sábado, 10 de abril de 2010

Desbravadores Admiráveis (1)


Desbravadores Admiráveis


A história da descoberta e conquista do Novo Mundo é muitas vezes mal contada. Sabe-se muito mais das versões (história oficial) do que dos factos (verdadeiros).

Nos tempos atuais, com aviões, internet, comunicação por satélites e "gugolmépis" (= google maps), o mundo parece pequeno e compreensivo, amplamente detalhado nas dimensões, contornos, relevo, clima e vegetação.

Mas no início do Século XVI (entre 1500 e 1600) os cantos do planeta eram desconhecidos e iam sendo mapeados à medida que a Terra ia sendo explorada, e conforme a visão e relatos de poucos homens.

De resto, a fantasia e o imaginário desenhavam o contorno e ambiente dos novos continentes em que se aventurava.

Ainda hoje existem lugares inexplorados ou pouco conhecidos. Mas antes, tudo era novo nas Américas, para os europeus. Muitos vinham em busca de riquezas sem fim, na esperança de encontrar o paraíso dos prazeres.


E quando cá chegavam, davam de encontro com matas e clima pouco hospitaleiros, culturas diversas e muitas vezes incompreensíveis e incompreendidas, e retrucavam com a violência e truculência que sabiam ou com a ganância do poder que os guiavam.

Deixando as motivações e razões à parte, alguns buscaram aqui um mundo realmente novo para abraçar, viver e morrer. E poucos foram os que ousaram e conseguiram êxito.

Estes sobreviventes exploradores eram bravos, nos dois sentidos da palavra:
- pela bravura e valor, com se lançavam nas aventuras mais improváveis e cheias de riscos, e
- pela rudeza e sisudez, com que enfrentavam as imprevisíveis adversidades por que passavam.

Estes foram os pioneiros, os bandeirantes, os exploradores, os bravos desbravadores.

E dentre esses bravos desbravadores, há um cuja história e aventura me impressiona muito. Admiro Álvar Nuñez Cabeza de Vaca.

Irei fazer um resumo de sua impressionante aventura nos próximos posts. Quem gostar e quiser ir mais a fundo nos detalhes e ter sua própria opinião, há dois livros editados em português que dão uma boa e ampla visão, além de um filme mexicano antigo (1991) que encena seu primeiro contato nas Américas:
- Naufrágios e Comentários, da série Os Conquistadores, Editora LP&M, 1987, do livro do próprio Álvar Nuñez e tradução de Jurandir Soares dos Santos.
- Cabeza de Vaca, da Editora Companhia das Letras, 2009, de Paulo Markun

[ ... Continua ... ]

domingo, 21 de março de 2010

Mudança na Lei do Silêncio

Resumindo:

1) Na cidade de São Paulo havia uma lei que determinava que depois das 22:00 h a emissão de sons deve ser reduzida (abaixo de tantos decibéis), o que na prática quer dizer calma e silêncio, ou moderação com os barulhos.

2) Depois aprovaram uma lei que bares e lugares potencialmente barulhentos devem ser fechados à 1:00 h, sob pena de ser multado ou ter a licença de funcionamento cassada - o que, convenhamos, chega a ser injusto para os estabelecimentos e os clientes dispostos que queiram se divertir ordeira e civilizadamente, desde que respeitem aqueles nas proximidades que queiram repousar.

3) Agora, entrou em vigor uma alteração desta lei, em que os incomodados pela baderna alheia não podem mais denunciar anonimamente um local que esteja infringindo a lei para que a fiscalização venha apurar e se for o caso, tomar as devidas providências. Agora, o cidadão decente/reclamante deve se expor ao ofensor: a chamada deve ser identificada, os fiscais terão que fazer a medição a partir do local do reclamante (e não do local suspeito), com a presença do dono do estabelecimento acusado...

4) Veja mais detalhes, se quiser, em Nova lei do silêncio em São Paulo "cala" denunciante ou em O que muda no PSIU = Programa de SIlêncio Urbano


Opinião:

Ou seja, "os incomodados que se retirem!" (de suas próprias residências, porque não querem zelar pela sua integridade.

Parece que ficou bem isto agora: os prejudicados mais próximos da baderna não podem mais ser representados por alguém na vizinhança que tome a iniciativa, porque passa a haver uma enorme possibilidade de que os níveis de ruído na casa de quem telefona não ser tão significativos quanto a todos os demais moradores ao redor do pardieiro, e daí nada ser feito para parar a balbúrdia...

Para os fiscais, nada a fazer, agora podem descansar: não são mais obrigados a inspeção prévia e monitoração da ordem e paz, só atuam em caso de denúncia, e só comparecem para fazer as devidas medições se parte ofendida e ofensora estiverem presentes e for permitida a entrada de todos na residência de onde partiu a reclamação (isto não seria invasão de privacidade?? e sem amparo advocatício??), e em nada constando ali, nenhuma autuação será emitida.

Para o dono acusado (se estiver presente para comparecer na casa do para o valente que ousar o incomodante), representa uma grande possibilidade de prosseguir ileso e impune com suas atividades, pois se não houver denúncias e nem condições legais de comprovação, não há crime. Simples assim.

Quanto aos moradores que contam com o silêncio...

Isto é uma INTIMIDAÇÂO à boa conduta e à civilidade social em prol da população.

É um convite à bagunça e à anarquia, privando os justos e trabalhadores e pessoas de bem (muitos idosos e crianças com ouvidos sensíveis e sono difícil e precisando ter tranqüilidade para dormir) que buscam o descanso de direito no silêncio.

Porque a "acareação" que se impõe na denúncia e na verificação da infração coloca em risco a vida e o sossego de quem reclama a paz, que, receoso, irá preferir o "mal menor" e deixar aqueles (ir)responsáveis pela diversão e lucro próprio impunes e ainda mais motivados aos excessos.

