Parte 3 - Outros casos exemplares
(Continuação de uma análise feita a partir de um questionamento sobre motivos de uma tentativa de relacionamento não seguir adiante. Para melhor entender o contexto é preciso ler as partes anteriores.)
2) Alguns "causos"
A história da colega com seu amigo de 53 anos me fez lembrar de outras três.
a) Um colega de trabalho, também na casa dos 50 na época, estava no seu terceiro casamento. Ele trabalhava duramente para pagar a pensão da outras duas "ex"s e três filhas até completarem 25 anos. Ou seja, sustentava 3 mulheres e 4 filhos (pai orgulhoso do garotão do recente casamento), era comprometido no trabalho, um dos primeiros a chegar e dos últimos a sair, profissional exemplar e serviço de qualidade. Às vezes se dava mal porque não sabia dizer "não", nem pras filhas exigentes, nem pros chefes ou colegas. Não podia se dar ao luxo de perder o emprego, senão iria preso por não pagar pensão. Levava uma vida simples pra si, procurando economizar onde pudesse: refeições, roupas, carro. Eu pensava, isto não é vida, é escravidão... Por que casou três vezes? A primeira já não havia sido custosa o bastante e não servira de lição?
Ele mesmo ria da situação e dizia "que não aprendia nunca e sempre repetia os mesmos erros, ou que tinha uma queda pelo mesmo tipo de mulher, que mais tarde lhe causaria os mesmos problemas... por isto merecia mesmo a situação atual, mesmo que ela se separasse mais tarde depois de algum tempo, ainda que não fosse a intenção dele".
Creio que muitos de nós somos assim: sempre perseguem os mesmos sonhos e, em contrapartida, são perseguidos pelos mesmos fantasmas.
b) Um outro colega recém contratado na época, bem jovem, era casado em outra cidade e tinha um querido garotinho também. Aceitou a proposta mesmo tendo que se mudar para São Paulo sozinho. Na entrevista justificou a decisão que o casamento não ia bem e que afastar lhe seria conveniente. Voltaria vez ou outra para rever e brincar com o filho, sempre que pudesse, por conta própria. Um ano depois nessa vida de trabalho e viagens, sentindo seu jeito sempre introspectivo e reservado (sobre sua vida pessoal), perguntei-lhe se já estava de namorada nova ou se saía para baladas quando permanecia fins de semana em SP.
Para minha surpresa ele foi simples e direto: "mulher só traz problemas... melhor ficar com um problema conhecido do que arrumar outros novos!".
Uma reveladora (porém rara) verdade masculina. Uma outra forma muito sensata de encarar e enfrentar o mesmo problema (dar-lhe razão ou não, dependerá das opiniões particulares de cada um).
c) Uma canção de Fagner diz que um homem também chora (= guerreiros têm sentimentos, são meninos que desejam colo e carinho). Mas enfatiza que sem o seu trabalho um homem não tem honra, e sem a sua honra se morre, se mata, e não dá pra ser feliz.
Sempre observei que quando um homem está infeliz, preocupado, angustiado, desolado e triste, só DUAS COISAS o deixam neste estado e situação: dinheiro ou mulher (= sexo).
E apenas para deixar bem claro, o problema é quando há "falta de". Piora se forem os dois juntos, digo, os dois infortúnios ao mesmo tempo.
No caso do amigo da colega (ver a Parte 1), o fato dele estar desempregado e sem namorada, deixa-o num estado muito mais fragilizado do que o normal.
Portanto, eu não esperaria por parte dele nenhuma reação normal, consistente, padrão ou típica num processo de conquista... Talvez um bravo esforço inicial, tentando quebrar a inércia... Mas qualquer obstáculo, objeção ou barreira, por menor que seja, pode lhe parecer uma montanha ou abismo intransponível.
E creio que a reação dela, sem considerar este handicap, foi natural.
Por outro lado, se pensando bem, acho que a reação pode ter sido também um tanto precipitada ao bloqueá-lo por ele ter DEMORADO a entrar em contato... Demorar quer dizer quanto tempo? Será que foi considerada a possibilidade de ele não ter podido ou estar impedido? Por exemplo: viajando, doente, sem internet, preso, acidentado, enfartado, etc? E se ele ficou aguardando (respeitoso ou tímido) por dar outro sinal dela? Enfim, agora bloqueado é que ele não vai mesmo entrar em contato, nem depois; agora bloqueado é que ela não vai ficar sabendo se e quando ele tentar mais tarde de novo.
