sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A localização do amor


Este ícone é interessante pois ele simboliza o mapa do amor, ou melhor, onde este se conceitualiza nos homens e nas mulheres, de uma forma bem caricata.

Ou seja, nos homens o amor se concretiza no prazer sexual antes de qualquer coisa, e isto passa longe do fundamento amoroso nas mulheres e que seria apenas um detalhe na complexa contextualização do amor sentimental. Claro, sempre há exceções.

Curiosamente, a figura foi reaproveitada no cartaz de um ótimo filme, "A Verdade Nua e Crua" (tradução adequada, na minha opinião, para "The Ugly Truth").



Juntamente com outro bom filme, "Hitch, Conselheiro Amoroso" (em inglês apenas "Hitch"), ambos abordam essa forma de encarar o amor do lado feminino diferente do masculino, e vice-versa.

Embora mesmo tema, são abordagens distintas.

Em "A Verdade Nua e Crua", o "consultor profissional" explica e orienta as mulheres como elas devem pensar e agir para conquistar um homem.


Em "Hitch, Conselheiro Amoroso", a proposta é ensinar os homens como eles devem pensar e agir para conquistar uma mulher.



O que têm em comum estes filmes?

Em ambos, a voz do esclarecimento parte de homens que, com sua vivência, consciência ou sensibilidade são capazes de orientar outros, mas praticamente incapazes de resolver seus próprios problemas - o que é natural, bem típico do gênero humano.

Além disto, nos dois as mulheres protagonistas representam os obstáculos para que a missão seja bem e rapidamente cumprida.

E também ambos deixam claro a dificuldade que é a comunicação para expressar o que sentimos quando amamos.

Enfim, filmes que nos tocam, de uma maneira ou de outra, seja pela identificação com algumas situações, seja pelos conselhos úteis que podem ser captados dos filmes.

Talvez o maior problema destes filmes é que eles focam nos primeiros encontros (date, em inglês), no ato da conquista em si, em como entender o mecanismo de aproximação para a química do amor funcionar.

Mas exploram muito pouco o que fazer depois, o mecanismo de como manter a chama acesa, como fazer da conquista bem sucedida um caso duradouro.

Nestes filmes, a preocupação é sobre o tempo do ANTES até o durante. Quanto ao DEPOIS... Bem, isto parece ser tema para outros filmes!...


sábado, 24 de outubro de 2009

Lições de cadeira


Ainda outro dia ouvi um especialista em móveis falar da característica de certas cadeiras e dali filosofar. Ele dizia:

"Duro com duro, não dá bom muro, não tem futuro".

Mostrou-me uma cadeira, sentou-se nela e perguntou: "ela cedeu?".
"Sim, um pouco", respondi.
"Pois, cadeiras que são coladas e rígidas, não cedem ao peso, e não duram muito. Cadeiras com parafusos cedem, estas resistem mais."
E concluiu: "Como nos casamentos, se ninguém cede, não dura!"

Para conviver tanto tempo com outra pessoa,
é preciso muita coragem e vontade.

Quando um não quer, dois não brigam.
Mas também quando um não quer, dois não amam.

Para fugir da mesmice e da monotonia,
é preciso se reinventar a cada dia, ambos!


"A história é memória.
O futuro é escuro.
O presente nem se sente."

Mesdre


sábado, 10 de outubro de 2009

Ótima leitura recomendada


Se há algo a dizer, está quase tudo no blog dedicado ao livro:

http://possoteclarcomvoce.blogspot.com/

Certamente, depois da leitura haverá muito mais coisas a serem ditas.

Mas quem já leu os escritos da Mirian Martin, ou A Senhora, do Caldeirão-da-Bruxa, sabe que seus textos não apenas divertem e são fáceis e gostosos de ler, como também deixam no ar e na gente aquela sensação de delícia ao apreciar uma boa história bem contada.

São contos ou capítulos curtos que se entrelaçam no enredo e em nossa vida cotidiana, mesmo quando o tema por vezes foge ao abstrato e à fantasia para nos surpreender no fim.

Pessoalmente, acho que seu estilo lembra muito a rapidez e inteligência de Luiz Fernando Veríssimo. Poucos conseguem fazer puramente dos diálogos uma forma completa de narrativa! É preciso muita habilidade para isto, ou o talendo e dom natural dos bons escritores.