É INACEITÁVEL que se legisle sem pensar no bem geral da população. Gostaria que se fizesse um levantamento de quantos destes que promoveram e aprovaram a mudança na lei do silêncio (para pior) têm envolvimentos e interesses a ganhar com isto (por exemplo, se são fornecedores ou investidores, proprietários ou parentes de donos desses lugares barulhentos ou de outros negócios que se sintam "prejudicados").

Pois é possível se divertir à noite até tarde, sem exageros e sem perturbar a vizinhança e o cidadão comum.

Isto não é uma mudança: é uma LAMBANÇA!

Um verdadeiro ABSURDO!

Espero, sinceramente, que não vingue.

Senão o medo de vingança, ameaças, discriminação (por causa desta descriminação), perseguição e retaliação prevalecerá no lado dos mais impotentes, e a favor dos poderosos protegidos agora pela lei.

Que o bom senso tome a consciência de todos para melhorar a lei para o cidadão normal, e não o contrário.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Programa de INDY em SP


Velocidade nas ruas de SP? (2)

(vista pra pista, churrascaria ao fundo)

Já que o assunto é velocidade (veja Velocidade nas ruas de SP?), as coisas parecem acontecer rapidamente e notícias aparecem. Então, vamos atualizar as novidades para o "Programa de INDYo" que ocorrerá na cidade de São Paulo já neste final de semana que se aproxima.

Em primeiro lugar, quero corrigir e complementar umas informações.

- Serão 22 carros alinhados no grid de largada (e não 33, como podem correr na F-Indy) para as 75 voltas (totalizando 313,5 km). Destes 22, SETE são pilotos brasileiros, e há pilotos-mulheres entre eles.

- O trecho onde está sendo montado o circo, ops, o circuito será interditado para os treinos e corrida desde 6a-feira às 22 horas até às 5 horas de 2a-feira.

- No lado da Marginal do Tietê, o circuito utilizará apenas a parte interna da via, também chamada de pista local. Não sei o que acontecerá com a pista expressa (que fica ao lado do rio), se também será interditada no final de semana enquanto durar o show, ou se estará liberada para tráfego parcial do fluxo inevitável na região, enquanto correm os outros carros da velocidade.

- A Prefeitura de São Paulo firmou um contrato de CINCO anos com a entidade organizadora da F-Indy, para repetir esta loucura outras vezes.

O jornal A Folha de S.Paulo trouxe essas informações e também um diagrama que mosta o desenho do circuito improvisado e o esquema da interdição das ruas e avenidas no entorno. O site http://www.saopauloindy300.com.br/ traz detalhes do evento, do circuito e da programação. Veja também mais informações e melhores gráficos no jornal online: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u705549.shtml e http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u705321.shtml

(publicado no jornal A Folha de S.Paulo)

Como mostra o mapinha, o circuito "toma" duas vias "paralelas" que são muito usadas como alternativas de desvio de tráfego nos horários de pico com o trânsito congestionado. Se a Marginal ficar "travada" neste trecho, os motoristas ficam sem alternativas neste sentido (em direção à zona oeste). Pois não dá para sair à esquerda porque tem um rio ali de fora a fora... E para contornar "por dentro", o evento está "ocupando" as alternativas possíveis e práticas naquele pedaço.

( Anhembi, Sambódromo e Rio Tietê, Marginal parada ao lado)

É comum em todo final de semana que centenas milhares (senão milhões) de paulistanos deixem a cidade na 6a-feira no final do expediente rumo à praia, ao interor do Estado (ou apenas voltando para suas cidades de origem após uma semana de trabalho), e que somente retornem no domingo de tarde, noite ou mesmo na 2a-feira bem cedo. E muitos deles se utilizam da Marginal do Tietê nesse trajeto. Imagina o tumulto que o evento da Fórmula Indy vai provocar nessa rotina já usualmente tumultuada: os maiores congestionamentos ocorrem geralmente nas 6as-feiras na hora do rush do final da tarde, muito em função dessa "fuga e retorno". E São Paulo tem tanta gente, tanta gente, que mesmo esse mundaréu de gente saindo da cidade, ela ainda permanece cheia (de gente e de veículos)! São Paulo não pára, nem nos fins-de-semana.

Então, imagina o que a televisão irá transmitir (será que terão coragem de mostrar o contraste?) quando durante a corrida os carros da Indy rasgarem o retão da pista local da Marginal, enquanto uma fila interminável de carros, ônibus e caminhões desfilarem parados na pista "expressa" da mesma Marginal. Sinceramente não sei se é para rir ou para chorar... Se for "pra inglês ver", será uma curiosidade cômica; se for pro paulistano constatar, será mais uma desesperadora tragédia urbana.

(Marginal do Tietê no sentido da Zona Leste)

(Marginal do Tietê no sentido da Zona Oeste)

As chuvas, apesar de ter havido uma trégua e chovido menos, com dias até secos e quentes, justamente por causa disto são uma ameaça iminente. Quando desabam, são torrenciais. E quando duram muito ou chove grande quantidade de água num curto espaço de tempo, o risco de enchentes e de diversos pontos de alagamento é muito provável. E o Rio Tietê ali do lado é forte candidato a transbordamento! Não quero nem pensar neste possível "espetáculo"!...

(ameaça de pancadas chuva é uma realidade neste período)

Pensemos na pista. Um lado da avenida toda com recapeamento asfáltico novo. O outro lado da mesma avenida, "velho" como estava antes.

(lado "pobre" da avenida, permanece como antes)

(lado "rico" da avenida, em prepração)

Dos dois lados da avenida, os radares continuam lá, operacionáis, onde a velocidade máxima permitida é 70 km/h, detectando, fotografando e distribuindo multas. Mas tenho a impressão que isto só se aplica a meros e réles motoristas mortais... Os ícones e bastiões da velocidade certamente passarão incólumes e isentos, apesar dos salários milionários e dolários.

