"Aonde vai parar este mundo?
Se esta é a questão que incomoda,
quando tudo desanda, lembre-se que
a Terra não pára, ela gira e assim seguirá...
a gente pára antes!
A morte encerra e, com sorte,
algum forte enterra."
Mesdre
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
O fim do mundo perdido
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Duas festas em uma ou nenhuma
Salão aberto. Preparativos começam. Gente chegando e se acomodando. Todos parentes.
O som personalizado do telefone toca, avisando a chegada de nova mensagem de texto.
A tia, dona do celular, procura-o ansiosa, pois aguardava notícias de seu namorado.
O celular estava nas mãos do sobrinho, que jogava algum game disponível ou navegava pela internet.
A mensagem que chega estampa na tela, e o rapazinho inocentemente se levanta e leva o telefone à tia, já prontamente anunciando a mensagem:
- Ele diz que não poderá vir!
Ela, ou decepcionada ou nervosa, arranca-lhe o aparelho da mão e dá uma bronca pública, que ela não o havia autorizado a isto:
- Nunca mais faça isto! Eu não deixei você pegar...
Na verdade, sempre que possivel ele pedia e ela cedia o celular para ele explorar e brincar... nunca falou em restrições...
Neste dia, certo que houve alguma liberalidade, mas a regra era outra, mas ninguém estava avisado.
O clima ficou tenso...
O contrangimento de se ler uma mensagem pessoal, mesmo que nada revelador, em voz alta, era uma pequena afronta.
A mãe, num canto, se ressentiu também da aspereza inédita da irmã para com seu filho.
No ar, a bronca ao jovem parecia mais uma indireta à mãe, que "evidentemente" não dava a devida educação ao seu filho.
Foi só um deslize, um vacilo, que incomodou, porque no fundo era um rapaz muito bom e atencioso.
Mas era dia de festa, tudo ficou por isto mesmo. Ou quase.
O almoço iria ser servido, e durante a distribuição pela mesa dos apetrechos de pratos, copos e talheres descartáveis, vem outra pergunta inocente...
A tia quer saber:
- Avisou nosso irmão?
- Sim, respondeu a mãe.
- E ele vem?, insistiu a tia.
- Não sei, respondeu sinceramente a mãe... como poderia saber, o que ele faria, que imprevistos teria?
- Como assim: não sabe?, indignou-se a tia, elevando o tom da voz.
- Não sei, repetiu a mãe, procurando manter a calma e na defensiva, como uma leoa já ferida (e mordida pela bronca indireta em seu filho e "escandalosamente" pública)...
- Como eu iria saber? Eu não sei.
- Nossa! Não precisa ficar responder assim, nervosa! O que você tem?, ainda mais alto, para que todos presentes ouvissem e se envolvessem também.
Daí o marido intervém, vendo que a cunhada não iria aceitar aquela resposta como possível.
- Ela não pode saber, porque fui EU que falei com ele! Eu avisei-lhe do almoço e ele respondeu: 'Tá bom'. Foi o que contei a ela, exatamente isto. Não sabemos se ele virá ou não, esperamos que sim.
Ela percebe que não obterá a resposta que queria (confirmado, sim ou não?), e sem graça com a situação e as faíscas no ar, deixa escapar:
- Desculpas, por achar que ela é quem tinha falado com ele. Eu não sabia....
Mas daí o caldo já havia entornado.
A mulher se retira imediatamente da sala, enquanto as coisas ao seu alcance ainda estão inteiras.
O marido a segue, para levá-la de volta à casa, para ver se relaxa um pouco.
Os que ficaram para trás, ficam sem entender muito bem o que havia se passado.
O fato é que nunca se sabe exatamente o que se passa no íntimo de cada pessoa.
A falta de imaginação, de reconhecimento e de se colocar na pele do outro, leva a distorções da percepção.
Quando os nervos estão exaltados, tudo se exacerba.
Um copo nunca transborda por causa da última gota, mas porque chegou a ficar cheio!
O ápice da desavença já vinha acumulando detalhes menores que serviram de ingredientes para eclodir naquela hora.
Numa festa que não era para acontecer.
Um dos aniversariantes nem queria a festa, nem chegou a ser consultado; queria viajar, ia ser bom para a família.
Imprevistos obrigaram a cancelar a viagem, e tiveram que ficar na cidade naquele final de semana.
E ao saber disto, a tia logo inventa de "organizar" a festa que esta queria, mas que não haveria se fosse só para um aniversariante.