Fica a minha indicação e recomendação: POSSO TC C VC?


domingo, 4 de outubro de 2009

Dia dos animais, dia do SãoChicão

No dia 4 de Outubro se celebra, pelo menos entre os católicos, o dia de São Francisco de Assis, conhecido também como patrono e protetor dos animais, em função das várias histórias ou lendas contadas a seu respeito e seu dom de "falar" aos bichos.


--------------------------------------------------------------------------------

Uma oração de São Francisco de Assis

Senhor,
fazei-me um instrumento de Vossa paz:
- onde houver ódio
+ que eu leve o amor,
- onde houver ofensa
+ que eu leve o perdão,
- onde houver discórdia
+ que eu leve a união,
- onde houver dúvida
+ que eu leve a fé.
- Onde houver erro
+ que eu leve a verdade,
- onde houver desespero
+ que eu leve a esperança,
- onde houver tristeza
+ que eu leve a alegria,
- onde houver trevas
+ que eu leve a luz!

Ó Mestre,
fazei que eu procure mais:
+ consolar
- que ser consolado,
+ compreender
- que ser compreendido,
+ amar
- que ser amado.
Pois
+ é dando
- que se recebe,
+ é perdoando
- que se é perdoado,
e é morrendo
que se vive para a vida eterna!


--------------------------------------------------------------------------------

Adoro esta Oração do Salsichão, ops, digo, Oração de São Francisco de Assis.
Só não gosto da última frase:
morrer pra quê? É aqui que se vive!
Todo o resto é uma lição de vida.


--------------------------------------------------------------------------------

Na verdade não foi composta por São Francisco, mas, por seus seguidores, unindo palavras que bem poderiam ser ditas por ele.

--------------------------------------------------------------------------------

Segundo o amigo AGIL, quanto à vida eterna, só se chega lá morrendo mesmo. A não ser que você entre para a ABL (Academia Brasileira de Letras), associação que é composta por 39 membros e um morto rotativo... (rsrs)

--------------------------------------------------------------------------------

Teve uma Campanha da Fraternidade, há MUITO tempo atrás (década de 70), que colocou uma versão musicada que era veiculada na TV durante os comerciais. Muito legal. A melodia era muito gostosa e muita gente aprendeu a letra!

--------------------------------------------------------------------------------

Quem quiser saber um pouco da história de São Francisco (1182-1226) e Santa Clara (1194-1253), ambos de Assis na Itália, assista ao filme "Irmão Sol, Irmã Lua", de Franco Zeffirelli, eu recomendo.

Trechos do filme em:
http://www.youtube.com/watch?v=B43AIvPiNaQ
http://www.youtube.com/watch?v=fwcdxCSs4qI.


quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Inventando alto


aventura >> a ven(to a)tura >> aturar ventos em alturas


Num cartaz de campanha de segurança da informação do TJSP, havia os seguintes dizeres:

"Só há ventos favoráveis para quem sabe aonde vai."

Isto é bem verdade. Por outro lado:

"Para aqueles que estão perdidos, qualquer vento serve:
para aonde os levar, a chance de continuarem perdidos é grande."
(Mesdre)

Assim, penso que os ventos, sejam favoráveis ou não, fortes ou fracos, são o que menos conta na nossa aventura de viver, mas sim como os suportamos e nos aturamos.

Saber o que quer, ou saber para aonde ir, é o ideal que se prega aos ventos para que todos sejam ou reajam assim. Mas é fato que não existe pessoa absolutamente segura de si (ainda que se pense assim): há sempre uma brisa de dúvidas, de incerteza, de medo, receio, ansiedade, que nos aventa um momento ou outro.

"A vida é uma aventura que se inventa a cada instante!" (Mesdre)

E concluo que a vida independe dos ventos, ainda que estes nos arrastem, devemos estar sempre prontos a içar bem alto as velas e tirar proveito dos momentos que se nos apresentam, e seguir buscando o melhor caminho. Porque pouco importa o destino... lá chegaremos no final. Importa muito mais o caminho. Com quem caminhamos. E como o fazemos. Que este seja bem feito! E, muito mais do que pegadas, deixe boas recordações, que saibamos aturar bem, pois quando ao nosso destino chegarmos, haja o vento que houver, terá valido a pena a aventura!


sábado, 19 de setembro de 2009

Fabuloso recontar


Quando os meninos eram pequenos, eu gostava de contar histórias que além de entretê-los também servia para passar alguma mensagem de moral e princípios.