(placa avisando do radar no lado "pobre" da pista)

(semáforo e placa avisando do radar no lado "rico" da pista)

Para quem questionar, a Prefeitura e a C.E.T. apresentarão todos os documentos, planos e laudos demonstrando a segurança e organização do evento, claro. Tudo "aceitável" do ponto de vista jurídico e oficial. Mas estes "responsáveis" não estarão em seus carros enfrentando o caos que estabelecerão com tanta determinação e eficiência. Faixas pelas ruas nas proximidades alertam aos motoristas sobre o evento e aconselham a evitar o local (mas não orientam as alternativas para quem precisar passar por ali).

(faixas avisando do evento e das interdições)

O planejamento da gestão do trânsito nas imediações parece sob contole. Mas há evidências de um dessincronismo geral. Nesta semana, a própria C.E.T. anunciou o bloqueio na Marginal, um pouco mais à frente do setor do Anhembi (onde está o Sambódromo, onde será a Sao Paulo Indy 300), para obras no complexo que dá acesso à Rodovia Anhangüera. Este projeto já está em curso há muitos mêses (muito antes de se anunciar a "corrida de rua"), e é sabido que esta interdição parcial trará reflexos de congestionamento que se alongará facilmente pela Marginal até encontrar com o trânsito tumultuado no Anhembi, aumentando ainda mais a lentidão para quem precisa enfrentar o trajeto por falta de opção (entenda: muita gente mesmo). Como é possível que a Prefeitura nem tenha considerado isto, na hora de fechar o contrato?

Por fim, vale lembrar que a cidade de Ribeirão Preto era forte candidata a sediar este grande evento automobilístico de rua, e que vinha negociando o contrato de longa data. Para surpresa de muita gente, de repente, e com todos os problemas e impactos urbanos e na população geral que vai causar, a Prefeitura de São Paulo anuncia e promove o evento milionário e caríssimo numa cidade e local quase inviável... Não consigo nem calcular quanta grana pode ter rolado nesta decisão, e nem como esse dinheiro não transparente esteja contido nos bolsos e cofres dos envolvidos... (saiu publicado no jornal desta 6a-feira que o custo deste traçado já supera em 8 MILHÕES de Reais os R$ 12 mi previstos no anúncio da empreitada... É, toda eficiência pública ou em obras tem seu preço.)

A nós, povo, cabe o consolo da diversão proporcionada pelo CIRCuitO de corrida, e torcer para presenciarmos e vermos (de preferência pela TV) um belo espetáculo sem acidentes (embora tenha gente que só assista por causa deles). O vídeo da volta simulada pelo traçado é bem interessante e dá uma noção de como será o que não existe: Tour virtual pelo Sao Paulo Indy 300.


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Bonus cômicus I :

A Sao Paulo Indy 300 serão 300 milhas ou quilômetros?
Milhas??!? Programa de Milhagem?
Ora, aqui é São Paulo, BRASIL:
Aqui não somos MILHionArios...
Aqut está mais pra QUILOMETRalhadOras...


Bônus cômicus II e III :

Não confunda
"grid de largada"
com
"grito de lagarta".


Não confunda
"combustível"
com
"cu~bostível".

(argh! estas deveriam estar no Fama inFame!...)

sexta-feira, 5 de março de 2010

Velocidade nas ruas de SP?


Eu gosto muito de Fórmula Um, de assistir carros de corrida tipo monoposto, desde meus 10 anos. Já optei de ficar de "castigo" durante final de semana em casa para ver corridas na TV. Hoje em dia não sou mais assim, mas sempre que posso, assisto ou ouço a transmissão ao vivo pelo rádio, senão depois o videotape ou gravação.

A Fórmula Indy lembra bastante a F1, mas são diferentes nas regras, estilo e características. Mas também é interessante... do seu jeito. O Brasil possui bons pilotos nas duas categorias.

Há vários anos São Paulo cedia a F1 no Autódromo de Interlagos, a Prefeitura tem contrato com a FIA (Federação Internacional de Automobilismo), que achava que tinha exclusividade desse tipo de evento na cidade.

No fim do ano passado, de repente, a Fórmula Indy anuncia, para surpresa de quase todos, a abertura da temporada de 2010 no GP do Brasil, nas ruas de São Paulo, dia 14 de Março.

Com tantas cidades em melhores condições pelo Brasil, por que a F-Indy foi escolher logo São Paulo? E por que em tão pouco tempo para organizar um evento deste porte e que exige muitas questões de segurança? E pelas RUAS de SP?? E justo nesta época?... "ô, louco, meu!"

Isto deixou uma mancha de mágoa na FIA, parecendo uma "traição" da Prefeitura de São Paulo. Além de ter que dividir o "appeal" do nome da cidade e as atenções para DOIS eventos de corrida, a data de "estréia" da temporada da F-Indy em São Paulo (coisa inédita), coincide com a primeira prova da F1 de 2010, o Grand Prix de Bahrein.

O que mais surpreende é a irresponsabilidade da Prefeitura de S.Paulo de autorizar (e construir!) um circuito de rua na cidade, com todos os problemas de trânsito cotidiano que enfrentamos. Decidiu fazer isto na região do sambódromo, para justamente aproveitar as arquibancadas existentes.

Para isto a passarela das Escolas de Samba virou pista. Cercas de proteção com alambrados e guard-rails estão sendo levantados de improviso nas laterais das ruas e avenidas circundantes, desenhando assim um circuito nunca antes existente.

A imensa reta dessa pista será boa parte da Marginal do Tietê, importante via de circulação urbana e intermunicipal, que quando pára gera inúmeros transtornos para os que transitam nela ou nas proximidades e que sofrem os reflexos dos problemas que nela ocorrem.

Isto se a Prefeitura não tivesse inventado de fazer uma grandiosa obra na Marginal quase inteira (ver post Parado em trânsito (4/5) - Alternativas) há alguns meses, e que ainda está em curso, inclusive com interdição parcial em várias pontes que a cruzam naquela região! Ou seja, como se não bastasse a confusão que a Prefeitura já introduziu desde o ano passado, mesmo com a intenção de melhorar o trânsito depois, e que ainda em obras, ela irresponsavelmente trouxe para este cenário mais uma complicação.

