sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

A maioridade e a zona de conforto



Em números, 18 anos são 260 meses, que são 6575 dias.

Quando se completa 18 anos, a maioria quer se emancipar, tornar-se independente, livres de casa e da família. Viver novas aventuras, aventuras maduras(?) e adultas, mesmo com temperos de molecagem e a jovialidade das idéias.

Ao completar 18 anos, eu queria dominar o que já sabia, aprender mais e mais, aperfeiçoar a cada dia.

Por isto muitos me têm como perfeccionista... Não sei se é um elogio, virtude ou defeito.
Sei que me reconheço assim: um perfeccionista relapso, preguiçoso, aquele que quer evoluir e tenta... Uma, duas, até três vezes... E depois me torno utópico: aquele que crê na perfeição nunca alcançável.

Acho que sempre fui um cara estranho, diferente, especial. Na adolescência às vezes pensava que nem deste planeta era! (rsrs)

Ao passar dos anos, a caminhada, a gente enfim, às vezes entorta e se envereda por portas que não queríamos adentrar.

Uma vez dentro, não tem como sair. Se sair, deixamos uma sala ou um quarto vazios...
Portas são passagens que levam a outros cômodos. Mas cômodos são para se ficar, acomodados.

Uma casa tem muitos cômodos e também muitas portas. Por elas entramos e saímos. E também modelamos os cômodos para nos sentirmos mais confortáveis.

Se não está bom de um jeito, muda-se, rearranja-se a disposição dos móveis, quadros, troca tudo, reformula-se sempre que preciso. Mas não precisa demolir uma casa porque uma maçaneta de porta emperrou, ou porque apareceu uma ou outra goteira...

Uma música antiga de Antônio Carlos & Jocafi lembrava o dito popular:
"Dizem que pau que nasce torto, morre torto.
Eu não sou pau: posso me regenerar!"

Dizem também que se conhece as árvores pelos seus frutos,
assim como que um fruto não cai longe de sua árvore.

Apesar da genética e DNAs, não somos determinados como árvores, paus e frutos.

Somos determinantes. Porque somos seres pensantes, ou daqueles que preferem deixar de pensar (ou não sabem).

Assim, somos também contra-exemplos da natureza: famílias de bem têm suas ovelhas negras, e daquelas famílias de onde nada se pensava brotar, surge um proeminente expoente da humanidade.

E arrependimentos e aculturamentos acontecem. Seres mudam ao longo da vida, e suas vidas não são constantes nem atreladas a raízes. Não temos asas, mas nossos destinos são capazes de voar para longe ou nos trazer de volta, depende sempre do ponto de vista.

Somos seres que aprendem, por bem e boa vontade e inteligência, ou pelas lombadas que a vida se encarrega de nos assolar.

É bom esclarecer: acomodar-se não quer dizer estagnação. E conforto não quer dizer mesmice.

Mesmice pode ser entediante para alguns, mas nem sempre é sinônimo de estagnação, mas sim de segurança! Eis alguns exemplos.

Não é mesmice trilhar o caminho conhecido e movimentado todos os dias para voltar de noite e a pé para casa (hoje em dia, vale até se for de carro!), em vez de se aventurar pelos atalhos escuros e sinistros. Arrisque-se: será sem dúvida emocionante! Se não tiver sorte (o que não se compra nas lotéricas nem em qualquer esquina), pode ter seus dedos levados, senão a "virgindade", a honra, a paz de espírito ou até mesmo a vida levada embora, em vez dos anéis apenas (ou o carro)!

Há certas convenções sociais que residem na "mesmice", para assegurar uma ordem entre as pessoas civilizadas. Por exemplo, a mesmice de nunca roubar, nunca matar, nunca violar a lei, porque do contrário, essas aventuras se convertem num CAOS incontrolável e irreversível!

E outro exemplo desses é experimentar "comer fora" do casamento, para fugir do tédio... Não dá certo! Melhor nem casar! Há formas de se buscar inovações dentro da mesmice, de forma a mantê-la interessante, segura, e continuar confortável e adorável; REnovações conscientes, dialogadas, entendimentos a dois, sem enjoar de comer a mesma "coisa"... Casamento não é indigesto; há que se preparar o estômago! É preciso QUERER, não de desculpas.

Então, quem está na "mesmice"? Qual o conceito de "conforto"?...

Segurança traz conforto, daí a associação à Zona de Conforto!

