beleza. Mas aqueles que descobrem... preferem morrer nos braços dessa tal mulher, que não é DOCE, mas que, simplesmente, é puro MEL."

Vanessa Pena


Teve uma frase que quase discordei:

A MULHER MADURA não nada, ...
... ela TUDO!


E ainda ficou outra que não chegou a ser explícita:

A mulher má, dura!... (rsrs)


quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Facilidades e questionamentos, a missão


Em referência ao tema dos "bons ventos sábios" (ver Inventando alto), aproveito para compartilhar e registrar aqui trecho de conversa muito interessante com Vivian, a quem agradeço de coração.


- O segredo da vida é saber remar em qualquer embarcação...

- Há quem diga que o bom segredo é saber como pegar uma embarcação a motor, para não ter que remar... ou o vento certo... ou a correnteza certa...

- No campo das facilidades, não testamos nossa competência.

- No campo das competições, nós testamos nossa facilidade.

- As facilidades existem nas coisas e não em nós... Em nós existe a competência ou não para saber distingui-las.

- "As facilidades existem nas coisas e não em nós"... isto é discutível. Aqui você parte de uma premissa que não existem facilidades em nós (por que não?) e que estas só existem nas coisas... donde conclui-se que só existem dificuldades em nós... o que é tão improvável quanto a existirem só uma coisa ou outra.

- Agora, quanto a caber a nós sabermos distinguir o que é facilidade ou não, isto está corretíssimo, ainda que essa sabedoria e distinção sejam um tanto subjetivas.

- Esta conversa viraria dias e dias, por ser rica de possibilidades, e é claro, facílima quando estamos falando a mesma linguagem...a linguagem de eternos aprendizes...rss

- Embora a vida seja uma eterna ilusão, fomos treinados para questioná-la, e destes questionamentos tiramos respostas que no íntimo já sabemos...

- O que importa o saber? O que ganhamos de entender as coisas, se elas acontecem independente de nossos desejos ou não? Penso que filosofar sobre a vida, é apenas uma rota de fuga, que bem sabemos é ilusória. Porque a vida é o que é, tanto para os sábios como para os simples... E a estes últimos eu os chamo de felizes, porque são puros e não sofrem por antecedência.

- Sim, somos aprendizes. E nesse aprendizado, discordamos em algumas lições...

- Por exemplo, eu (e não sou o único) penso que um dos propósitos da vida seja não só vivê-la ou passar por ela (como se fosse esta a missão em si), mas questioná-la e entender a travessia. Isto é, entender qual nossa missão, como se a verdadeira missão fosse entender a missão de nosso destino, não importa qual seja esta e nem se virá a saber...

- Não concordo que sejamos treinados a questioná-la... Ao contrário, toda a sociedade ensina a obedecer sem questionar, crer sem duvidar, dar sem trocas, etc. Ou seja, quanto mais carneirinho, melhor pro rebanho, enquanto alguns (os "mais espertos") tiram proveito disto, reforçando aquelas regras para os outros!

- Concordo que certos aspectos da vida de cada um são inerentes, e pouco importa nossa ação ou pensamentos. Mas não entendo que filosofar seja rota de fuga... Pra mim, a aceitação incondicional sim é uma rota de fuga! Pois (mesmo) a avestruz (que é enorme) estabelece uma rota de fuga sem sair do lugar, ao enfiar a cabeça num buraco em terra, para não ver o problema que a ameaça.

- Eu entendo, admiro teus pensamentos, porque conheço a extensão da sua inteligência.

- O que eu quis dizer é que com filosofias, ou não, a vida segue seu curso, sem perguntas e nem respostas.

- É claro que se tivermos um pouco mais de entendimento, buscamos meios para driblar os problemas... Mas mesmo assim eles estão aí, sem anestesia... E "driblar" não quer dizer estar fora.

- Portanto, o único prêmio de tudo isso, é que saímos um pouco mais experientes para o próximo combate... E assim é.


sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A localização do amor


Este ícone é interessante pois ele simboliza o mapa do amor, ou melhor, onde este se conceitualiza nos homens e nas mulheres, de uma forma bem caricata.