(Continua na próxima parte...)
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Encontros desencontrados (3/4)
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Encontros desencontrados (2/4)
Parte 2 - Homens mais velhos
(Continuação de uma análise feita a partir de um questionamento sobre motivos de uma tentativa de relacionamento não seguir adiante. Para melhor entender o contexto é preciso ler a parte anterior.)
Agora vamos falar do que eu penso sobre homens mais velhos e "traumatizados" com relacionamentos anteriores com mulheres.
Em geral, eles querem um bom relacionamento e acham que não têm tempo a perder.
Traduzindo: talvez sintam a passagem do tempo e querem ser mais objetivos.
Lições passadas lhes ensinaram que não podem ir com muita sede ao pote: ou este se quebra ou eles engasgam... Mas a sede é grande, e há o receio inconsciente que lhes resta cada vez menos tempo (e que segue passando).
E em geral homens são mais simples, práticos e diretos que mulheres, por mais educados e polidos que sejam, quando o assunto é sexo e relacionamento.
Pensando assim, isto poderia explicar algumas coisas.
Por exemplo:
1) Amadurecimento versus Aventuras
O tempo de ficar namorando indefinitivamente, esticando a expectativa, enrolar para esperar pelo próximo encontro, já passou, ficou pra trás, não têm mais tanta paciência para isto...
Enquanto jovens, isto é uma brincadeira, parte do jogo, de uma aventura de se descobrir, de descobrir um ao outro, de desvendar o sexo.
Uma vez maduros, e mais experientes, o sexo deixou de ser uma novidade, é uma necessidade.
Já para a mulher madura, mesmo se saída de outras decepções amorosas, o sexo não é uma necessidade, é uma conseqüência.
Ela ainda busca um relacionamento estável, um companheiro e não mais uma aventura.
Este excesso de precaução feminina para suprir sua própria carência (o que não quer dizer que estejam erradas) exige um tempo que os homens mais velhos muitas vezes não estão dispostos a investir, pois o risco de perder (mais tempo) é grande...
Talvez eles queiram mesmo apenas reviver mais uma aventura, e se dali surgir ou perdurar um companheirismo e uma relação estável, tanto melhor (o que também é uma estratégia justificável).
E os mais jovens também não gostam de "perder" tempo, pois estão ávidos e ansiosos para usar toda sua virilidade latente e praticar o máximo possível, ainda que pequem por isto (falta de maturidade e conhecimento, mas experiência só se adquire fazendo).
Possivelmente esses dois pontos-de-vista em direções opostas para interesses parecidos cause outra série de frustrações e desentendimentos, à medida que a aproximação e o envolvimento se desenrolam.
(Continua na próxima parte...)
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Encontros desencontrados (1/4)
Parte 1 - Contato e Características
Perguntei a uma colega separada (do ex-marido dela) como iam suas paqueras, na tentativa de ser feliz.
Ela me contou um encontro recente e se queixou do seguinte:
"Não sei o que acontece com vocês, homens...
Outro dia conheci um que conversamos bastante pelo MSN, vimos-nos na webcam e parecia que tínhamos muita afinidade. Fui conhecê-lo pessoalmente e conversamos horas e horas.
Ele tem 53 anos. Sei que está em uma fase complicada, perdeu emprego e a namorada de 10 anos deu-lhe um pé-na-bunda. Já foi casado duas vezes, e na segunda vez ele descobriu que ela tinha um amante...
Depois trocamos algumas palavras por email e pronto! Não falou mais comigo.
Fiquei com raiva e já bloqueei!
O pior que a gente gasta um tempão em se produzir toda pro encontro, em vão, pra não dar em nada...
Fiquei pensando: 'o que será que tem de errado comigo???'... Estou me sentindo tão feia e chata!
Eu queria ouvir sua opinião, como amigo-homem, mas quero que seja sincero. Será que estou dando tiro em alvo errado, ou o problema sou eu?"