Uma das que eu acho mais significativas é a do "Pedro e o Lobo".

Para quem não sabe, essa fábula conta a história de Pedro que se afastava da aldeia em que morava e ficava gritando "olha o lobo! olha o lobo!". Todos saíam correndo de suas casas, armados de facões e rifles ao socorro do menino em perigo, mas davam de cara com ele rindo por terem caído naquela mentira. Todos ficavam muito frustrados com o garoto e voltavam para casa zangados pela brincadeira sem graça. Mas tinham bom coração, e cairam na mesma brincadeira duas, três, quatro vezes, sempre na possibilidade de talvez ser verdade daquela vez, pois o menino se esforçava para tornar o chamado cada vez mais real e dar credibilidade à mentira, sua pequena brincadeira. Quando um belo dia apareceu o lobo de verdade, ele esgoelou desesperado, todos ouviram e acharam tratar-se de mais uma mentira, e resolveram não acudir mais, mesmo com um peso no coração pela lição que ele merecia, sem saberem da presença real do lobo. O lobo veio e devorou o Pedro!

É uma história chocante, que nenhuma criança gosta de ouvir, porque não tem um final feliz, e porque em geral se identificam com o personagem principal, também uma criança que gosta de fazer brincadeira e se divertir às custas dos outros. E sempre que a oportunidade clama, apelo à lembrança da história, seja para um banho de mar ou alardes por causa de futilidades, não importa, qualquer situação que coloque a credibilidade e honra da pessoa em jogo por "enganação" de outros.

Outro dia, cansado de ser questionado sobre as versões truncadas e quase sempre contraditórias que Davi mal conta quando indagado sobre qualquer coisa da escola, Davi virou-se para a mãe e disse assim, à queima-roupa:

- Conhece a história do Pedro e o Lobo? Pois então vou contar a minha versão para você:

"Quando Pedro avisava 'olha o lobo! olha o lobo!', e os aldeões sempre o chamavam de mentiroso e lhe davam sermões. Um dia ele chamou 'cuidado, olha o lobo!' e o lobo veio e comeu VOCÊ!"

Talvez tenha sido meio desrespeitoso, uma sutil afronta... Mas, sem dúvida, uma forma GENIAL de subverter a história a seu favor!
kakakakakakaka

Nunca pensei que a moral dessa mesma fábula pudesse se tornar:
"Se você não acredita num mentiroso potencial,
mesmo quando ele diz a verdade,
o problema é seu e não dele!"

rsrs


segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Viver um dia de cada vez


"O passado é história,
o futuro é mistério,
mas o agora é uma dádiva,
por isto ele se chama presente."


Mestre Oogwen, do filme-desenho Kung Fu Panda


sexta-feira, 4 de setembro de 2009

POR ACASO DE CAR-RO



O CASO DE CAR-RO: mais ficção que a realidade


Rômulo era um rapaz adolescente, com espinhas na cara, barba ainda por nascer, estudante tímido como tantos outros da sua idade, da sua turma e escola, excitado com a aventura incógnita que a vida lhe reserva, ansioso pelas responsabilidades do mundo adulto que aos poucos assumia, e indescritivelmente desejoso dos instantes amorosos que esperava vivenciar a qualquer momento, mas que nunca chegava. Não tinha namoradas, nem tinha com quem ficar, como se dizia entre eles.

Não gostava do seu nome, achava-o romano demais, muito arqueológico e arcaico, do tipo que espantava qualquer mina, principalmente as gostosas pelas quais ele babava. Preferia ser chamado de Romeu, muito mais romântico e apaixonado, como ele acreditava ser.

A "Julieta" deste Romeu era uma menina mais alta que ele, estudava na mesma escola, mas não na mesma classe. Romeu via-a de longe no intervalo do recreio, de prosa e toda fogosa com as colegas e amigas dela. Romeu ficava se roendo de vontade, mas não se aproximava, tinha vergonha. Pensava um monte de coisas pra contar e perguntar, mas não saberia o que dizer... Só de imaginar a situação, a boca secava, dava um nó na garganta e vinha um frio na barriga.