Em vez de fazer tudo, pensar no cardápio, chamar as pessoas e confirmar a presença, etc, cedeu o salão e ofereceu para repartir o (custo do) bolo.
O trabalhão maior, de pensar no que fazer, de fazer as compras do que faltava, de ficar até tarde cozinhando, além de todas as outras coisas por fazer, preparando um almoço, sobrou justamente para quem não queria se ocupar disto desta vez. Sempre sobrava pra ela. Ninguém fazia por ela.
Mesmo assim, fez. Porque afinal, o marido era dela e a mãe também.
Ele reconhecia esta sobrecarga, concordava com esta percepção, não queria a festa, também queria viajar, não puderam.
Insistiu para ela dizer não e não.
Mas o segundo argumento era forte demais para ser perdoável pelo resto da família: sua mãe!
O problema é que a mãe era das duas, e o trabalho ficou para quem não tinha planejado isto, enquanto quem queria ficou com a parte "mais fácil": cobrar. Isto é combustível suficiente para um estopim, quando juntam tantos outros fatores externos e variáveis fora deste contexto.
Mas isto, este drama interno, só sente que o vive.
Para quem vê de fora, as pequenas e mínimas pontas aparentes escondem o bloco maior do iceberg submerso.
Titanic afundou assim... Batendo de frente, ou quase, com um iceberg: o gigante gelado que acorda e "explode" desencadeando eventos.
E por ignorar o perigo, todos afundam juntos.
Resta prosseguir com a festa, e cantar os parabéns...
Porque a superfície calma e turva esconde os monstros submarinos que habitam nosso mar interior.
Melhor é navegar em silêncio, para não provocar mais ainda os humores inflamáveis, como as velas do bolo.
E cantar seguro, que ajuda a espantar os males.
Então:
Parabéns pra você, nesta data, querida!
Feliz ano novo!
Todo dia é dia de celebrar, com ou sem festas.
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Sinto muito
"O sentido tem duplo significado:
o de ir e vir, à direita e à esquerda, positivo e negativo.
Os sentimentos das pessoas têm várias intensidades:
o senso do quão intenso é muito pessoal.
E sentimentos também têm duas vias:
o de dar e receber.
A gente diz que 'sente muito',
quando, no fundo, sentiu pouco!"
Mesdre
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Plenitude
"O pleno só se sabe quando se atingiu.
Daí já virou passado... deixou de ser.
O presente é sempre incompleto,
e o futuro, uma eterna busca."
Mesdre
Como sugere Steve Jobs*, tem certas coisas que só é possível avaliar e entender olhando-se para trás (backwards), jamais enquanto se vive e presencia. A vida é um imenso e complexo quebra-cabeça de altos e baixos, que só faz sentido se analisar o realizado; qualquer outra coisa que esteja acontecendo pode ser simplesmente uma peça que se encaixará futuramente!
Eu conhecia o texto (abaixo), atribuído a ele* próprio, mas eu pensei que a excelente mensagem pegava carona na fama dele*. Este vídeo, em duas partes, mostra a verdade!
Você tem que assistir, ele pode mudar a tua cabeça.
Legendado.
Steve Jobs - Discurso em Stanford (completo, legendado) 14:41
http://www.youtube.com/watch?v=66f2yP7ehDs
Bônus:
Eis o discurso, na íntegra.
It does worth to read.
* This is the text of the Commencement address by Steve Jobs*, CEO of Apple Computer and of Pixar Animation Studios, delivered on June 12, 2005.
"I am honored to be with you today at your commencement from one of the finest universities in the world. I never graduated from college. Truth be told, this is the closest I've ever gotten to a college graduation. Today I want to tell you three stories from my life. That's it. No big deal. Just three stories.
The first story is about connecting the dots.
I dropped out of Reed College after the first 6 months, but then stayed around as a drop-in for another 18 months or so before I really quit. So why did I drop out?
It started before I was born. My biological mother was a young, unwed college graduate student, and she decided to put me up for adoption. She felt very strongly that I should be adopted by college graduates, so everything was all set for me to be adopted at birth by a lawyer and his wife. Except that when I popped out they decided at the last minute that they really wanted a girl. So my parents, who were on a waiting list, got a call in the middle of the night asking: "We have an unexpected baby boy; do you want him?" They said: "Of course." My biological mother later found out that my mother had never graduated from college and that my father had never graduated from high school. She refused to sign the final adoption papers. She only relented a few months later when my parents promised that I would someday go to college.
