sexta-feira, 5 de março de 2010

Velocidade nas ruas de SP?


Eu gosto muito de Fórmula Um, de assistir carros de corrida tipo monoposto, desde meus 10 anos. Já optei de ficar de "castigo" durante final de semana em casa para ver corridas na TV. Hoje em dia não sou mais assim, mas sempre que posso, assisto ou ouço a transmissão ao vivo pelo rádio, senão depois o videotape ou gravação.

A Fórmula Indy lembra bastante a F1, mas são diferentes nas regras, estilo e características. Mas também é interessante... do seu jeito. O Brasil possui bons pilotos nas duas categorias.

Há vários anos São Paulo cedia a F1 no Autódromo de Interlagos, a Prefeitura tem contrato com a FIA (Federação Internacional de Automobilismo), que achava que tinha exclusividade desse tipo de evento na cidade.

No fim do ano passado, de repente, a Fórmula Indy anuncia, para surpresa de quase todos, a abertura da temporada de 2010 no GP do Brasil, nas ruas de São Paulo, dia 14 de Março.

Com tantas cidades em melhores condições pelo Brasil, por que a F-Indy foi escolher logo São Paulo? E por que em tão pouco tempo para organizar um evento deste porte e que exige muitas questões de segurança? E pelas RUAS de SP?? E justo nesta época?... "ô, louco, meu!"

Isto deixou uma mancha de mágoa na FIA, parecendo uma "traição" da Prefeitura de São Paulo. Além de ter que dividir o "appeal" do nome da cidade e as atenções para DOIS eventos de corrida, a data de "estréia" da temporada da F-Indy em São Paulo (coisa inédita), coincide com a primeira prova da F1 de 2010, o Grand Prix de Bahrein.

O que mais surpreende é a irresponsabilidade da Prefeitura de S.Paulo de autorizar (e construir!) um circuito de rua na cidade, com todos os problemas de trânsito cotidiano que enfrentamos. Decidiu fazer isto na região do sambódromo, para justamente aproveitar as arquibancadas existentes.

Para isto a passarela das Escolas de Samba virou pista. Cercas de proteção com alambrados e guard-rails estão sendo levantados de improviso nas laterais das ruas e avenidas circundantes, desenhando assim um circuito nunca antes existente.

A imensa reta dessa pista será boa parte da Marginal do Tietê, importante via de circulação urbana e intermunicipal, que quando pára gera inúmeros transtornos para os que transitam nela ou nas proximidades e que sofrem os reflexos dos problemas que nela ocorrem.

Isto se a Prefeitura não tivesse inventado de fazer uma grandiosa obra na Marginal quase inteira (ver post Parado em trânsito (4/5) - Alternativas) há alguns meses, e que ainda está em curso, inclusive com interdição parcial em várias pontes que a cruzam naquela região! Ou seja, como se não bastasse a confusão que a Prefeitura já introduziu desde o ano passado, mesmo com a intenção de melhorar o trânsito depois, e que ainda em obras, ela irresponsavelmente trouxe para este cenário mais uma complicação.

Sim, porque para os caríssimos carros velozes e de alta tecnologia passarem por ali, todo o asfalto precisa ser refeito (ah, pelo menos este benefício o paulistano poderá herdar quando a farra acabar ali), o que implica interromper agora o trânsito já difícil enquanto durar a obra. E mesmo que trabalhem rápido e durante a noite para terminarem o quanto antes, todo o trânsito da região será bloqueado para que se possam realizar os treinos (a partir da 4a-feira) e a prova (no domingo).

Todo o fluxo de veículos em São Paulo será afetado nesses dias! Sem falar que o Terminal Rodoviário do Tietê é ali quase ao lado, para onde vão os ônibus (= autocarros) que chegam em SP e de onde partem os ônibus para quase todo o país! Certamente terão seus horários comprometidos e exigirão muita paciência e calma por parte dos passageiros e dos que os esperam (aqui ou lá).

O que pretendem estes atuais administradores da cidade? Com estas obras e contratos televisivos pro mundo inteiro, arrecadar mundos e fundos para os cofres públicos de seus bolsos privados? Ou crer que com elas conseguirão arrebanhar votos nas eleições que se aproximam?

Esta corrida, usando uma força de expressão comum, será "pra inglês ver"... Ver que bonito é o Sambódromo de SP, palco da corrida, e o que ele representa nos clipes reciclados sobre os carnavais que por ali rolaram e a serem exibidos pouco antes da transmissão da F-Indy. Ver a capacidade de organização e de superação das dificuldades de se promover um tão belíssimo evento em tão exíguo prazo. E NÃO ver o trânsito caótico que esta estripulia causou. E NÃO ver o desespero do paulistano (que não ficou em casa para ver pela televisão o programa que todo "inglês" verá) dentro dos veículos parados, tentando ganhar a vida no seu ir-e-vir prejudicado.

E, pra piorar a situação, Março tipicamente é um mês de chuvas ("... são as águas de Março fechando o verão", conforme lembra a música de Tom Jobim). Neste ano, as chuvas foram cruéis, intensas e volumosas, durante Dezembro, Janeiro e Fevereiro, provocando inundações e pontos de alagamentos como há muito não se via. Com céu que deságua em SP, o Rio Tietê costuma transbordar e parar a Marginal (por onde os pilotos deverão passar).

Portanto, não há razões para crer que em Março não chova assim também. Os paulistanos já viram bastante água (embora nem queiram ver mais), mas será que irão mostrar isto do lado de fora do circuito nos dias da corrida? E se chover nos dias dos treinos e da prova, será que cancelarão a corrida e não transmitirão o fiasco ao mundo?

Bem, eu torço por bom tempo e um espetáculo sem incidentes e nem acidentes.

Mas o que eu queria ver mesmo são os radares fotografarem e multarem os carros a mais de 60 ou 70 km/h como fazem conosco quando passamos por aquela mesma "pista". Faça as contas: 2 radares por volta, vezes os 33 carros, vezes o número de voltas que cada carro dará, vezes os dias do evento... Se todas as multas forem aplicadas, todo o investimento feito pela Prefeitura será ressarcido logo após os primeiros treinos, o resto é puro lucro. (rsrs)


Colocando certcas de proteção no que será pista:



Interditando as ruas/avenidas para obras:



Preparando mais arquibancadas:



Vista parcial do Sambódromo na Marginal do Tietê:




Piada popular:
"Não é Petrobrás, (cia. de Petróleo do governo)
Nem é Eletrobrás; (cia. de Eletricidade do governo)
É Emobrás! (cheia de placas 'em obras', desgoverno!)"

2 comentários:

tossan disse...

Você sabia que São Paulo não estava entre as candidatas a receber a etapa brasileira da fórmula Indy? Ribeirão Preto, Salvador e Rio negociavam há alguns meses com a direção da Fórmula Indy para ter o direito de organizar a prova. Mas Sampa levou!
O ideal seria em Ribeirão Preto. Na minha opinião para desafogar.
Eu queria fotografar isso, não consegui a credencial de fotógrafo convidado. Não faz mal quem sabe o de Marcas, já que F-1 é impossível para amadores. Gosto do jeito que você faz blog, do que escreve e como escreve. Abraço

Erika Freitas disse...

Caramba, André, choquei! Não consigo imaginar que tiveram essa idÉia de fuçar no trânsito de SP desse jeito. Sinto um certo alívio por não morar aí!

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