Sim, porque para os caríssimos carros velozes e de alta tecnologia passarem por ali, todo o asfalto precisa ser refeito (ah, pelo menos este benefício o paulistano poderá herdar quando a farra acabar ali), o que implica interromper agora o trânsito já difícil enquanto durar a obra. E mesmo que trabalhem rápido e durante a noite para terminarem o quanto antes, todo o trânsito da região será bloqueado para que se possam realizar os treinos (a partir da 4a-feira) e a prova (no domingo).

Todo o fluxo de veículos em São Paulo será afetado nesses dias! Sem falar que o Terminal Rodoviário do Tietê é ali quase ao lado, para onde vão os ônibus (= autocarros) que chegam em SP e de onde partem os ônibus para quase todo o país! Certamente terão seus horários comprometidos e exigirão muita paciência e calma por parte dos passageiros e dos que os esperam (aqui ou lá).

O que pretendem estes atuais administradores da cidade? Com estas obras e contratos televisivos pro mundo inteiro, arrecadar mundos e fundos para os cofres públicos de seus bolsos privados? Ou crer que com elas conseguirão arrebanhar votos nas eleições que se aproximam?

Esta corrida, usando uma força de expressão comum, será "pra inglês ver"... Ver que bonito é o Sambódromo de SP, palco da corrida, e o que ele representa nos clipes reciclados sobre os carnavais que por ali rolaram e a serem exibidos pouco antes da transmissão da F-Indy. Ver a capacidade de organização e de superação das dificuldades de se promover um tão belíssimo evento em tão exíguo prazo. E NÃO ver o trânsito caótico que esta estripulia causou. E NÃO ver o desespero do paulistano (que não ficou em casa para ver pela televisão o programa que todo "inglês" verá) dentro dos veículos parados, tentando ganhar a vida no seu ir-e-vir prejudicado.

E, pra piorar a situação, Março tipicamente é um mês de chuvas ("... são as águas de Março fechando o verão", conforme lembra a música de Tom Jobim). Neste ano, as chuvas foram cruéis, intensas e volumosas, durante Dezembro, Janeiro e Fevereiro, provocando inundações e pontos de alagamentos como há muito não se via. Com céu que deságua em SP, o Rio Tietê costuma transbordar e parar a Marginal (por onde os pilotos deverão passar).

Portanto, não há razões para crer que em Março não chova assim também. Os paulistanos já viram bastante água (embora nem queiram ver mais), mas será que irão mostrar isto do lado de fora do circuito nos dias da corrida? E se chover nos dias dos treinos e da prova, será que cancelarão a corrida e não transmitirão o fiasco ao mundo?

Bem, eu torço por bom tempo e um espetáculo sem incidentes e nem acidentes.

Mas o que eu queria ver mesmo são os radares fotografarem e multarem os carros a mais de 60 ou 70 km/h como fazem conosco quando passamos por aquela mesma "pista". Faça as contas: 2 radares por volta, vezes os 33 carros, vezes o número de voltas que cada carro dará, vezes os dias do evento... Se todas as multas forem aplicadas, todo o investimento feito pela Prefeitura será ressarcido logo após os primeiros treinos, o resto é puro lucro. (rsrs)


Colocando certcas de proteção no que será pista:



Interditando as ruas/avenidas para obras:



Preparando mais arquibancadas:



Vista parcial do Sambódromo na Marginal do Tietê:




Piada popular:
"Não é Petrobrás, (cia. de Petróleo do governo)
Nem é Eletrobrás; (cia. de Eletricidade do governo)
É Emobrás! (cheia de placas 'em obras', desgoverno!)"

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Amor de Carnaval


A canção "A Noite dos Mascarados" de Chico Buarque (veja Quem é você que eu quero?), fala de "amores de carnaval". Quem é daquela época que a música foi lançada, sabe do que está se falando na letra.

Era algo como os "amores de férias de verão", tema de muitos filmes. Aliás, aquele encontro de mascarados já foi inspiração para o romance entre Romeu e Julieta (de William Shakespeare). E também tema para Arlequim, Pierrô e Colombina, inspiração para uma das marchinhas de carnaval mais famosas: Máscara Negra.


Mas um comentário contemporâneo é bem do tipo: "Poxa, nos meus tantos anos de vida nunca vi o Carnaval assim. Bom, ainda bem que deixei o samba e a animação entrar, porque assim o amor de carnaval nem fez tanta falta. Mas é bom? Nunca saberei, tive medo."

CARNAVAIS, SEXO E FANTASIA

Primeiro, precisamos ver que há vários Carnavais, e não de um só tipo. O carnaval de Porto Rico é diferente do de Veneza, que nem se parece com o do Brasil. Mesmo aqui, o carnaval dos desfiles de escolas de samba com suas baterias e carros alegóricos, é diferente daquele dos frevos e axés pelas ruas, atrás dos trios elétricos, que por sua vez difere daqueles de bailes no salão (veja um panorama atual interessante em Festa de Carnaval).

Até há algum tempo atrás (talvez muito antes dos seus tantos recentes anos de carnavais memoráveis), ainda nas décadas de 60 e 70, os bailes de carnaval e blocos populares de rua, onde todos iam, escolher e usar uma fantasia era motivo de alegria e pretexto para "brincar o carnaval". Pulava-se e andava-se pelo salão inteiro... Havia concursos para eleger a melhor fantasia, o melhor folião/foliã mais animado (=com maior pique)... Havia até matinês, para as crianças de todas as idades!

A fantasia incluia pintura no rosto ou máscaras, para que (o folião ou a foliã ou ambos) pudessem se divertir sem receio de serem reconhecidos ou censurados por isto mais tarde, depois do carnaval. No caso dos adultos, é claro; as crianças só imitavam as fantasias.