And 17 years later I did go to college. But I naively chose a college that was almost as expensive as Stanford, and all of my working-class parents' savings were being spent on my college tuition. After six months, I couldn't see the value in it. I had no idea what I wanted to do with my life and no idea how college was going to help me figure it out. And here I was spending all of the money my parents had saved their entire life. So I decided to drop out and trust that it would all work out OK. It was pretty scary at the time, but looking back it was one of the best decisions I ever made. The minute I dropped out I could stop taking the required classes that didn't interest me, and begin dropping in on the ones that looked interesting.
It wasn't all romantic. I didn't have a dorm room, so I slept on the floor in friends' rooms, I returned coke bottles for the 5¢ deposits to buy food with, and I would walk the 7 miles across town every Sunday night to get one good meal a week at the Hare Krishna temple. I loved it. And much of what I stumbled into by following my curiosity and intuition turned out to be priceless later on. Let me give you one example:
Reed College at that time offered perhaps the best calligraphy instruction in the country. Throughout the campus every poster, every label on every drawer, was beautifully hand calligraphed. Because I had dropped out and didn't have to take the normal classes, I decided to take a calligraphy class to learn how to do this. I learned about serif and san serif typefaces, about varying the amount of space between different letter combinations, about what makes great typography great. It was beautiful, historical, artistically subtle in a way that science can't capture, and I found it fascinating.
None of this had even a hope of any practical application in my life. But ten years later, when we were designing the first Macintosh computer, it all came back to me. And we designed it all into the Mac. It was the first computer with beautiful typography. If I had never dropped in on that single course in college, the Mac would have never had multiple typefaces or proportionally spaced fonts. And since Windows just copied the Mac, its likely that no personal computer would have them. If I had never dropped out, I would have never dropped in on this calligraphy class, and personal computers might not have the wonderful typography that they do. Of course it was impossible to connect the dots looking forward when I was in college. But it was very, very clear looking backwards ten years later.
Again, you can't connect the dots looking forward; you can only connect them looking backwards. So you have to trust that the dots will somehow connect in your future. You have to trust in something - your gut, destiny, life, karma, whatever. This approach has never let me down, and it has made all the difference in my life.
My second story is about love and loss.
I was lucky - I found what I loved to do early in life. Woz and I started Apple in my parents garage when I was 20. We worked hard, and in 10 years Apple had grown from just the two of us in a garage into a $2 billion company with over 4000 employees. We had just released our finest creation - the Macintosh - a year earlier, and I had just turned 30. And then I got fired. How can you get fired from a company you started? Well, as Apple grew we hired someone who I thought was very talented to run the company with me, and for the first year or so things went well. But then our visions of the future began to diverge and eventually we had a falling out. When we did, our Board of Directors sided with him. So at 30 I was out. And very publicly out. What had been the focus of my entire adult life was gone, and it was devastating.
I really didn't know what to do for a few months. I felt that I had let the previous generation of entrepreneurs down - that I had dropped the baton as it was being passed to me. I met with David Packard and Bob Noyce and tried to apologize for screwing up so badly. I was a very public failure, and I even thought about running away from the valley. But something slowly began to dawn on me - I still loved what I did. The turn of events at Apple had not changed that one bit. I had been rejected, but I was still in love. And so I decided to start over.
I didn't see it then, but it turned out that getting fired from Apple was the best thing that could have ever happened to me. The heaviness of being successful was replaced by the lightness of being a beginner again, less sure about everything. It freed me to enter one of the most creative periods of my life.
During the next five years, I started a company named NeXT, another company named Pixar, and fell in love with an amazing woman who would become my wife. Pixar went on to create the worlds first computer animated feature film, Toy Story, and is now the most successful animation studio in the world. In a remarkable turn of events, Apple bought NeXT, I retuned to Apple, and the technology we developed at NeXT is at the heart of Apple's current renaissance. And Laurene and I have a wonderful family together.
I'm pretty sure none of this would have happened if I hadn't been fired from Apple. It was awful tasting medicine, but I guess the patient needed it. Sometimes life hits you in the head with a brick. Don't lose faith. I'm convinced that the only thing that kept me going was that I loved what I did. You've got to find what you love. And that is as true for your work as it is for your lovers. Your work is going to fill a large part of your life, and the only way to be truly satisfied is to do what you believe is great work. And the only way to do great work is to love what you do. If you haven't found it yet, keep looking. Don't settle. As with all matters of the heart, you'll know when you find it. And, like any great relationship, it just gets better and better as the years roll on. So keep looking until you find it. Don't settle.