Ou seja, nos homens o amor se concretiza no prazer sexual antes de qualquer coisa, e isto passa longe do fundamento amoroso nas mulheres e que seria apenas um detalhe na complexa contextualização do amor sentimental. Claro, sempre há exceções.

Curiosamente, a figura foi reaproveitada no cartaz de um ótimo filme, "A Verdade Nua e Crua" (tradução adequada, na minha opinião, para "The Ugly Truth").



Juntamente com outro bom filme, "Hitch, Conselheiro Amoroso" (em inglês apenas "Hitch"), ambos abordam essa forma de encarar o amor do lado feminino diferente do masculino, e vice-versa.

Embora mesmo tema, são abordagens distintas.

Em "A Verdade Nua e Crua", o "consultor profissional" explica e orienta as mulheres como elas devem pensar e agir para conquistar um homem.


Em "Hitch, Conselheiro Amoroso", a proposta é ensinar os homens como eles devem pensar e agir para conquistar uma mulher.



O que têm em comum estes filmes?

Em ambos, a voz do esclarecimento parte de homens que, com sua vivência, consciência ou sensibilidade são capazes de orientar outros, mas praticamente incapazes de resolver seus próprios problemas - o que é natural, bem típico do gênero humano.

Além disto, nos dois as mulheres protagonistas representam os obstáculos para que a missão seja bem e rapidamente cumprida.

E também ambos deixam claro a dificuldade que é a comunicação para expressar o que sentimos quando amamos.

Enfim, filmes que nos tocam, de uma maneira ou de outra, seja pela identificação com algumas situações, seja pelos conselhos úteis que podem ser captados dos filmes.

Talvez o maior problema destes filmes é que eles focam nos primeiros encontros (date, em inglês), no ato da conquista em si, em como entender o mecanismo de aproximação para a química do amor funcionar.

Mas exploram muito pouco o que fazer depois, o mecanismo de como manter a chama acesa, como fazer da conquista bem sucedida um caso duradouro.

Nestes filmes, a preocupação é sobre o tempo do ANTES até o durante. Quanto ao DEPOIS... Bem, isto parece ser tema para outros filmes!...


sábado, 24 de outubro de 2009

Lições de cadeira


Ainda outro dia ouvi um especialista em móveis falar da característica de certas cadeiras e dali filosofar. Ele dizia:

"Duro com duro, não dá bom muro, não tem futuro".

Mostrou-me uma cadeira, sentou-se nela e perguntou: "ela cedeu?".
"Sim, um pouco", respondi.
"Pois, cadeiras que são coladas e rígidas, não cedem ao peso, e não duram muito. Cadeiras com parafusos cedem, estas resistem mais."
E concluiu: "Como nos casamentos, se ninguém cede, não dura!"

Para conviver tanto tempo com outra pessoa,
é preciso muita coragem e vontade.

Quando um não quer, dois não brigam.
Mas também quando um não quer, dois não amam.

Para fugir da mesmice e da monotonia,
é preciso se reinventar a cada dia, ambos!


"A história é memória.
O futuro é escuro.
O presente nem se sente."

Mesdre


sábado, 10 de outubro de 2009

Ótima leitura recomendada


Se há algo a dizer, está quase tudo no blog dedicado ao livro:

http://possoteclarcomvoce.blogspot.com/

Certamente, depois da leitura haverá muito mais coisas a serem ditas.

Mas quem já leu os escritos da Mirian Martin, ou A Senhora, do Caldeirão-da-Bruxa, sabe que seus textos não apenas divertem e são fáceis e gostosos de ler, como também deixam no ar e na gente aquela sensação de delícia ao apreciar uma boa história bem contada.

São contos ou capítulos curtos que se entrelaçam no enredo e em nossa vida cotidiana, mesmo quando o tema por vezes foge ao abstrato e à fantasia para nos surpreender no fim.

Pessoalmente, acho que seu estilo lembra muito a rapidez e inteligência de Luiz Fernando Veríssimo. Poucos conseguem fazer puramente dos diálogos uma forma completa de narrativa! É preciso muita habilidade para isto, ou o talendo e dom natural dos bons escritores.