(O texto que se segue será "quebrado" em partes, para que possa ser publicado no blog sem que se torne posts muito extensos.)
Ok, minha opinião...
Embora sempre soube e tenha sido aconselhado a nunca dizer a verdade a uma mulher sobre ela, mesmo que esta implore... (rsrs)
Eu vou dizer o que penso sobre o todo, em geral, e sinceramente.
Mas é importante ressaltar também que me foi pedido para dizer como amigo-homem. Por isto, muito cuidado (principalmente as mulheres) como vai ler isto e interpretar, heim? Tem que ser como amiga-homem também, ta? (rsrs)
Ou seja: nada de melindrar-se ou tomar estes pensamentos e reflexões como verdade absoluta... É só uma opinião, a minha.
Em primeiro lugar, antes de tudo, é preciso parar com essa coisa de "o que será que tem de errado comigo?".
Esse pensamento superficial é um vórtice que só nos leva cada vez mais pro fundo! (sem trocadilhos: é um princípio profundo! senão pode terminar mal...)
Se tem alguma coisa de errado, é sempre com os outros! Ou não te merecem, ou você ainda não encontrou a pessoa certa, ou o tempo é outro e está defasado. Pode apostar.
Se ficar buscando defeitos em si, vai acabar achando um monte de CARACTERÍSTICAS que podem ser vistas como "virtude" e você passará a chamar de "defeito". E isto é ruim.
Aceitar características não é acomodação com defeitos; é usar essas a seu favor e podem até ajudar a confrontar problemas que ainda nem apareceram ou que você deixou de contorná-los com essa "arma" por descartá-la preconceitualmente como sendo um defeito em vez de possível virtude solucionadora.
Traduzindo: "Defeitos" não são defeitos; "Virtudes" não são virtudes; são tudo "Características", que podem ser tomadas como defeitos ou virtudes, dependendo de quem interpreta. Uma característica pode ser um "defeito" sob uns aspectos, mas "uma virtude" noutras situações.
Por exemplo: ser detalhista pode ser virtude se o trabalho requer qualidade e esmero, e pode ser defeito se o trabalho exige pressa e prazo para entregar. Outro exemplo: ter iniciativa, ser criativo e participativo, para uns é tido como qualidade inovadora, para outros é tido como atrevimento de quem não obedece regras ou ignora suas funções.
Isto tudo, genericamente falando, sem me referir a nenhuma característica sua em mente.
(Continua na próxima parte...)
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Fechaduras, Chaves e Mestras
Isto é uma adtaptação de um email recebido e que circula pela internet.
Trata-se de um diálogo entre uma Senhora e um Mestre, uma alusão alegórica sobre incoerências e fatos da vida.
- Mestre, não entendo...
Se um homem transa com várias mulheres, ele é visto como um garanhão.
Se uma mulher transa com vários homens, ela é vista como uma vadia.
Não é injusto?
- Minha filha, pense nisto desta forma:
Se uma chave abre várias fechaduras, ela é uma chave mestra,
uma coisa boa de se ter.
Já uma fechadura que é aberta por várias chaves diferentes...
bem, esta é uma péssima coisa para se ter.
- Mas, Mestre...
Nunca sabemos o que há por trás das portas, até abri-las!
Como podemos dizer se é boa ou má?
E se tantos podem abrir uma determinada porta, é porque má não deve ser.
- Certas coisas são únicas, e de posse de uma única pessoa.
A chave pertence a uma única pessoa, assim como essa mesma chave deveria ter exclusividade sobre a fechadura.
Assim, uma fechadura que não é exclusiva, que de bom pode haver atrás dessa porta?
- Obrigada, Mestre.
Um peso enorme foi tirado dos meus ombros!
- Que bom que entendeu!
- Sim!
Entendi que não sou porta, nem fechadura, nem objeto de ninguém.
E que, portanto, escolho o meu próprio destino.
Os outros que se f****!
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Pau velho?
Tipo de preocupação feminina besta:
"será que ele velho demais pra mim?"...
"Não importa a idade do mastro,
se ele é capaz de velas içar e atiçar
o vento leve que te leva a viajar,
singre os mares, porque é preciso
preciosos amores (ainda que imprecisos)!"