E, escudados pelo anonimato ou disfarce, alguns extrapolavam os limites de um ano inteiro. Assim justificavam seus atos ousados, com a desculpa que as liberalidades (e libertinagem) durante o carnaval seriam queimadas (perdoadas ou esquecidas) junto com as fantasias na Quarta-feira de Cinzas (donde vem o nome).

Daí, Carnaval virou sinônimo de "vale-tudo", em que todos os seus desejos reprimidos poderiam vir à tona em 4 dias de festa, música e dança: bebedeira (álcool), lança-perfume (drogas), infidelidade (beijos, abraços, sexo), farra (molecagem, atrevimento, contravenção)...

Era muito mais ousado logo que começou a liberação da censura, depois de anos de repressão. Nos anos 80, a liberação sexual da sociedade deu largos passos. Assuntos tabus já não eram mais, as TVs, revistas e jornais passaram a mostram mais do que o habitual (closes em bundas, seios desnudos, malhos, sarros e até sexo explícito pelos cantos dos salões e camarotes, durante as madrugadas de carnaval)...

Depois ficou um tanto apelatvo, e chegando aos alardes o fantasma da AIDS (ou SIDA), de mãos dadas com a Morte, levando rapidamente consigo ícones "inatingíveis" e admiráveis, lembrou a humanidade e fragilidade de todos, e refreiou um tanto os ânimos, a anarquia e a depravação generalizada.

Assim, o que aconteceu é que a exposição à mídia foi se tornando menos "novidade" e naturamente menos abusado e mais comedido (pelo menos no que se mostra na TV, nas revistas e nos jornais - não quer dizer que as pessoas tenham se tornado menos abusadas).

Mas o estrago já estava feito: o conceito do Carnaval mudou, e sua percepção também. E o impulso sexual deixou de ser reprimido, só passou a ser contido.

Aos olhos do mundo (e principalmente do turista estrangeiro), o carnaval brasileiro agora é sinônimo de bunda sambando, pouca roupa e muito sexo.

Para os brasileiros que sabem que não é bem assim, o carnaval atual é sinônimo de espetáculo carregado de interesses cormerciais, um "show business" de entretenimento e lucros.

Ou senão, uma data que pode representar um feriado prolongado (de 5 dias ou uma semana inteira), período de férias coletivas, que a maioria das pessoas espera para poder viajar e/ou descansar. Estes não pulam nem brincam carnaval; talvez alguns, fazendo turismo doméstico, resolvam experimentar e conhecer a modalidade regional, diferente do que estejam acostumados onde vivem.

Já os que participam da festa, as fantasias de hoje são uniformes, parte da coreografia visual de um desfile quase organizado, ou são ingresso que assegura o direito de se juntar a um grupo para passar a noite ouvindo música alta, sacudir bastante, arrastar os pés entre um pisão e outro no meio daquela seleta multidão entre vários empurrões, beber um tantão e tentar beijar outro tanto, se tiver sorte.

Mulheres casavam para sair da casa dos pais, ou porque queriam filhos, ou sonhavam "brincar de casinha" de verdade (eram educadas para o casamento). Homens casavam para terem um lar, ou esposa dedicada, ou descendentes. O sexo consentido socialmente, só depois do casamento. Até lá, as pessoas namoravam. Quem quisesse sexo antes, ou era clandestino e era raro, ou para isto existiam as zonas e bordéis (alguns, mesmo casados continuavam a freqüentar).

Mas esse conceito mudou. Tanto que a garotada e jovens de hoje não namoram mais: eles "ficam". Educação sexual é ensinada nas escolas fundamentais, e camisinhas-de-vênus (=preservativos) são distribuidas gratuitamente em campanhas oficiais ou vendidas nas prateleiras das farmácias como se fosse balas ou nas máquinas automáticas nos corredores do metrô ou banheiros públicos.

Enfim, nos tempos atuais, as pessoas transam a naturalidade como quem sai para ir ao cinema. Os pais preferem e até incentivam que os filhos tragam as namoradinhas para casa (e vice-versa) e "autorizam" ficarem juntos: melhor sob seus tetos e sabendo quem onde estão e quem são, do que os riscos dos tempos atais (Doenças Sexualmente Transmissíveis, drogas, seqüestros, brigas, acidentes de trânsito, prisão, assaltos e morte - não necessariamente nessa ordem).

Com tanta facilidade, ninguém mais tem que "esperar" o carnaval chegar para transar loucamente. Aliás, transar com desconhecidos é potencialmente perigoso!

Com isto tudo, as máscaras foram caindo e as fantasias foram sendo incorporadas ao longo de todo o ano, e não só no carnaval.

O Carnaval se especializou e diluiu de intensidade e da mística histórica, seguindo seu passo de evolução.

ORIGENS

Aliás o conceito de carnaval vem mudando sempre e se adaptando ao longo da história, desde sua origem.

A origem da palavra "carnaval", possivelmente vem do latim medieval "carnem levare" (=levar a carne embora). Dizem que o Carnaval é hoje uma tradicional festa universal dos países católicos: geralmente se iniciava no Dia de Reis (Epifania, 6 de janeiro) e terminava às véspera dos jejuns da Quaresma (na Quarta-feira de Cinzas. Para muitos católicos praticantes, Quaresma significa que você não comerá carne até a Páscoa... Nos tempos da Europa Medieval, não havia geladeira, e com a chegada da Primavera e depois o Verão quente, antes da Quaresma era tempo de dar "Adeus à Carne", tempo do "carne evalle", nas datas que conhecemos como Carnaval, de domingo até terça-feira, carne de tudo o que é tipo acompanhada de toda sorte de bebidas, e como, mesmo a nobreza não comeria a tal da carne e para evitar desperdício, ninguém trabalhava nem na segunda nem na terça! Todo mundo enchendo a cara de carne (e de bebida)!

O Carnaval não deixa de ter sua origem pagã também, ainda que propagado pela própria Igreja Católica com toda propriedade de sua fé. Os antepassados dos camponeses europeus medievais, antes da imposição da religião católica, adoravam outros deuses e tinham outros costumes, que a Igreja inteligentemente se apropriou das datas existentes com sincretismo e conseguindo conversões mais facilmente.