Fica a minha indicação e recomendação: POSSO TC C VC?


domingo, 4 de outubro de 2009

Dia dos animais, dia do SãoChicão

No dia 4 de Outubro se celebra, pelo menos entre os católicos, o dia de São Francisco de Assis, conhecido também como patrono e protetor dos animais, em função das várias histórias ou lendas contadas a seu respeito e seu dom de "falar" aos bichos.


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Uma oração de São Francisco de Assis

Senhor,
fazei-me um instrumento de Vossa paz:
- onde houver ódio
+ que eu leve o amor,
- onde houver ofensa
+ que eu leve o perdão,
- onde houver discórdia
+ que eu leve a união,
- onde houver dúvida
+ que eu leve a .
- Onde houver erro
+ que eu leve a verdade,
- onde houver desespero
+ que eu leve a esperança,
- onde houver tristeza
+ que eu leve a alegria,
- onde houver trevas
+ que eu leve a luz!

Ó Mestre,
fazei que eu procure mais:
+ consolar
- que ser consolado,
+ compreender
- que ser compreendido,
+ amar
- que ser amado.
Pois
+ é dando
- que se recebe,
+ é perdoando
- que se é perdoado,
e é morrendo
que se vive para a vida eterna!


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Adoro esta Oração do Salsichão, ops, digo, Oração de São Francisco de Assis.
Só não gosto da última frase:
morrer pra quê? É aqui que se vive!
Todo o resto é uma lição de vida.


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Na verdade não foi composta por São Francisco, mas, por seus seguidores, unindo palavras que bem poderiam ser ditas por ele.

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Segundo o amigo AGIL, quanto à vida eterna, só se chega lá morrendo mesmo. A não ser que você entre para a ABL (Academia Brasileira de Letras), associação que é composta por 39 membros e um morto rotativo... (rsrs)

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Teve uma Campanha da Fraternidade, há MUITO tempo atrás (década de 70), que colocou uma versão musicada que era veiculada na TV durante os comerciais. Muito legal. A melodia era muito gostosa e muita gente aprendeu a letra!

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Quem quiser saber um pouco da história de São Francisco (1182-1226) e Santa Clara (1194-1253), ambos de Assis na Itália, assista ao filme "Irmão Sol, Irmã Lua", de Franco Zeffirelli, eu recomendo.

Trechos do filme em:
http://www.youtube.com/watch?v=B43AIvPiNaQ
http://www.youtube.com/watch?v=fwcdxCSs4qI.


quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Inventando alto


aventura >> a ven(to a)tura >> aturar ventos em alturas


Num cartaz de campanha de segurança da informação do TJSP, havia os seguintes dizeres:

"Só há ventos favoráveis para quem sabe aonde vai."

Isto é bem verdade. Por outro lado:

"Para aqueles que estão perdidos, qualquer vento serve:
para aonde os levar, a chance de continuarem perdidos é grande."
(Mesdre)

Assim, penso que os ventos, sejam favoráveis ou não, fortes ou fracos, são o que menos conta na nossa aventura de viver, mas sim como os suportamos e nos aturamos.

Saber o que quer, ou saber para aonde ir, é o ideal que se prega aos ventos para que todos sejam ou reajam assim. Mas é fato que não existe pessoa absolutamente segura de si (ainda que se pense assim): há sempre uma brisa de dúvidas, de incerteza, de medo, receio, ansiedade, que nos aventa um momento ou outro.

"A vida é uma aventura que se inventa a cada instante!" (Mesdre)

E concluo que a vida independe dos ventos, ainda que estes nos arrastem, devemos estar sempre prontos a içar bem alto as velas e tirar proveito dos momentos que se nos apresentam, e seguir buscando o melhor caminho. Porque pouco importa o destino... lá chegaremos no final. Importa muito mais o caminho. Com quem caminhamos. E como o fazemos. Que este seja bem feito! E, muito mais do que pegadas, deixe boas recordações, que saibamos aturar bem, pois quando ao nosso destino chegarmos, haja o vento que houver, terá valido a pena a aventura!


sábado, 19 de setembro de 2009

Fabuloso recontar


Quando os meninos eram pequenos, eu gostava de contar histórias que além de entretê-los também servia para passar alguma mensagem de moral e princípios.