Mesdre
domingo, 17 de janeiro de 2010
Lógica da Paixão
"Não entendo
como alguém pode amar
quem não corresponde às suas expectativas..."
Essa frase ficou ecoando na minha cabeça por algum tempo...
Pensei: melhor calar a tentar responder.
Pois a lógica da disto não está na mente e seus motivos, mas nas razões da emoção.
O cérebro humano se divide em dois hemisférios, o direito e o esquerdo, que apesar de quase simétricos, estão separados, são independentes, mas estão conectados e trocam informações.
Um lado é responsável pelo pensamento racional, lógico e ordenado; é o que chamamos de "razão".
O outro cuida de toda parte sensorial, emocional e intuitiva; é o que chamamos de "coração".
A maior falha do entendimento, naquela frase, está no próprio questionamento.
Se amar for só ter suas expectativas correspondidas, isto certamente não é amor verdadeiro.
Ou pelo menos é uma visão muito simplista e rasa da extensão do amor.
Quando se está falando de flerte, namoro e conquistas, onde se tem o amor como meta, mas apenas como sendo algo emocionante, intenso e passageiro, faz sentido criar expectativas do par ideal e apaixonante.
Passada esta fase, ou parte-se para outra aventura, ou deseja-se que ela se desenvolva em algo maior e mais duradouro.
Daí, se não foi um amor falso ou momentâneo, o amor supera barreira das diferenças, aceita os defeitos e virtudes como características, e as expectativas não residem mais no ideal, na idealização da pessoa amada, mas sim na manutenção da chama da paixão e de um relacionamento real e sincero.
A esperança e a renovação precisam andar juntas com as mudanças que o passar do tempo traz. A idade conta, o dia-a-dia interfere, e até o diálogo fere, dependendo do assunto e das circunstâncias.
Mas nada mais danoso do que a falta de diálogo e da vontade de fazer dar certo.
E disto surge outra questão: desistir ou não?
A lógica da razão é matemática linear, pura e simples. Calcula os prós e os contras, e deduz do resultado se descarta ou não, de forma neutra e objetiva.
A lógica da emoção já é uma equação complexa em que todos os fatores têm peso, muito subjetivos e também históricos. E a intuição dos resultados segue as vozes do coração, e que dificilmente chega a uma conclusão clara e isenta de algum envolvimento, dores, riscos e sacrifícios.
Quem ama, sabe. Quem sabe, entende. Quem entende, aprende a amar. E o amor se realimenta e se recicla.
O amor acaba? Dizem que o verdadeiro amor, não. E o verdadeiro amor também não deixa morrer a paixão, senão ele morre junto.
Mas não sei dizer o que há de verdadeiro nisto, além do que eu sei, e isto só eu sei.
As verdades de cada um são muito pessoais. Assim como os amores.
sábado, 2 de janeiro de 2010
de 2009 para 2010
No ano passado trocamos algumas mensagens,
lemos blogs e deixamos comentários.
De alguma maneira 2009 foi bom
porque proporcionou isto, o que foi ótimo.
Que 2010 seja melhor, generoso e maravilhoso!
Que 2010 traga mais amores e saberes, sabores e prazeres.
Abraço,
AndreM
http://mesdre.blogspot.com
http://famainfame.blogspot.com
http://tremusdamivi.blogspot.com
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
A maioridade e a zona de conforto
Em números, 18 anos são 260 meses, que são 6575 dias.
Quando se completa 18 anos, a maioria quer se emancipar, tornar-se independente, livres de casa e da família. Viver novas aventuras, aventuras maduras(?) e adultas, mesmo com temperos de molecagem e a jovialidade das idéias.
Ao completar 18 anos, eu queria dominar o que já sabia, aprender mais e mais, aperfeiçoar a cada dia.
Por isto muitos me têm como perfeccionista... Não sei se é um elogio, virtude ou defeito.
Sei que me reconheço assim: um perfeccionista relapso, preguiçoso, aquele que quer evoluir e tenta... Uma, duas, até três vezes... E depois me torno utópico: aquele que crê na perfeição nunca alcançável.
Acho que sempre fui um cara estranho, diferente, especial. Na adolescência às vezes pensava que nem deste planeta era! (rsrs)
Ao passar dos anos, a caminhada, a gente enfim, às vezes entorta e se envereda por portas que não queríamos adentrar.