Maria do Carmo era o nome dela, mas todos a chamavam de Carminha. A mocinha era magra, mas longe de ser esquelética, tinha um rostinho cheio e fofo, de pele quase branca contrastada pelos longos cabelos negros e lisos que chegavam até a cintura, e que variava seu modo de usar, ora soltos, ora presos em coque, ora trançados por cima dos ombros.

A puberdade e os hormônios fazem as formas sobressaírem, tanto nela ganhando curvas e volume abaixo do quadril e na frente do peito, quanto nele sob as calças quando admirava aquelas mesmas curvas.

Romeu queria que Carminha fosse sua. Sua amiga, sua namorada, sua professorinha na matéria do amor, ou o que quer que fosse. Achava que estava apaixonado por ela.

Passava o dia todo pensando nela, como se achegar até ela, imaginando diálogos que pudessem ser interessantes e deixá-la interessada. Na saída da escola se apressava afobado para fazer coincidir seus horários e rumo.

Descobriu que ônibus Carminha pegava todos dias para voltar para casa, e Romeu ia para o mesmo ponto de parada de ônibus e lá esperava pacientemente até que o dela passasse e ela embarcasse... Nesse tempo, era o plano, Romeu teria oportunidades para conversar com Carminha.

Carminha era uma garota viva e esperta. Percebeu logo a presença constante do rapazinho e desconfiava de sua intenção. E fazia-se de tonta, dando corda ao jogo de sedução que, no seu entendimento, não teria conseqüências nenhuma. Era mais uma distração para ela enquanto esperava no ponto.

O plano de Romeu começou a dar certo. Não era sempre que coincidia dos dois juntos no ponto. Tinha dia que ela não ia, tomava outro rumo, ia pra casa de uma amiga ou parente, ou o pai ou a mãe vinha buscá-la na frente da escola de carro. Noutros dias era Romeu quem tinha que ficar na biblioteca para fazer trabalho de escola, ou ia para aulas complementares de inglês, música ou esportes. Enfim, esses desencontros faziam cada encontro ser mais emocionante e esperançoso. E assim era.

Começou assim. No ponto, um olhar breve brejeiro de Carminha, e logo um sorriso contido e furtivo de Romeu. Em pouco tempo já trocavam frases soltas e leves, não importa quem tomasse a iniciativa, sobre o clima, algum evento na rua, alguma coisa da escola ou sobre notícias de jornal ou capítulos de novela. Tudo era pretexto, qualquer coisa era assunto. E as conversas pareciam animadas, e eles cada vez menos estranhos um ao outro, apesar de suas esquisitices típicas e próprias da idade.

O tempo foi passando. Romeu e Carminha já até saíam juntos de final de semana, para irem ao cinema ou a uma sorveteria. Com a turma de colegas e algumas vezes até os dois sozinhos, só eles dois. Ficaram mais chegados, conhecidos, quase amigos, mas sem intimidades - ainda, pensava Romeu. Um sonho: Carminha e Romeu; o caso de Car-Ro.

Tudo ia seguindo seu ritmo morno, até que um dia... Ao acaso, um carro.

Bartolomeu era um cinqüentão charmoso, meio fora de forma como tantos outros na sua idade, barba ainda por fazer, profissionalmente bem estabelecido, sem grandes ambições, mas que esperava mais da vida: mais emoção, mais paixão, mais tesão. Essa busca se traduzia no seu olhar, atento a cada movimento das pessoas que cruzam seu caminho. E no seu caminho estava Carminha...

Passando um dia ao acaso de carro em frente ao ponto de ônibus, onde parou com o carro esperando o sinal de trânsito abrir, o olhar de Bartolomeu mirou Carminha, e admirou.

E o que se descreve a seguir transcorreu num breve instante, como que em câmera lenta, tudo ao mesmo tempo, em apenas alguns segundos, segundo consta.

Bartolomeu desejou Carminha. Mediu-a de cima abaixo e de baixo acima, devorando-a com os olhos e imaginação, lembrando de sua experiência com outras mulheres e pensando em como com ela poderia ser diferente e melhor. Refreou esse devaneio excitante quando a varredura visual encontrou os olhos de Carminha fitando em sua direção.