Dizem que o Carnaval teve origem nos bacanais da Roma Antiga. Eram festas Saturninas, 5 dias em homenagem a Saturno (deus greco-romano), em que os senhores agraciavam seus melhores servos, servindo-os. Essa troca de papéis, voluntária e concedida, teria dado origem às fantasias e máscaras (para não revelar quem era quem), ao período e duração, juntando-se à prática de orgias romanas em algumas famílias e políticos. Pelo menos essa foi a outra variante que ouvi sobre as raízes carnavalescas como festas. Os bailes de máscaras somente começaram a acontecer nas festas vitorianas do século XVIII.

CONCLUSÃO

Sobre todo aquele festival de carne que se promovia antes da Quaresma, cabe mencionar ainda o seguinte. Naquele tempo sem geladeira nem freezers, as carnes apodreciam rapidamente, já preparadas ou não; e para amenizar o gosto horrível da comida estragando é que entraram, e ganharam um peso imenso, os temperos, mais conhecidos como especiarias, principalmente os mais fortes e exóticos, trazidos da Índia.

Longo caminho por terra, passando por um Oriente Médio tumultuado, a demanda pelas especiarias, temperos e sabores que pudessem tornar a carne mais comestível (por mais tempo), despertou a necessidade de tentar um caminho alternativo, nem que fosse para dar a volta ao mundo por mar! Daí o mundo expandiu.

Podemos dizer que o Brasil, terra do Samba e país do Futebol, hoje existimos, graças à origem do Carnaval!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Encontros desencontrados (4/4)


Parte 4 - Focos conflitantes

(Continuação de uma análise feita a partir de um questionamento sobre motivos de uma tentativa de relacionamento não seguir adiante. Para melhor entender o contexto é preciso ler as partes anteriores.)


3) Renovação versus Atualização

Um pensamento popular costuma achar comum que chega uma hora em que o homem troca sua mulher de 40 anos por outras duas de 20.

Matematicamente correto. Mas seria justo? E por que isto acontece?

Da mesma forma que os jovens homenzinhos estão com todo fogo e vigor, as mulheres mais jovens estão naquela fase de si conhecerem até onde podem ir, estão mais abertas a experimentar e correr risco, tudo parece novidade, excitantes para ambos.

Não sei exatamente por que acontece, a mulher amadurece mais rapidamente que os homens.

E principalmente depois de terem filhos, refreiam seus desejos e volúpia sexual, ou pelo menos reduzem a freqüência, e lidam melhor com isto.

Poderia até achar explicações fisiológicas (o ciclo fértil na mulher que a faz sentir-se irresistivelmente sexy e sedutora uma semana por mês), ou psicológicas (tendo seu papel de ser mãe cumprido, razão biológica para se fazer sexo) para esse tipo de comportamento.

Já os homens, não (o ciclo fértil deles não é mensal, é diário!). Se depender de sua anatomia, tecnicamente pode-se dizer que uns 20 minutos (esse tempo para se recompor varia para cada um) depois uma transa, está pronto para outra... (rsrs)

Seja também por explicações fisiológicas (a função sexual do macho é perpetuar a espécie o máximo possível, portanto tem que estar apto para copular com toda e qualquer fêmea produtiva, até durante o período no qual sua preferida esteja em gestação ou indisponível), ou seja por razões psicológicas (só pensa em sexo, quase o tempo todo, mesmo que negue isto), o homem está sempre querendo (= predisposto a) fazer sexo toda hora, mesmo após dias estressantes ou exaustivos...

Eu diria até, principalmente nesses dias assim, pois o sexo lhes é relaxante após a excitação e êxtase - por isto homens gozam, viram pro lado e dormem, enquanto as mulheres ficam insaciadas e querendo mais, depois de provocadas e excitadas.

Então, esta tendência e predisposição de cada um, com o passar do tempo chega num ponto que gera conflito.

As mulheres acima de 40 anos se acomodam sexualmente, sobretudo as que são mães (que ficam com outras preocupações).

Os homens acima dos 50 anos continuam com fome e querendo mais e sempre.

Daí não ser raro que os homens cinqüentões, na chamada "idade do lobo", saiam à caça do fogo de moças na casa dos vinte e poucos, para satisfazer sua fome e desejo, quase uma necessidade.

E muitas vezes a repulsa, desinteresse ou "descuido" da própria mulher (talvez até inconsciente disto) o induza a agir assim, a buscar fora o que não encontra em casa.

E, quando acontece, esses lobões são os tipos mau caráter que resolveram perversamente aplicar matemática ao dividir idade para obter prazer em dobro.

Bem, esta é uma visão masculina. Obviamente a versão do lado feminino encontrará uma série de atenuadores, justificativas e fatores nem sequer mencionados, que certamente reverteria o cenário, inocentando-as completamente e recolocando os vilões em seu devido lugar.

Enfim, as necessidades e carências podem ser parecidas, mas as suas percepções e decorrentes ações e reações divergem, e com rara felicidade são harmônicas por muito tempo.

A única forma que vejo e entendo de sustentar isto, é através do diálogo, além da afinidade e intimidade.


É isto. Quase uma tese, heim? (rsrs)

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Encontros desencontrados (3/4)


Parte 3 - Outros casos exemplares

(Continuação de uma análise feita a partir de um questionamento sobre motivos de uma tentativa de relacionamento não seguir adiante. Para melhor entender o contexto é preciso ler as partes anteriores.)