My third story is about death.
When I was 17, I read a quote that went something like: "If you live each day as if it was your last, someday you'll most certainly be right." It made an impression on me, and since then, for the past 33 years, I have looked in the mirror every morning and asked myself: "If today were the last day of my life, would I want to do what I am about to do today?" And whenever the answer has been "No" for too many days in a row, I know I need to change something.
Remembering that I'll be dead soon is the most important tool I've ever encountered to help me make the big choices in life. Because almost everything - all external expectations, all pride, all fear of embarrassment or failure - these things just fall away in the face of death, leaving only what is truly important. Remembering that you are going to die is the best way I know to avoid the trap of thinking you have something to lose. You are already naked. There is no reason not to follow your heart.
About a year ago I was diagnosed with cancer. I had a scan at 7:30 in the morning, and it clearly showed a tumor on my pancreas. I didn't even know what a pancreas was. The doctors told me this was almost certainly a type of cancer that is incurable, and that I should expect to live no longer than three to six months. My doctor advised me to go home and get my affairs in order, which is doctor's code for prepare to die. It means to try to tell your kids everything you thought you'd have the next 10 years to tell them in just a few months. It means to make sure everything is buttoned up so that it will be as easy as possible for your family. It means to say your goodbyes.
I lived with that diagnosis all day. Later that evening I had a biopsy, where they stuck an endoscope down my throat, through my stomach and into my intestines, put a needle into my pancreas and got a few cells from the tumor. I was sedated, but my wife, who was there, told me that when they viewed the cells under a microscope the doctors started crying because it turned out to be a very rare form of pancreatic cancer that is curable with surgery. I had the surgery and I'm fine now.
This was the closest I've been to facing death, and I hope its the closest I get for a few more decades. Having lived through it, I can now say this to you with a bit more certainty than when death was a useful but purely intellectual concept:
No one wants to die. Even people who want to go to heaven don't want to die to get there. And yet death is the destination we all share. No one has ever escaped it. And that is as it should be, because Death is very likely the single best invention of Life. It is Life's change agent. It clears out the old to make way for the new. Right now the new is you, but someday not too long from now, you will gradually become the old and be cleared away. Sorry to be so dramatic, but it is quite true.
Your time is limited, so don't waste it living someone else's life. Don't be trapped by dogma - which is living with the results of other people's thinking. Don't let the noise of others' opinions drown out your own inner voice. And most important, have the courage to follow your heart and intuition. They somehow already know what you truly want to become. Everything else is secondary.
When I was young, there was an amazing publication called The Whole Earth Catalog, which was one of the bibles of my generation. It was created by a fellow named Stewart Brand not far from here in Menlo Park, and he brought it to life with his poetic touch. This was in the late 1960's, before personal computers and desktop publishing, so it was all made with typewriters, scissors, and polaroid cameras. It was sort of like Google in paperback form, 35 years before Google came along: it was idealistic, and overflowing with neat tools and great notions.
Stewart and his team put out several issues of The Whole Earth Catalog, and then when it had run its course, they put out a final issue. It was the mid-1970s, and I was your age. On the back cover of their final issue was a photograph of an early morning country road, the kind you might find yourself hitchhiking on if you were so adventurous. Beneath it were the words: "Stay Hungry. Stay Foolish." It was their farewell message as they signed off. Stay Hungry. Stay Foolish. And I have always wished that for myself. And now, as you graduate to begin anew, I wish that for you.
Stay Hungry. Stay Foolish.
Thank you all very much."
"Stay hungry. Stay foolish." =
"Esteja sempre ávido. Não seja totalmente lúcido."
domingo, 24 de julho de 2011
O I ?
Em meio a tantas confusões,
é muito simples trocar duas letrinhas
que se esbarram no teclado:
o "O" e o "I",
ficam lado a lado,
e você pode se confundir ao teclar
e tanto dizer "foque" quanto "fique":
foque onde quer ir, ou
fique onde já está...
É o I fechado e esprimido,
e o O amplo e aberto...
Extremos convivendo: yOng x yIng
uma tênue linha que separa um do outro,
e a gente transita de um lado a outro
conforme conveniências de momento.
É o vai-não-vai.
É chato?
Quem é chato?
eu que sou O chato?
ou é a letra I achatada?
ou "I" (de pé) ou "O" (deitado)?