Uma das que eu acho mais significativas é a do "Pedro e o Lobo".

Para quem não sabe, essa fábula conta a história de Pedro que se afastava da aldeia em que morava e ficava gritando "olha o lobo! olha o lobo!". Todos saíam correndo de suas casas, armados de facões e rifles ao socorro do menino em perigo, mas davam de cara com ele rindo por terem caído naquela mentira. Todos ficavam muito frustrados com o garoto e voltavam para casa zangados pela brincadeira sem graça. Mas tinham bom coração, e cairam na mesma brincadeira duas, três, quatro vezes, sempre na possibilidade de talvez ser verdade daquela vez, pois o menino se esforçava para tornar o chamado cada vez mais real e dar credibilidade à mentira, sua pequena brincadeira. Quando um belo dia apareceu o lobo de verdade, ele esgoelou desesperado, todos ouviram e acharam tratar-se de mais uma mentira, e resolveram não acudir mais, mesmo com um peso no coração pela lição que ele merecia, sem saberem da presença real do lobo. O lobo veio e devorou o Pedro!

É uma história chocante, que nenhuma criança gosta de ouvir, porque não tem um final feliz, e porque em geral se identificam com o personagem principal, também uma criança que gosta de fazer brincadeira e se divertir às custas dos outros. E sempre que a oportunidade clama, apelo à lembrança da história, seja para um banho de mar ou alardes por causa de futilidades, não importa, qualquer situação que coloque a credibilidade e honra da pessoa em jogo por "enganação" de outros.

Outro dia, cansado de ser questionado sobre as versões truncadas e quase sempre contraditórias que Davi mal conta quando indagado sobre qualquer coisa da escola, Davi virou-se para a mãe e disse assim, à queima-roupa:

- Conhece a história do Pedro e o Lobo? Pois então vou contar a minha versão para você:

"Quando Pedro avisava 'olha o lobo! olha o lobo!', e os aldeões sempre o chamavam de mentiroso e lhe davam sermões. Um dia ele chamou 'cuidado, olha o lobo!' e o lobo veio e comeu VOCÊ!"

Talvez tenha sido meio desrespeitoso, uma sutil afronta... Mas, sem dúvida, uma forma GENIAL de subverter a história a seu favor!
kakakakakakaka

Nunca pensei que a moral dessa mesma fábula pudesse se tornar:
"Se você não acredita num mentiroso potencial,
mesmo quando ele diz a verdade,
o problema é seu e não dele!"

rsrs


segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Viver um dia de cada vez


"O passado é história,
o futuro é mistério,
mas o agora é uma dádiva,
por isto ele se chama presente."


Mestre Oogwen, do filme-desenho Kung Fu Panda


sexta-feira, 4 de setembro de 2009

POR ACASO DE CAR-RO



O CASO DE CAR-RO: mais ficção que a realidade


Rômulo era um rapaz adolescente, com espinhas na cara, barba ainda por nascer, estudante tímido como tantos outros da sua idade, da sua turma e escola, excitado com a aventura incógnita que a vida lhe reserva, ansioso pelas responsabilidades do mundo adulto que aos poucos assumia, e indescritivelmente desejoso dos instantes amorosos que esperava vivenciar a qualquer momento, mas que nunca chegava. Não tinha namoradas, nem tinha com quem ficar, como se dizia entre eles.

Não gostava do seu nome, achava-o romano demais, muito arqueológico e arcaico, do tipo que espantava qualquer mina, principalmente as gostosas pelas quais ele babava. Preferia ser chamado de Romeu, muito mais romântico e apaixonado, como ele acreditava ser.

A "Julieta" deste Romeu era uma menina mais alta que ele, estudava na mesma escola, mas não na mesma classe. Romeu via-a de longe no intervalo do recreio, de prosa e toda fogosa com as colegas e amigas dela. Romeu ficava se roendo de vontade, mas não se aproximava, tinha vergonha. Pensava um monte de coisas pra contar e perguntar, mas não saberia o que dizer... Só de imaginar a situação, a boca secava, dava um nó na garganta e vinha um frio na barriga.