2) Alguns "causos"

A história da colega com seu amigo de 53 anos me fez lembrar de outras três.

a) Um colega de trabalho, também na casa dos 50 na época, estava no seu terceiro casamento. Ele trabalhava duramente para pagar a pensão da outras duas "ex"s e três filhas até completarem 25 anos. Ou seja, sustentava 3 mulheres e 4 filhos (pai orgulhoso do garotão do recente casamento), era comprometido no trabalho, um dos primeiros a chegar e dos últimos a sair, profissional exemplar e serviço de qualidade. Às vezes se dava mal porque não sabia dizer "não", nem pras filhas exigentes, nem pros chefes ou colegas. Não podia se dar ao luxo de perder o emprego, senão iria preso por não pagar pensão. Levava uma vida simples pra si, procurando economizar onde pudesse: refeições, roupas, carro. Eu pensava, isto não é vida, é escravidão... Por que casou três vezes? A primeira já não havia sido custosa o bastante e não servira de lição?

Ele mesmo ria da situação e dizia "que não aprendia nunca e sempre repetia os mesmos erros, ou que tinha uma queda pelo mesmo tipo de mulher, que mais tarde lhe causaria os mesmos problemas... por isto merecia mesmo a situação atual, mesmo que ela se separasse mais tarde depois de algum tempo, ainda que não fosse a intenção dele".

Creio que muitos de nós somos assim: sempre perseguem os mesmos sonhos e, em contrapartida, são perseguidos pelos mesmos fantasmas.

b) Um outro colega recém contratado na época, bem jovem, era casado em outra cidade e tinha um querido garotinho também. Aceitou a proposta mesmo tendo que se mudar para São Paulo sozinho. Na entrevista justificou a decisão que o casamento não ia bem e que afastar lhe seria conveniente. Voltaria vez ou outra para rever e brincar com o filho, sempre que pudesse, por conta própria. Um ano depois nessa vida de trabalho e viagens, sentindo seu jeito sempre introspectivo e reservado (sobre sua vida pessoal), perguntei-lhe se já estava de namorada nova ou se saía para baladas quando permanecia fins de semana em SP.

Para minha surpresa ele foi simples e direto: "mulher só traz problemas... melhor ficar com um problema conhecido do que arrumar outros novos!".

Uma reveladora (porém rara) verdade masculina. Uma outra forma muito sensata de encarar e enfrentar o mesmo problema (dar-lhe razão ou não, dependerá das opiniões particulares de cada um).

c) Uma canção de Fagner diz que um homem também chora (= guerreiros têm sentimentos, são meninos que desejam colo e carinho). Mas enfatiza que sem o seu trabalho um homem não tem honra, e sem a sua honra se morre, se mata, e não dá pra ser feliz.

Sempre observei que quando um homem está infeliz, preocupado, angustiado, desolado e triste, só DUAS COISAS o deixam neste estado e situação: dinheiro ou mulher (= sexo).

E apenas para deixar bem claro, o problema é quando há "falta de". Piora se forem os dois juntos, digo, os dois infortúnios ao mesmo tempo.

No caso do amigo da colega (ver a Parte 1), o fato dele estar desempregado e sem namorada, deixa-o num estado muito mais fragilizado do que o normal.

Portanto, eu não esperaria por parte dele nenhuma reação normal, consistente, padrão ou típica num processo de conquista... Talvez um bravo esforço inicial, tentando quebrar a inércia... Mas qualquer obstáculo, objeção ou barreira, por menor que seja, pode lhe parecer uma montanha ou abismo intransponível.

E creio que a reação dela, sem considerar este handicap, foi natural.

Por outro lado, se pensando bem, acho que a reação pode ter sido também um tanto precipitada ao bloqueá-lo por ele ter DEMORADO a entrar em contato... Demorar quer dizer quanto tempo? Será que foi considerada a possibilidade de ele não ter podido ou estar impedido? Por exemplo: viajando, doente, sem internet, preso, acidentado, enfartado, etc? E se ele ficou aguardando (respeitoso ou tímido) por dar outro sinal dela? Enfim, agora bloqueado é que ele não vai mesmo entrar em contato, nem depois; agora bloqueado é que ela não vai ficar sabendo se e quando ele tentar mais tarde de novo.


(Continua na próxima parte...)

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Encontros desencontrados (2/4)


Parte 2 - Homens mais velhos

(Continuação de uma análise feita a partir de um questionamento sobre motivos de uma tentativa de relacionamento não seguir adiante. Para melhor entender o contexto é preciso ler a parte anterior.)

Agora vamos falar do que eu penso sobre homens mais velhos e "traumatizados" com relacionamentos anteriores com mulheres.

Em geral, eles querem um bom relacionamento e acham que não têm tempo a perder.

Traduzindo: talvez sintam a passagem do tempo e querem ser mais objetivos.

Lições passadas lhes ensinaram que não podem ir com muita sede ao pote: ou este se quebra ou eles engasgam... Mas a sede é grande, e há o receio inconsciente que lhes resta cada vez menos tempo (e que segue passando).

E em geral homens são mais simples, práticos e diretos que mulheres, por mais educados e polidos que sejam, quando o assunto é sexo e relacionamento.

Pensando assim, isto poderia explicar algumas coisas.

Por exemplo:

1) Amadurecimento versus Aventuras

O tempo de ficar namorando indefinitivamente, esticando a expectativa, enrolar para esperar pelo próximo encontro, já passou, ficou pra trás, não têm mais tanta paciência para isto...

Enquanto jovens, isto é uma brincadeira, parte do jogo, de uma aventura de se descobrir, de descobrir um ao outro, de desvendar o sexo.

Uma vez maduros, e mais experientes, o sexo deixou de ser uma novidade, é uma necessidade.

Já para a mulher madura, mesmo se saída de outras decepções amorosas, o sexo não é uma necessidade, é uma conseqüência.

Ela ainda busca um relacionamento estável, um companheiro e não mais uma aventura.

Este excesso de precaução feminina para suprir sua própria carência (o que não quer dizer que estejam erradas) exige um tempo que os homens mais velhos muitas vezes não estão dispostos a investir, pois o risco de perder (mais tempo) é grande...

Talvez eles queiram mesmo apenas reviver mais uma aventura, e se dali surgir ou perdurar um companheirismo e uma relação estável, tanto melhor (o que também é uma estratégia justificável).