Carminha estava distraída naquele dia e mal prestava atenção na voz de Romeu, que falava quase sem parar... Estava "desligada", com o pensamento longe. De repente, sentiu-se observada, e uma sensação de calafrio. Foi quando olhou na direção do carro que estava parado na rua à sua frente, e viu o motorista lhe dirigia o olhar, de um jeito tão malicioso que sentiu-se despida da cabeça aos pés e dos pés à cabeça.

E então os olhos de Carminha cruzaram os de Bartolomeu. Ela sentiu um frisson, um tremelique interno como nunca havia sentido antes, e gostou. Sabia que aquele homem feito, maduro, a via como mulher que havia dento de si, e não como uma garotinha que deixava de ser menina. Um calor inexplicável emanava de dentro para fora de seu corpo. Neste instante, mesmo com toda gente em volta, só existiam ela e aquele estranho...

O agora falante Romeu notou então que Carminha não lhe ouvia havia alguns minutos, e calou. Percebeu um clima estranho rolando no ar, e engoliu a seco. Situou-se do que estava acontecendo, e não gostou...

Bartolomeu, o cara do carro, via na mocinha de uniforme uma prazerosa aventura.

Carminha, ávida para se descobrir mulher em sua plenitude, via naquele desconhecido homem experiente e vivido a possibilidade de experimentar uma atrevida e picante loucura.

Romeu, atônito e inconformado, via-se diante de uma realidade insana, e rezava desesperado para que nada disto que ele deduzia fosse verdade. Ou tinha que ser fantasia, ou seria uma tremenda injustiça.

Isto não poderia estar acontecendo, na visão romântica de Romeu... Afinal, ele tinha investido seu tempo e dedicação à sua musa. Era ele quem a queria conquistar, ganhando primeiro sua confiança, para que a entrega fosse total no final. Ele sabia quase tudo sobre ela, ocultamente zelava por ela, ele pertencia ao mundo dela...

Agora aparece um tolo barbado sabe-se lá de onde e indo não se sabe pra onde, e ela se encanta toda? E o deixa de lado, no canto? E todos os seus cantos e odes pelos caminhos de Carminha? Que onda é esta?

Será que ela percebia que o marmanjo safado estava a fim de abusar dela? Será que ela não entendia que o velhaco não se interessava quem era Maria do Carmo, e que só enxergava aquele corpo jovem e delicioso por baixo do uniforme dela?

Rômulo não entendia bem, mas sendo homem, no fundo sabia o que o tal homem queria.

Um misto de revolta, raiva, ciúme, impotência, desespero, desamparo, desilusão e desprezo pela ironia e descaminhos que a vida inventa de nos apresentar e impor nas horas que menos esperamos ou desejamos, este era o sentimento que assolava o trêmulo Rômulo, que nesse momento não sabia o que fazer.

O templo fluía por um funil em que se esvaía, angustiante.

E então, a respiração presa é expelida num alívio, sem pressa, e com ela o tempo engrena novamente.

O semáforo se abre, e o trânsito começa a se mover. Uma buzina do carro de trás traz Bartolomeu de volta à realidade, que, por mais que desejasse seria impossível parar seu carro ali, descer e abordar aquela linda e atraente garota. Deixa o impulso e a fantasia de lado, olha para frente e segue adiante, contrariado. A vida vai lhe sorrir mais à frente, pensou, quem sabe?

Romeu vê o carro arrancar. Ufa! Também arranca de seus ombros a sombra de um futuro sombrio e triste. Pelo menos para ele, e também para Carminha, na sua opinião... Mas quem era ele para saber o que é bom ou ruim, certo ou errado? Tão novo, tão jovem, tanto a aprender... e tomara que seja com a sua eterna "Julieta".

E Carminha de repente acorda de um devaneio. Respira fundo e suspira frustrada por estar sempre na linha e nunca pegar o bonde da história. E para onde iria? Pouco importa, desde que seja emocionante e valha a pena. E com quem? Este é outro mero detalhe, porque sabe que nunca haverá alguém à sua altura, esses crianções de qualquer idade que ela saberia dobrar muito bem. Respira novamente, transpira e sua, calminha... Porque Carminha não era de ninguém: a sua vida era só sua!



domingo, 30 de agosto de 2009

And the osCARD goes to...