Maria do Carmo era o nome dela, mas todos a chamavam de Carminha. A mocinha era magra, mas longe de ser esquelética, tinha um rostinho cheio e fofo, de pele quase branca contrastada pelos longos cabelos negros e lisos que chegavam até a cintura, e que variava seu modo de usar, ora soltos, ora presos em coque, ora trançados por cima dos ombros.

A puberdade e os hormônios fazem as formas sobressaírem, tanto nela ganhando curvas e volume abaixo do quadril e na frente do peito, quanto nele sob as calças quando admirava aquelas mesmas curvas.

Romeu queria que Carminha fosse sua. Sua amiga, sua namorada, sua professorinha na matéria do amor, ou o que quer que fosse. Achava que estava apaixonado por ela.

Passava o dia todo pensando nela, como se achegar até ela, imaginando diálogos que pudessem ser interessantes e deixá-la interessada. Na saída da escola se apressava afobado para fazer coincidir seus horários e rumo.

Descobriu que ônibus Carminha pegava todos dias para voltar para casa, e Romeu ia para o mesmo ponto de parada de ônibus e lá esperava pacientemente até que o dela passasse e ela embarcasse... Nesse tempo, era o plano, Romeu teria oportunidades para conversar com Carminha.

Carminha era uma garota viva e esperta. Percebeu logo a presença constante do rapazinho e desconfiava de sua intenção. E fazia-se de tonta, dando corda ao jogo de sedução que, no seu entendimento, não teria conseqüências nenhuma. Era mais uma distração para ela enquanto esperava no ponto.

O plano de Romeu começou a dar certo. Não era sempre que coincidia dos dois juntos no ponto. Tinha dia que ela não ia, tomava outro rumo, ia pra casa de uma amiga ou parente, ou o pai ou a mãe vinha buscá-la na frente da escola de carro. Noutros dias era Romeu quem tinha que ficar na biblioteca para fazer trabalho de escola, ou ia para aulas complementares de inglês, música ou esportes. Enfim, esses desencontros faziam cada encontro ser mais emocionante e esperançoso. E assim era.

Começou assim. No ponto, um olhar breve brejeiro de Carminha, e logo um sorriso contido e furtivo de Romeu. Em pouco tempo já trocavam frases soltas e leves, não importa quem tomasse a iniciativa, sobre o clima, algum evento na rua, alguma coisa da escola ou sobre notícias de jornal ou capítulos de novela. Tudo era pretexto, qualquer coisa era assunto. E as conversas pareciam animadas, e eles cada vez menos estranhos um ao outro, apesar de suas esquisitices típicas e próprias da idade.

O tempo foi passando. Romeu e Carminha já até saíam juntos de final de semana, para irem ao cinema ou a uma sorveteria. Com a turma de colegas e algumas vezes até os dois sozinhos, só eles dois. Ficaram mais chegados, conhecidos, quase amigos, mas sem intimidades - ainda, pensava Romeu. Um sonho: Carminha e Romeu; o caso de Car-Ro.

Tudo ia seguindo seu ritmo morno, até que um dia... Ao acaso, um carro.

Bartolomeu era um cinqüentão charmoso, meio fora de forma como tantos outros na sua idade, barba ainda por fazer, profissionalmente bem estabelecido, sem grandes ambições, mas que esperava mais da vida: mais emoção, mais paixão, mais tesão. Essa busca se traduzia no seu olhar, atento a cada movimento das pessoas que cruzam seu caminho. E no seu caminho estava Carminha...

Passando um dia ao acaso de carro em frente ao ponto de ônibus, onde parou com o carro esperando o sinal de trânsito abrir, o olhar de Bartolomeu mirou Carminha, e admirou.

E o que se descreve a seguir transcorreu num breve instante, como que em câmera lenta, tudo ao mesmo tempo, em apenas alguns segundos, segundo consta.

Bartolomeu desejou Carminha. Mediu-a de cima abaixo e de baixo acima, devorando-a com os olhos e imaginação, lembrando de sua experiência com outras mulheres e pensando em como com ela poderia ser diferente e melhor. Refreou esse devaneio excitante quando a varredura visual encontrou os olhos de Carminha fitando em sua direção.