Existe uma tendência dos motivadores e das empresas em geral, adotarem o discurso contra a Zona de Conforto, para exigir dos vendedores, técnicos e funcionários em qualquer escalão, de dar sangue o tempo todo, de dar suco até não haver nem mais bagaço! Entendo que não é bem assim...

Tudo tem seus altos e baixos, momentos de vitórias e comemoração, outros de derrota e recolhimento (para convalescer, repousar, analisar, refletir, remuniciar-se, recuperar-se, restaurar-se). Noites foram feitas para descansar e dormir. Experimente trabalhar o tempo todo, levar trampo para casa, trabalhar em casa sem separar o que é momento de lazer e repouso (conforto). Experimente, e ganhe um infarto! Prêmio em altíssima pressão! Nem à base de remédios e redbulls você se sustenta por muito tempo. Não vai conseguir assim sucesso, carreira nem dinheiro que valha a pena. Mas o pouco que você se acabou para isto, um tiquinho que seja, a empresa ganhou mais um caldinho seu!

E o que todos têm contra a Zona de Conforto???!! Por que a maioria dos motivadores insiste em violar a zona de conforto? Por que dizem que ela é o inimigo na inovação, se na verdade muitos lutam e inovam para se chegar justamente a ela, como objetivo? Por que dizem que ela é uma ameaça, uma estagnação? Por que abrir mão do que se conquistou?

Seria inveja? Desdém? Ameaça talvez não para os que estão dentro, talvez sim para os que não conseguem entrar, e ficam felizes de ver os outros caírem foram, daí os ficam tentando, tentando, criando tentações do lado de fora da zona?

Enfim, o que contesto é que a maioria das dinâmicas de grupo ou motivacionais pregam: "deixem a Zona de Conforto!".

Acho que não pode ser uma norma geral, que cada caso tem que ser analisado e ver o tempo que se está nela (na Zona de Conforto) e como chegou até ali. Abandonar conquistas só para sair loucamente atrás de aventuras incertas não é propriamente dito só "ousar"... pode ser burrice em alguns casos, insanidade em outros, e na maioria das vezes ato de heroísmo.

Não sei... Acho que existe alguma distorção nessa visão, a da Guerra à Zona de Conforto... Sou do tipo de cara que rejeita invencionices para tirarem a gente da nossa área ou zona de conforto. Sou a favor do "ouse, mas com inteligência e sabedoria!".

Acho que temos, sim, que tentar é sair da "zona", bagunça, trapalhada, enrosco, confusão, desespero, angústias, e buscar:
- paz (= conforto da alma),
- segurança (= conforto do corpo),
- sabedoria (= conforto da mente),
- amor (= conforto da paixão),
- etc (= conforto da preguiça)...

O fato é que só há transformação quando se está vivendo uma crise, seja ela qual for e de que tamanho for.

É preciso haver diferença de altura para haver queda-d'água; sem esse diferencial, não há geração de energia elétrica (hidráulica).

Ou seja, o marasmo é danoso no sentido da evolução ser mais lenta. Isto, se houver alguma, fundamentada mais no intelecto do que na necessidade...

Crises promovem atitudes!
Atitudes (certas ou erradas) geram resultados (efetivos ou não).

E qual o problema de passar 2 horas num cinema ou vendo um vídeo, emprestando 2 de suas horas e absorvendo 2 horas de vidas alheias??? Isto é muito diferente de ler um livro? (talvez tome mais tempo...) Sei lá!... (rsrs)

Por outro lado, em nenhum momento quero sugerir em ser acomodado, letárgico, perder o compasso do tempo e da evolução das coisas. Não sei se você percebeu, mas essas crianças de hoje, que desconhecem nosso tempo que não faz tanto tempo assim (chegam a dizer "daquele tempo em que tudo era preto-e-branco", não se referindo apenas à fotografia, que sendo todas hoje coloridas, obviamente retratavam a época! rsrs), essas mesmas crianças que não querem sair de frente do computador, da internet ou do game, têm uma rapidez impressionante de absorção e entendimento diante da inundação de informação que recebemos hoje! Elas precisam mais ainda, mais do que nunca, questão de sobrevivência! Instintivamente, elas sabem e compreendem isto (assim muitos dos adultos de hoje subiam em árvores e pulavam córregos para atravessar a cidade a pé em pouco tempo). Tente comparar o que elas conseguem nesta área (informação e informática e tecnologia), com o que você conseguia na idade delas, ou mesmo há alguns anos atrás... Elas pegam qualquer aparelho novo, arrancam-nos da mão e já o saem operando, sem consultar manual algum!!!! Elas acompanham a evolução. Nós, que implicamos com isto, NÃO!