Na confusão, você vem com seu O que eu entro com meu I
(assim parece que combina mais com o vai-e-vem hehehe)
Se vai, não fica.
Se fica, não foca.
Se nem foi, é pura fofoca.
E "milho que pula" é pipoca,
que em Tupi é "abati popoca".
(entupiu? com pipoca?? rsrs)
sábado, 16 de julho de 2011
yoga mental
"Para manter a serenidade
é preciso entender perfeitamente
quando a vontade não condiz com a realidade:
o desejo beira à mente
e a dúvida se confunde com a verdade."
Mesdre
quarta-feira, 13 de julho de 2011
sábado, 2 de julho de 2011
Dança cansa
É, tem uma hora que TUDO cansa!
Pra quem gosta, até dançar cansa!
Dançar muito, doem os pés, as pernas, o quadril, os braços...
E se dança errado, cansa mais ainda.
E quem não gosta de dançar, pode estar sujeito a outro tipo de "dança":
aquela que que se "dança" sem música, fora do compasso e a toda hora perde o passo...
É o popular jeito de dizer que se deu mal, que saiu perdendo, que foi pego no contra-pé, surpreendido quando não devia, etc...
É, até disto a gente cansa! De dançar o tempo todo, de um jeito ou de outro...
Até de comer e encher a pança, a gente se cansa!
Por mais gostosa que seja a comida, uma vez comida, tem que sair...
E essa coisa de come e caga, entra e sai, todo dia, sempre, não há fome que aguente! Cansa também!
Não há comida que chegue: mesmo saciada a fome, ela volta.
Não há cozinha e despensa que resista: tem sempre que ser reabastecida e bagunçada.
Fazer comida é uma arte! Cozinheiras/os são meio magos das panelas, alquimistas dos alimentos, feiticeiros do sabor.
Mas o fazer arte todo dia, mesmo que se invente para não ficar repetindo, exige criatividade.
E ser criativo a todo instante, ainda que seja um dom inato, acaba por cansar.
Ah, e os problemas?... Estes nos cansam muito mais ainda!
A gente teima, insiste, briga, resolve, contorna, disfarça, ignora...
E tem mais aparecendo, sempre surgindo, novos ou velhos zumbis, a atormentar...
Mesmo as coisas que a gente escolhe, quer muito, e acabam acontecendo...
Profissão, filhos, casamento, família, amigos, lazer...
Porque tem também a rotina, falta de novidades, até novidades demais...
O problema não são os problemas, nem a vida, nem os outros...
Porque tudo isto foi feito para enfrentarmos!
O cerne da questão é com a gente mesmo, nós próprios, o eu de cada um!
Uma hora, a bateria arria! A vida consome.
Se não cuidamos de recarregar, reavaliar, reponderar, reequilibrar, recalibar, rebalancear as coisas em geral, nossas coisas, a nossa vida e tudo que nos cerca, acabamos pode nos deixar envolver, e ser sucumbidos pelos tsunamis de problemas e maus pensamentos.
Porque é sempre mais fácil ceder...
É sempre mais fácil reclamar, esbravejar e colocar a culpa nos outros...
Haveria culpados? Seria tudo sem solução? Tudo acabado?
Prefiro pensar que é só uma questão de reconsideração da situação.
Que seja possível retomar fôlego, de alguma maneira, e rever e revisar as atitudes e possibilidades.
Porque limitações sempre existirão. As próprias e as externas.
E por que amaldiçoar o limão azedo, e não fazer dele uma doce e refrescante limonada?
"Se cansou, descansa!
Recomeçar sempre vale a pena!
Desistir não deve ser uma opção."
Mesdre
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Congelante x Ardente
"Não há inverno no inferno.
Como também não há olhar gélido
que apague a chama da vida que arde na alma!"
Mesdre
Bônus:
Sabe qual a diferença entre Inverno e Inferno, para um alemão?
Confira em:
Graças ao Alemão (1)
http://famainfame.blogspot.com/2009/03/gracas-ao-alemao-1.html
domingo, 19 de junho de 2011
Curriculum Vitae na linha do Tempo
"Depois de uma certa idade e anos de experiência,
você não 'vende' mais potencial,
apenas história e vivência,
o que pode ser muito significativo e respeitável,
mas não é muito valorizado pelo mercado de trabalho."
Mesdre
sábado, 11 de junho de 2011
Conjugar com ardor o verbo amar
Amor e Dor, além de palavras que rimam, são sentimentos muito pessoais e individuais.