Carminha estava distraída naquele dia e mal prestava atenção na voz de Romeu, que falava quase sem parar... Estava "desligada", com o pensamento longe. De repente, sentiu-se observada, e uma sensação de calafrio. Foi quando olhou na direção do carro que estava parado na rua à sua frente, e viu o motorista lhe dirigia o olhar, de um jeito tão malicioso que sentiu-se despida da cabeça aos pés e dos pés à cabeça.

E então os olhos de Carminha cruzaram os de Bartolomeu. Ela sentiu um frisson, um tremelique interno como nunca havia sentido antes, e gostou. Sabia que aquele homem feito, maduro, a via como mulher que havia dento de si, e não como uma garotinha que deixava de ser menina. Um calor inexplicável emanava de dentro para fora de seu corpo. Neste instante, mesmo com toda gente em volta, só existiam ela e aquele estranho...

O agora falante Romeu notou então que Carminha não lhe ouvia havia alguns minutos, e calou. Percebeu um clima estranho rolando no ar, e engoliu a seco. Situou-se do que estava acontecendo, e não gostou...

Bartolomeu, o cara do carro, via na mocinha de uniforme uma prazerosa aventura.

Carminha, ávida para se descobrir mulher em sua plenitude, via naquele desconhecido homem experiente e vivido a possibilidade de experimentar uma atrevida e picante loucura.

Romeu, atônito e inconformado, via-se diante de uma realidade insana, e rezava desesperado para que nada disto que ele deduzia fosse verdade. Ou tinha que ser fantasia, ou seria uma tremenda injustiça.

Isto não poderia estar acontecendo, na visão romântica de Romeu... Afinal, ele tinha investido seu tempo e dedicação à sua musa. Era ele quem a queria conquistar, ganhando primeiro sua confiança, para que a entrega fosse total no final. Ele sabia quase tudo sobre ela, ocultamente zelava por ela, ele pertencia ao mundo dela...

Agora aparece um tolo barbado sabe-se lá de onde e indo não se sabe pra onde, e ela se encanta toda? E o deixa de lado, no canto? E todos os seus cantos e odes pelos caminhos de Carminha? Que onda é esta?

Será que ela percebia que o marmanjo safado estava a fim de abusar dela? Será que ela não entendia que o velhaco não se interessava quem era Maria do Carmo, e que só enxergava aquele corpo jovem e delicioso por baixo do uniforme dela?

Rômulo não entendia bem, mas sendo homem, no fundo sabia o que o tal homem queria.

Um misto de revolta, raiva, ciúme, impotência, desespero, desamparo, desilusão e desprezo pela ironia e descaminhos que a vida inventa de nos apresentar e impor nas horas que menos esperamos ou desejamos, este era o sentimento que assolava o trêmulo Rômulo, que nesse momento não sabia o que fazer.

O templo fluía por um funil em que se esvaía, angustiante.

E então, a respiração presa é expelida num alívio, sem pressa, e com ela o tempo engrena novamente.

O semáforo se abre, e o trânsito começa a se mover. Uma buzina do carro de trás traz Bartolomeu de volta à realidade, que, por mais que desejasse seria impossível parar seu carro ali, descer e abordar aquela linda e atraente garota. Deixa o impulso e a fantasia de lado, olha para frente e segue adiante, contrariado. A vida vai lhe sorrir mais à frente, pensou, quem sabe?

Romeu vê o carro arrancar. Ufa! Também arranca de seus ombros a sombra de um futuro sombrio e triste. Pelo menos para ele, e também para Carminha, na sua opinião... Mas quem era ele para saber o que é bom ou ruim, certo ou errado? Tão novo, tão jovem, tanto a aprender... e tomara que seja com a sua eterna "Julieta".

E Carminha de repente acorda de um devaneio. Respira fundo e suspira frustrada por estar sempre na linha e nunca pegar o bonde da história. E para onde iria? Pouco importa, desde que seja emocionante e valha a pena. E com quem? Este é outro mero detalhe, porque sabe que nunca haverá alguém à sua altura, esses crianções de qualquer idade que ela saberia dobrar muito bem. Respira novamente, transpira e sua, calminha... Porque Carminha não era de ninguém: a sua vida era só sua!



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