E os mais jovens também não gostam de "perder" tempo, pois estão ávidos e ansiosos para usar toda sua virilidade latente e praticar o máximo possível, ainda que pequem por isto (falta de maturidade e conhecimento, mas experiência só se adquire fazendo).

Possivelmente esses dois pontos-de-vista em direções opostas para interesses parecidos cause outra série de frustrações e desentendimentos, à medida que a aproximação e o envolvimento se desenrolam.

(Continua na próxima parte...)

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Encontros desencontrados (1/4)


Parte 1 - Contato e Características


Perguntei a uma colega separada (do ex-marido dela) como iam suas paqueras, na tentativa de ser feliz.

Ela me contou um encontro recente e se queixou do seguinte:

"Não sei o que acontece com vocês, homens...
Outro dia conheci um que conversamos bastante pelo MSN, vimos-nos na webcam e parecia que tínhamos muita afinidade. Fui conhecê-lo pessoalmente e conversamos horas e horas.
Ele tem 53 anos. Sei que está em uma fase complicada, perdeu emprego e a namorada de 10 anos deu-lhe um pé-na-bunda. Já foi casado duas vezes, e na segunda vez ele descobriu que ela tinha um amante...
Depois trocamos algumas palavras por email e pronto! Não falou mais comigo.
Fiquei com raiva e já bloqueei!
O pior que a gente gasta um tempão em se produzir toda pro encontro, em vão, pra não dar em nada...
Fiquei pensando: 'o que será que tem de errado comigo???'... Estou me sentindo tão feia e chata!
Eu queria ouvir sua opinião, como amigo-homem, mas quero que seja sincero. Será que estou dando tiro em alvo errado, ou o problema sou eu?"

(O texto que se segue será "quebrado" em partes, para que possa ser publicado no blog sem que se torne posts muito extensos.)

Ok, minha opinião...

Embora sempre soube e tenha sido aconselhado a nunca dizer a verdade a uma mulher sobre ela, mesmo que esta implore... (rsrs)

Eu vou dizer o que penso sobre o todo, em geral, e sinceramente.

Mas é importante ressaltar também que me foi pedido para dizer como amigo-homem. Por isto, muito cuidado (principalmente as mulheres) como vai ler isto e interpretar, heim? Tem que ser como amiga-homem também, ta? (rsrs)

Ou seja: nada de melindrar-se ou tomar estes pensamentos e reflexões como verdade absoluta... É só uma opinião, a minha.

Em primeiro lugar, antes de tudo, é preciso parar com essa coisa de "o que será que tem de errado comigo?".

Esse pensamento superficial é um vórtice que só nos leva cada vez mais pro fundo! (sem trocadilhos: é um princípio profundo! senão pode terminar mal...)

Se tem alguma coisa de errado, é sempre com os outros! Ou não te merecem, ou você ainda não encontrou a pessoa certa, ou o tempo é outro e está defasado. Pode apostar.

Se ficar buscando defeitos em si, vai acabar achando um monte de CARACTERÍSTICAS que podem ser vistas como "virtude" e você passará a chamar de "defeito". E isto é ruim.

Aceitar características não é acomodação com defeitos; é usar essas a seu favor e podem até ajudar a confrontar problemas que ainda nem apareceram ou que você deixou de contorná-los com essa "arma" por descartá-la preconceitualmente como sendo um defeito em vez de possível virtude solucionadora.

Traduzindo: "Defeitos" não são defeitos; "Virtudes" não são virtudes; são tudo "Características", que podem ser tomadas como defeitos ou virtudes, dependendo de quem interpreta. Uma característica pode ser um "defeito" sob uns aspectos, mas "uma virtude" noutras situações.

Por exemplo: ser detalhista pode ser virtude se o trabalho requer qualidade e esmero, e pode ser defeito se o trabalho exige pressa e prazo para entregar. Outro exemplo: ter iniciativa, ser criativo e participativo, para uns é tido como qualidade inovadora, para outros é tido como atrevimento de quem não obedece regras ou ignora suas funções.

Isto tudo, genericamente falando, sem me referir a nenhuma característica sua em mente.

(Continua na próxima parte...)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Fechaduras, Chaves e Mestras


Isto é uma adtaptação de um email recebido e que circula pela internet.
Trata-se de um diálogo entre uma Senhora e um Mestre, uma alusão alegórica sobre incoerências e fatos da vida.



- Mestre, não entendo...
Se um homem transa com várias mulheres, ele é visto como um garanhão.
Se uma mulher transa com vários homens, ela é vista como uma vadia.
Não é injusto?


- Minha filha, pense nisto desta forma:
Se uma chave abre várias fechaduras, ela é uma chave mestra,
uma coisa boa de se ter.
Já uma fechadura que é aberta por várias chaves diferentes...
bem, esta é uma péssima coisa para se ter.


- Mas, Mestre...
Nunca sabemos o que há por trás das portas, até abri-las!
Como podemos dizer se é boa ou má?
E se tantos podem abrir uma determinada porta, é porque má não deve ser.


- Certas coisas são únicas, e de posse de uma única pessoa.
A chave pertence a uma única pessoa, assim como essa mesma chave deveria ter exclusividade sobre a fechadura.
Assim, uma fechadura que não é exclusiva, que de bom pode haver atrás dessa porta?


- Obrigada, Mestre.
Um peso enorme foi tirado dos meus ombros!


- Que bom que entendeu!

- Sim!
Entendi que não sou porta, nem fechadura, nem objeto de ninguém.
E que, portanto, escolho o meu próprio destino.
Os outros que se f****!


terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Pau velho?

Tipo de preocupação feminina besta:
"será que ele velho demais pra mim?"...


"Não importa a idade do mastro,
se ele é capaz de velas içar e atiçar
o vento leve que te leva a viajar,
singre os mares, porque é preciso
preciosos amores (ainda que imprecisos)!"


Mesdre


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