A gente pode ter apenas uma noção e fazer idéia da dor que a outra pessoa está sentindo, a julgar pela nossa própria experiência da dor. Mas a sua intensidade e o sofrimento que a dor lhe causa, isto não é compartilhado. E não pode ser medido de forma isenta e precisa...
Cada um sente e suporta a dor de modo diferente, com graus de tolerância que dependem muito da situação momentânea do indivíduo.
E a dor pode ser física e real, ou emocional e imaginária. E dói do mesmo jeito...
Por isto, os médicos precisam ficar atentos a como os pacientes descrevem sua dor, que precisam dar o máximo de detalhes para tentar transmitir aquilo que estão sentindo. Porque por melhor que seja o ouvinte, este não sente a dor do outro que está à sua frente.
Isto também explica por que os psicopatas, sádicos e torturadores não se sensibilizam com a aflição de suas vítimas: eles não sentem com/por elas.
Assim também se dá com o amor.
Não é possível dizer o quanto você ama. Não importa o quanto exprima, nem de que maneiras, o ser amado nunca entenderá sua dimensão, pois este está vivenciando seu próprio amor, e apenas com base neste terá idéia do que o outro procura demonstrar.
Ou não. Seja porque este não quer ou não consegue demonstrar, seja porque aquele tem seu entendimento distorcido pelo torpor do amor que pensa que sente (ou não).
Portanto, é complicado julgar o amor recebido... Só se pode quantificar o amor dado... E isto não quer dizer valorizar... Nem por um, nem pelo outro lado.
E a dor do amor não correspondido, ou de um amor perdido ou terminado, dói sempre! E para quase todo mundo, demora para ser absorvido ou atenuado pelo tempo.... Ou substituído por outro(s).
O poeta vive ambos: o amor e a dor do não-amor, e conjuga os dois, com rimas. Arte, música, poemas e versos que tocam o universo de muitas pessoas, porque estas "sentem" muito parecido dentro de suas limitações.
E quando se diz do amor, há que se distinguir a confusão que se faz, todos nós, entre os vários tipos de "amor".
Enquanto nas línguas latinas e anglo-germânicas usa-se sempre a mesma palavra, em grego se diferencia claramente que tipo de amor se fala ao escolher a palavra que o materializa:
Eros - é o amor erótico, carnal, sexual, físico, entre homem e mulher, o amor romântico, dos apaixonados.
Filia - é o amor fraterno, amizade, apreço, respeito, entre país e filhos, entre irmãos e pessoas, empatia, coleguismo, dos companheiros.
Ágape - é o amor sublime, superior, divino, etéreo, acima das necessidades humanas, entre seres humanos e deuses, e vice-versa, é a devoção sem recompensa, a entrega sem restrição.
Aqui, talvez por conveniência, inocência ou malícia, mesclamos o sentido e a intenção ao nos referirmos ao que sentimos e a sua intensidade.
Ora falamos de um, e é entendido outro; ora nos é dito sobre aquele, e pensamos noutro...
Não bastasse a individualidade do próprio sentimento, ainda há ruídos na comunicação e interferência da interpretação.
Cônjuge é a contra-parte de uma união, num relacionamento a dois. Quem se ama, a quem se devota, com quem partilhamos uma vivência, uma existência e caminhos. Ao mesmo tempo: Eros, Filia e Ágape. Mas isto na opinião e na medida de cada um.
Cônjuges conjugam por algum tempo o verbo amar, em sintonia. Mas não deixam de julgar, sempre: em francês, julgar é juger... A gente julga = on juge = (c)ônjuge.
Relacionar-se poderia ser descomplicado, mas não é. Exige sacrifícios.
Amar deveria ser fácil, mas não é. Implica em dor: antes e depois.
"Ame sempre com ardor, esconjure a dor, não julgue, conjugue a palavra amor em todos os seus significados, com todos os seus sentidos!"
Mesdre
Especialmente neste Dia dos Namorados,
Quem estiver desacompanhado ou sentir-se só, enamore-se da vida, pois esta te acompanhará até a morte (e boa sorte!);
Quem tiver com quem compartilhar o calor do corpo e/ou da palavra, aproveite muito, bastante, porque este ensejo de amor é o lampejo de vida, desejo que faz esquecer o latejo da dor.
Bônus:
Mora na filosofia: pra que rimar amor e dor?
Adorando filosofar entre dores, favores e amores
Filosofia x Sexo