Uma vez dentro, não tem como sair. Se sair, deixamos uma sala ou um quarto vazios...
Portas são passagens que levam a outros cômodos. Mas cômodos são para se ficar, acomodados.
Uma casa tem muitos cômodos e também muitas portas. Por elas entramos e saímos. E também modelamos os cômodos para nos sentirmos mais confortáveis.
Se não está bom de um jeito, muda-se, rearranja-se a disposição dos móveis, quadros, troca tudo, reformula-se sempre que preciso. Mas não precisa demolir uma casa porque uma maçaneta de porta emperrou, ou porque apareceu uma ou outra goteira...
Uma música antiga de Antônio Carlos & Jocafi lembrava o dito popular:
"Dizem que pau que nasce torto, morre torto.
Eu não sou pau: posso me regenerar!"
Dizem também que se conhece as árvores pelos seus frutos,
assim como que um fruto não cai longe de sua árvore.
Apesar da genética e DNAs, não somos determinados como árvores, paus e frutos.
Somos determinantes. Porque somos seres pensantes, ou daqueles que preferem deixar de pensar (ou não sabem).
Assim, somos também contra-exemplos da natureza: famílias de bem têm suas ovelhas negras, e daquelas famílias de onde nada se pensava brotar, surge um proeminente expoente da humanidade.
E arrependimentos e aculturamentos acontecem. Seres mudam ao longo da vida, e suas vidas não são constantes nem atreladas a raízes. Não temos asas, mas nossos destinos são capazes de voar para longe ou nos trazer de volta, depende sempre do ponto de vista.
Somos seres que aprendem, por bem e boa vontade e inteligência, ou pelas lombadas que a vida se encarrega de nos assolar.
É bom esclarecer: acomodar-se não quer dizer estagnação. E conforto não quer dizer mesmice.
Mesmice pode ser entediante para alguns, mas nem sempre é sinônimo de estagnação, mas sim de segurança! Eis alguns exemplos.
Não é mesmice trilhar o caminho conhecido e movimentado todos os dias para voltar de noite e a pé para casa (hoje em dia, vale até se for de carro!), em vez de se aventurar pelos atalhos escuros e sinistros. Arrisque-se: será sem dúvida emocionante! Se não tiver sorte (o que não se compra nas lotéricas nem em qualquer esquina), pode ter seus dedos levados, senão a "virgindade", a honra, a paz de espírito ou até mesmo a vida levada embora, em vez dos anéis apenas (ou o carro)!
Há certas convenções sociais que residem na "mesmice", para assegurar uma ordem entre as pessoas civilizadas. Por exemplo, a mesmice de nunca roubar, nunca matar, nunca violar a lei, porque do contrário, essas aventuras se convertem num CAOS incontrolável e irreversível!
E outro exemplo desses é experimentar "comer fora" do casamento, para fugir do tédio... Não dá certo! Melhor nem casar! Há formas de se buscar inovações dentro da mesmice, de forma a mantê-la interessante, segura, e continuar confortável e adorável; REnovações conscientes, dialogadas, entendimentos a dois, sem enjoar de comer a mesma "coisa"... Casamento não é indigesto; há que se preparar o estômago! É preciso QUERER, não de desculpas.
Então, quem está na "mesmice"? Qual o conceito de "conforto"?...
Segurança traz conforto, daí a associação à Zona de Conforto!
Existe uma tendência dos motivadores e das empresas em geral, adotarem o discurso contra a Zona de Conforto, para exigir dos vendedores, técnicos e funcionários em qualquer escalão, de dar sangue o tempo todo, de dar suco até não haver nem mais bagaço! Entendo que não é bem assim...
Tudo tem seus altos e baixos, momentos de vitórias e comemoração, outros de derrota e recolhimento (para convalescer, repousar, analisar, refletir, remuniciar-se, recuperar-se, restaurar-se). Noites foram feitas para descansar e dormir. Experimente trabalhar o tempo todo, levar trampo para casa, trabalhar em casa sem separar o que é momento de lazer e repouso (conforto). Experimente, e ganhe um infarto! Prêmio em altíssima pressão! Nem à base de remédios e redbulls você se sustenta por muito tempo. Não vai conseguir assim sucesso, carreira nem dinheiro que valha a pena. Mas o pouco que você se acabou para isto, um tiquinho que seja, a empresa ganhou mais um caldinho seu!