Caminhos e discursos que entortam.
Texto de começa de um jeito e segue por outros rumos.
Gente que se adapta.
Gente que evolui.
Gente que busca alcançar algo.
Gente que quer conforto e felicidade.
Gente que quer aventura e emoção.
Gente que quer viver.
Assim como quando atingimos 18 anos.


14 comentários:

disse...

18 anos...
Juro que espero ansiosamente completar 18 anos! hahaha
sei, que não é TUUUUDO qe falam, mas há uma certa mudança em comportamento, responsabilidades, digamos que se torna mais dono de si ! :P haha

beijos ;*

disse...

Ah, eu mudei o template lá . Da uma olhadinha como tá agora ^^

Fragmentos Culturais disse...

Um abraço amistoso!
Continuação de Sereno Natal!

opinião própria disse...

Óptimo texto. Boas festas...

Andre Martin disse...


má:


Completar 18 anos, é como todo Ano Novo. Passa o dia, de um dia pro outro, muda o ano, mas tudo continua seguindo como antes.
O que muda, é por dentro! E depende de cada um. Cada vida, uma experiência.

(ok, legalmente você passa a responder por si, mas isto não é sinônimo de maturidade imediata ou mudança instantânea de comportamento)

PS: sobre o template, já comentei lá no seu blog mesmo

Andre Martin disse...


a todos:


Muito obrigado pelos votos e saudações.

Desejo a todos Boas Festas também!

Que 2010 seja cada vez melhor!

Abraços Mesdrianos!

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Obrigada por tudo este ano, amigo querido.
Maravilhoso 2010 a ti e aos teus*
Beijos
Renata

Lugirão disse...

Eu completei 18 aos 15, mas isso é uma longa estória, e não vou contar , claro!.

Quando leio os teus textos, sempre tenho a impressão, não tenho a certeza de que você é uma pessoa de raciocinio muito rápido, tão rapido, que deve entrar em curto com muita frenquencia, acho muito interessante esse teu caos de pensamentos ordenados, kkkkk. Não entendeu nada, nem eu!

Te desejo um Feliz Ano Novo, que 2010 seja exatamente como você gostaria, ou melhor não tanto assim, senão vai ficar muito chato... foi bacana acompanhar os teus pensamentos caoticos.

Beijão

Andre Martin disse...


Lugirão:


Saber que lê meus textos, já é uma satisfação. Saber que a faz pensar, me deixa mais satisfeito ainda.

Agora, eu? pensamento rápido? hahaha... talvez, mas na hora de escrever tenho que me policiar para ser mais rápido ainda (quero dizer, sucinto, sintético, pois do contrário tenho uma tendência enorme a ser prolixo, extenso e até me perder nos detalhes, deixando a certeza que o confuso sou eu rsrsrs).

Sua matemática é que é mais rápida que a minha: fez 18 aos 15, eu fiz 18 aos 49.

Passei no seu blog, tentei deixar um comentário, mas briguei com haloscan por dois dias, que não finalizava a tarefa... Tentarei pela nona vez logo mais, quem sabe consigo.

Obrigado pela companhia blogueira e comentários.

Andre Martin disse...


RENATA:


Eu lhe digo o mesmo! Obrigado!

tossan® disse...

Eu completei 18 aos 25, mas não sou tão diferente assim...O teu pensamento é muito interessante e acabo gostando e quase concordando com tudo...Rsss..Bom Ano de novo. Abraço

Vivian disse...

...André meu amigo querido,

...hoje não venho aqui para comentar seu post,
e sim para virtualmente lhe deixar
o meu carinho e o meu abraço
desejando-lhe TUDO e NADA.

TUDO de bom,
e NADA de ruim neste 2010
que desponta com ares
de amor e paz!

e assim será!!

um beijo!

Andre Martin disse...


tossan:


A idéia aqui não é necessariamente vincular a contestação contra a zona de conforto, com a celebração dos 18 anos, e nem vice-versa.

Um assunto puxou o outro e acabaram se misturando no mesmo post. E ficou por isto mesmo. rsrs

Que bom que gostou. Que o ano seja bom para todos nós!

Andre Martin disse...


Vivian:


Que assim seja! Amém! Amem!

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