Aceitando o convite da Senhora, do blog Caldeirao-da-Bruxa, para participar da brincadeira, vou tentar sacar o cartão vermelho (não aquele meu do banco, de crédito, ou qualquer conta negativa que eu tenha) para cumprir a seguinte regra:

"Cada um deve fazer uma listinha com 10 escolhidos para dar o cartão vermelho. Pode ser uma pessoa, uma atitude, enfim, tudo aquilo que de alguma forma nos incomoda, se quiser e precisar, dê uma justificativa breve. Após fazer isso, passe a bola para mais cinco blogueiros e vamos ver no que dá..."


Então, o cartão (para) ver melho(r) vai para:

1. Falta de consciência coletiva, de agir sem pensar no bem comum, no futuro, na posteriadade

2. Lugares que não dão descontos

3. Contas a pagar (e sem fundos pra isto)

4. Meses sem feriados (ou meses com feriados, mas ter que trabalhar neles)

5. Atendimento desses Serviços de Atendimento ao Consumidor (SAC)

6. Profissionais de suporte que, quando você procura passar todo o problema descrito em detalhes e exemplos e anexos, devolvem uma pergunta ridícula ou banal, pedindo mais coisa ou para repetir em outras o que foi já dito, em vez de lerem e tomarem ciência do problema (talvez pra ganharem tempo?)

7. Ter que repetir tudo de novo, quando o atendente ou profissional de suporte repassa a ligação para outro assumir

8. Sistemas de atendimento telefônico automático, que faz você digitar um monte de números (CPF, número da agência e conta e senha, número do telefone e data de nascimento), para assim que a ligação é transferida para uma pessoa (o atendente), você ter que dizer tudo de novo porque o sistema "não passou" as infomações digitadas (baita perda de tempo e trabalho inútil!)

9. Fumantes (e por extensão, todos os drogados e viciados, esses coitados)

10. Minha bagunça doméstica (quem sabe, quando terminar o efeito suspensivo, eu consiga dar um jeito?)


Ok. Agora dou o passe para os seguintes 5 blogueiros amigos que me visitam e têm coragem de deixar comentários:

Zainer

Mai

Vivian

Erika Freitas

Tossan

Aos que não indiquei, fiquem à vontade para visitar também os blogs dos indicados pelos respectivos links ou entrar no jogo e serem seus próprios juízes do seu juízo. E eu quero de ser avisado quando publicarem sua parte da brincadeira, combinado?

Abraço a todos.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

in Substituíveis


Recebi por email uma historinha dessas motivacionais (não sei quem é o autor), seguida de uma reflexão mais aprofundada, baseada nos argumentos da história. Eis o texto, ao qual depois tecerei meus comentários.


Será mesmo que você é substituível?

"Na sala de reunião de uma multinacional o diretor nervoso fala com sua equipe de gestores. Agita as mãos, mostra gráficos e, olhando nos olhos de cada um ameaça: 'ninguém é insubstituível'.

A frase parece ecoar nas paredes da sala de reunião em meio ao silêncio.

Os gestores se entreolham, alguns abaixam a cabeça. Ninguém ousa falar nada.

De repente um braço se levanta e o diretor se prepara para triturar o atrevido:

- Alguma pergunta?

- Tenho sim. E o Beethoven?

- Como? - O encara o gestor confuso.

- O senhor disse que ninguém é insubstituível e quem substituiu o Beethoven?

Silêncio.

Ouvi essa estória esses dias contados por um profissional que conheço e achei muito pertinente falar sobre isso...

Afinal as empresas falam em descobrir talentos, reter talentos, mas, no fundo continuam achando que os profissionais são peças dentro da organização e que, quando sai um, é só encontrar outro para por no lugar.

Quem substitui Beethoven? Tom Jobim? Ayrton Senna? Ghandi? Frank Sinatra? Garrincha? Santos Dumont? Monteiro Lobato? Elvis Presley? Os Beatles? Jorge Amado? Pelé? Paul Newman? Albert Einstein? Picasso? Zico?

Todos esses talentos marcaram a História fazendo o que gostam e o que sabem fazer bem, ou seja, fizeram seu talento brilhar. E, portanto, são sim INsubstituíveis.

Cada ser humano tem sua contribuição a dar e seu talento direcionado para alguma coisa. Está na hora dos líderes das organizações reverem seus conceitos e começarem a pensar em como desenvolver o talento da sua equipe focando no brilho de seus pontos fortes e não utilizando energia em reparar 'seus gaps'.