E o que todos têm contra a Zona de Conforto???!! Por que a maioria dos motivadores insiste em violar a zona de conforto? Por que dizem que ela é o inimigo na inovação, se na verdade muitos lutam e inovam para se chegar justamente a ela, como objetivo? Por que dizem que ela é uma ameaça, uma estagnação? Por que abrir mão do que se conquistou?
Seria inveja? Desdém? Ameaça talvez não para os que estão dentro, talvez sim para os que não conseguem entrar, e ficam felizes de ver os outros caírem foram, daí os ficam tentando, tentando, criando tentações do lado de fora da zona?
Enfim, o que contesto é que a maioria das dinâmicas de grupo ou motivacionais pregam: "deixem a Zona de Conforto!".
Acho que não pode ser uma norma geral, que cada caso tem que ser analisado e ver o tempo que se está nela (na Zona de Conforto) e como chegou até ali. Abandonar conquistas só para sair loucamente atrás de aventuras incertas não é propriamente dito só "ousar"... pode ser burrice em alguns casos, insanidade em outros, e na maioria das vezes ato de heroísmo.
Não sei... Acho que existe alguma distorção nessa visão, a da Guerra à Zona de Conforto... Sou do tipo de cara que rejeita invencionices para tirarem a gente da nossa área ou zona de conforto. Sou a favor do "ouse, mas com inteligência e sabedoria!".
Acho que temos, sim, que tentar é sair da "zona", bagunça, trapalhada, enrosco, confusão, desespero, angústias, e buscar:
- paz (= conforto da alma),
- segurança (= conforto do corpo),
- sabedoria (= conforto da mente),
- amor (= conforto da paixão),
- etc (= conforto da preguiça)...
O fato é que só há transformação quando se está vivendo uma crise, seja ela qual for e de que tamanho for.
É preciso haver diferença de altura para haver queda-d'água; sem esse diferencial, não há geração de energia elétrica (hidráulica).
Ou seja, o marasmo é danoso no sentido da evolução ser mais lenta. Isto, se houver alguma, fundamentada mais no intelecto do que na necessidade...
Crises promovem atitudes!
Atitudes (certas ou erradas) geram resultados (efetivos ou não).
E qual o problema de passar 2 horas num cinema ou vendo um vídeo, emprestando 2 de suas horas e absorvendo 2 horas de vidas alheias??? Isto é muito diferente de ler um livro? (talvez tome mais tempo...) Sei lá!... (rsrs)
Por outro lado, em nenhum momento quero sugerir em ser acomodado, letárgico, perder o compasso do tempo e da evolução das coisas. Não sei se você percebeu, mas essas crianças de hoje, que desconhecem nosso tempo que não faz tanto tempo assim (chegam a dizer "daquele tempo em que tudo era preto-e-branco", não se referindo apenas à fotografia, que sendo todas hoje coloridas, obviamente retratavam a época! rsrs), essas mesmas crianças que não querem sair de frente do computador, da internet ou do game, têm uma rapidez impressionante de absorção e entendimento diante da inundação de informação que recebemos hoje! Elas precisam mais ainda, mais do que nunca, questão de sobrevivência! Instintivamente, elas sabem e compreendem isto (assim muitos dos adultos de hoje subiam em árvores e pulavam córregos para atravessar a cidade a pé em pouco tempo). Tente comparar o que elas conseguem nesta área (informação e informática e tecnologia), com o que você conseguia na idade delas, ou mesmo há alguns anos atrás... Elas pegam qualquer aparelho novo, arrancam-nos da mão e já o saem operando, sem consultar manual algum!!!! Elas acompanham a evolução. Nós, que implicamos com isto, NÃO!
Caminhos e discursos que entortam.
Texto de começa de um jeito e segue por outros rumos.
Gente que se adapta.
Gente que evolui.
Gente que busca alcançar algo.
Gente que quer conforto e felicidade.
Gente que quer aventura e emoção.
Gente que quer viver.
Assim como quando atingimos 18 anos.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Parado em trânsito (5/5) - Deduções
Parado em trânsito – Parte 5 de 5 : Deduções
( Como foi dito nos posts anteriores, muita coisa para se pensar e fazer... )
E) Finalizando?
Creio que abordamos superficialmente o problema do trânsito cada vez mais caótico e confuso da cidade de São Paulo.
Não existem soluções imediatas, simples e definitivas, pois a problemática é complexa e de larga escala.
Mas algumas coisas poderiam ser feitas e repensadas com seriedade e responsabilidade.
Conclusão:
• medidas práticas poderiam ser tomadas com inteligência e economia;
• parece que outros interesses escusos conduzem as decisões;
• ficamos à mercê de que alguma solução eficaz seja feita para tentar resolver o problema de tráfego na cidade de São Paulo;
• e enquanto o caos está vindo para nos devorar... NÃO vamos a lugar algum! ( * )
Não se iluda: quando estiver passando por algum caminho que parece estar livre e desimpedido, NÃO HÁ MÁGICA. Os outros veículos se encontram represados em outro local com um enrosco muito maior, e você só deu SORTE de pegar aquele trecho DEPOIS o incidente ou acidente.
Porque este trânsito não melhora, só piora!
E se nada for feito AGORA, não quero nem pensar quando chegarem as Olimpíadas 2012 e a Copa do Mundo de Futebol 2014.
Enfim, sós – e parados, no meio de muitos iguais a você, no meio do trânsito!
( * = parafraseando “Enquanto Seu Lobo não vem, vamos passear na floresta!”, da fábula Chapeuzinho Vermelho, ou Os Três Porquinhos. )
domingo, 20 de dezembro de 2009
Parado em trânsito (4/5) - Alternativas
Parado em trânsito – Parte 4 de 5 : Alternativas
( Soluções comentadas no post anterior não são as únicas )
D) Considerando alternativas
Recentemente, em vez de agilizar obras da expansão do metrô ou das linhas e frotas de ônibus, a Prefeitura do município de São Paulo resolveu alargar as pistas da Marginal do Tietê, uma importante via que liga São Paulo Leste-Oeste e por onde passam caminhões e ônibus de viagem a caminho de outras cidades, atravessando a cidade São Paulo por falta de opção para contorná-la, dentre outras coisas.
Ora, isto não vai resolver nenhum problema. Aliás, cria outros.
Alargar apenas estas pistas só vai conseguir colocar mais carros no mesmo congestionamento. Pois os gargalos, por onde entram e saem os veículos de/para esta "veia" mais larga, continuarão estreitos. Teoria dos fluidos.
Além disto, para efetuar as obras na Marginal do Tietê, a prefeitura interditou parcialmente cinco pontes que cruzam a Marginal (inclusive pontes vizinhas, sem deixar alternativas de fluidez), o que fez tumultuar ainda mais o trajeto de quem usava apenas essas vias perpendiculares e "escapava" do transtorno direto das Marginais.
E o que é pior: bem em período pré-natalino, onde as pessoas (maioria em férias) vão às compras e o trânsito fica naturalmente mais congestionado, shoppings centers lotados e disputas por estacionamentos, etc... Imagina então com as vias em obras e interditadas!...
Eu me pergunto onde estará a engenhosidade da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET)...
Por que não investem inteligência na fluidez do trânsito, criando "Ondas Verdes" nos principais corredores que ligam a cidade, pelo menos?
Não se consegue pegar qualquer grande avenida da cidade e percorrê-la do início ao fim sem parar nos semáforos, seja em qualquer velocidade, seja em qualquer horário. Às vezes chega a ser irritante quando abre o sinal numa esquina, e na esquina seguinte o próximo sinal fecha...