Ninguém lembra e nem quer saber se Beethoven era surdo, se Picasso era instável, Caymmi preguiçoso, Kennedy egocêntrico, Elvis obsessivo... O que queremos é sentir o prazer produzido pelas sinfonias, obras de arte, discursos memoráveis e melodias inesquecíveis, resultado de seus talentos.

Cabe aos líderes de sua organização mudar o olhar sobre a equipe e voltar seus esforços em descobrir os pontos fortes de cada membro. Fazer brilhar o talento de cada um em prol do sucesso de seu projeto.

Se seu gerente/coordenador, ainda está focado em 'melhorar as fraquezas' de sua equipe, corre o risco de ser aquele tipo de líder que barraria Garrincha por ter as pernas tortas, Albert Einstein por ter notas baixas na escola, Beethoven por ser surdo. E na gestão dele o mundo teria perdido todos esses talentos.

Quando o Zacarias dos Trapalhões faleceu, ao iniciar o programa seguinte, o Dedé entrou em cena e falou mais ou menos assim:
- Estamos todos muitos tristes com a partida de nosso irmão Zacarias... e hoje, para substituí-lo, chamamos:.. 'Ninguém'... pois nosso Zaca é insubstituível.

Portanto nunca esqueça: Você é um talento único... Com toda certeza ninguém te substituirá!"


Eu tenho minhas ressalvas quanto às duas posições.

Dentro de uma empresa, com um conjunto de funcionários, somos todos substituíveis sim, facilmente... Não quer dizer por iguais, talvez uns piores, mas muitas vezes por até melhores (ficamos desatualizados, velhos, cansados, e outros cheios de gana e vontade para ocupar a nossa vaga, a preços menores, pelo menos inicialmente).

Mesmo os citados como insubstituíveis acabam sendo, a seu modo, e relativamente, por outros. Exemplo: Galileu era o ó-do-borogodó! Veio Newton e o desbancou. E este perdeu a banca para Einstein... por enquanto.

Zico, Pelé, Garrincha foram outros ícones e gigantes de seus tempos em campo, mas o tempo passou, e outros ocuparam seus postos... (principalmente porque time é quase como uma empresa) Com seu brilho? Não, certamente. Mas eles admiram Ronaldos, Kaká, Messe, Maradona, Zidane e outros, de tempos depois.

Nas empresas, somos números. Passamos, e elas continuam. Ou são vendidas, falidas, não importa. Somos menos que elas. Muitas empresas têm a cara de seu dono-presidente. Enquanto ele estiver lá, elas são o que são.

Mas concordo que somos únicos! Que temos nossa função, que nos cabe e que faremos da nossa forma, que outros não fariam.

A maioria dos exemplos citados são "pessoas-estrelas", astros em carreira solo, senão assediados e acercados por muitos assessores, parceiros, empresários, advogados, conselheiros... Destacaram dentre outros, pelos seus méritos e características excedentes.

Concordo com a incorporação da idéia de que nossas atitudes podem mudar o mundo, fazer história, deixar sua marca, pro bem ou pro mal.

E que não devemos deixar outros destruírem nossos sonhos. Se nos convencerem que nosso sonho é em vão ou muito irreal, termos a liberdade de sonhar de novo, outros e melhores sonhos!

Acreditar em si é o primeiro passo. Mesmo que muitos marchem ao contrário...


Por falar em substituição e substitutos, agora pra descontrair, minha mãe conta que quando começou a lecionar, houve na capital Belo Horizonte uma reunião estadual de professores, que contou com a presença de
Juscelino Kubitscheck, respeitável Presidente da República, que na época era Governador do Estado de Minas Gerais.

Havia uma "professora substituta, do interior", que estava muito tímida sentada num canto da sala. J.K. ao vê-la, foi na direção dela cumprimentar (como fez com várias outras), e ela ficou mais nervosa ainda, e se apresentou deste jeito, meio que gagejando:

- E-eu? E-eu s-sou pro...stitutadointerior...


segunda-feira, 24 de agosto de 2009

É o seguinte


" Em tempos de twitter e blogs,
'ser seguidor' não quer dizer 'perseguidor' "

Mesdre


Related Posts Relacionados with Thumbnails