Esse constante arranca-anda-freia-e-pára é nocivo em todos os sentidos:
• para o veículo em si, que para vencer a inércia do movimento (isto é, do estado parado para o estado em movimento) consome muito mais recursos do que a manutenção de um movimento, mesmo que seja baixa a velocidade;
• para o bolso do motorista/proprietário, pois gastar menos recursos significa mais economia de combustível e de manutenção do veículo;
• para a indústria do petróleo e álcool/metanol, pois o consumo de combustível reduzindo representa maior longevidade das reservas petrolíferas e dos campos de plantação;
• para a natureza e meio-ambiente, já que carros em movimento contínuo poluem muito menos do que ao arrancar;
• para a saúde das pessoas, que ficam menos estressadas indo ou vindo de um lugar para outro do que simplesmente presas no trânsito parado;
• para os negócios e a vida da cidade como um todo, pois todos ganham quando há mais agilidade e menos desperdício.
( O que mais a fazer, afinal? Finalizo no próximo post )
sábado, 19 de dezembro de 2009
Parado em trânsito (3/5) - Soluções
Parado em trânsito – Parte 3 de 5 : Soluções
( No post anterior, considerei 3 fatores que levam haver cada vez mais carros em São Paulo )
C) Sugerindo soluções
A solução para o trânsito, portanto, seria:
1) oferecer (=investir) mais transportes público e coletivo muito mais eficientes e abrangentes;
2) desestimular (cortar financiamentos ou dificultar os critérios para) a compra de mais carros.
Quando se está sangrando, tem que se estancar imediatamente o corte, senão o sangue pára de fluir nas veias e artérias (pela escassez devido ao vazamento). No caso da cidade, há um vazamento no sentido contrário, ou seja, um transbordamento da quantidade de carros introduzidos na cidade (sem a retirada dos velhos) que vai entupir e provocar a parada de circulação das "artérias".
Também é preciso urgentemente ("pra ontem!") melhorar as condições e opções de transportes coletivos. Quem não iria preferir tomar um ônibus ou metrô, próximo à sua casa, a baixo custo, rápido e cômodo, para ir e voltar ao trabalho, à escola, às compras, etc, em vez de se cansar dirigindo com atenção e gastando fortunas com combustível e manutenção do carro?
Se levar o mesmo tempo ou menos, e for muito mais barato, eu garanto que a maioria deixa o carro na garagem (ou nem compra um) e pega o coletivo. Nem precisa de rodízios para obrigar.
Outro coisa importante, um ônibus ocupa relativamente o espaço de 3 a 4 carros, que em geral carrega apenas seu próprio motorista (uns 80% dos casos), e leva cerca de 40 passageiros sentados, sem contar os que vão em pé e enchem o coletivo.
Além de tirar carros das ruas e transportar muito mais gente, agrega as seguintes vantagens:
• é saudável: proporciona caminhadas ao/do ponto de ônibus ou estação de metrô
• é sociável: você vê gente, circula entre pessoas, e pode ampliar seus contatos
• é cultural: permite ler livros durante o trajeto, ver a paisagem, conhecer melhor a cidade e encontrar outras culturas
• é instrutivo: durante o trajeto você pode até estudar, se quiser, para aproveitar o tempo, ou assistir filmes graças aos recursos eletrônicos modernos e à internet.
Enquanto nada disto acontece, o jeito é imaginar o que fazer durante o tempo inevitável que enfrenta no trânsito todos os dias, dentro do carro, enquanto dirige (ou tenta). Como, por exemplo:
• ouvir rádio e CDs;
• mulheres: maquiar o rosto e pentear ou secar os cabelos;
• homens: cortar as unhas e fazer a barba (barbeador à pilha);
• resolver negócios: falar no celular (infelizmente é ilegal e sujeito à multa) ou tomar notas;
• espreguiçar-se e alongar-se: pode parecer estranho pra quem olha, mas é recomendável para quem fica parado muito tempo (bocejar é o espreguiçar da boca e do rosto)
• limpar o nariz (ok, sei que é nojento, principalmente se não tiver os vidros escuros e a pessoa ao lado, noutras conduções, observar esse flagrante).
A verdade é que não dá pra fazer muita coisa, nem nada direito, pois o anda-pára-anda-pára constante exige atenção ao dirigir e as duas mãos no volante. E isto cansa e estressa.
Afinal, o que se pode fazer?
Ficar como um tarado em transe?
Não, apenas parado em trânsito.
Pensando que vai, mas mal sai do lugar...
E, o que é pior: tende a piorar!... (E olha que estou sendo otimista, hein?)
( Continua no próximo post )