quarta-feira, 8 de maio de 2013

Quem só corre não socorre



Quem sou eu?

Eu sou um cara que quer acertar sempre que possível, e ser feliz. 

Eu sou um trabalhador honesto que quer se dar bem assim, valendo-me de meus méritos e reconhecimento do meu trabalho. 

Eu queria fazer muito bem o que me cabe, sem me preocupar com todos os problemas.

Mas até aí não difere de muita gente... O que acontece, então? 

Acontece que eu cansei de viver da ilusão de ser feliz. 

Eu sempre acreditei que, se eu fizesse a minha parte e com atenção, dedicação e consciência, visando sobretudo respeitar as pessoas e prevalecer o bem comum, as coisas e as ações trariam conseqüentemente (bons) resultados...

Mas só agora me convenço que essa insistência nesta crença era insanidade minha. 

Sei quem fui, sei como cheguei até aqui. 

Se tivesse a chance de recomeçar e fazer tudo diferente. provavelmente eu faria tudo de novo do mesmo jeito, porque é o jeito que aprendi, que entendi como certo, do qual não me arrependo em nada do que fiz, apenas de algumas coisas que deixei de fazer.

O que eu não gosto são dos resultados alcançados, e das perspectivas que se desenham...

E não sei o que fazer... Se soubesse, já teria feito.

Estou perdido, falido, desesperançado, desacorçoado, desiludido... Sem rumo, sem futuro...

Cansado de remar contra a maré, de socorrer os outros e de só correr das dificuldades e para as dívidas,,, E canso mais ainda quando vêm me dizer que eu preciso sair da "zona de conforto"! 

Talvez já tenha passado da hora de parar de só correr, para pedir socorro.

Fato: preciso de ajuda financeira, econômica, fiscal, contábil, jurídica, psicológica, terapêutica, médica, mental, etc...

E quando não sei o que fazer, penso no que gosto de fazer... 

Gosto de dirigir carro, gosto de pensar e filosofar, gosto de rir e me divertir, gosto de aprender idiomas, gosto de escrever o que penso, gosto de retransmitir o que sei, gosto de pensar que ajudo pessoas, gosto do céu bonito, de fotografias, de admirar a beleza humana e feminina, de massagens, de conhecer o mundo e o conhecimento, de respeito... 

Enfim, gosto de muitas coisas, outras tantas que nem listo aqui. Mas isto não me tira da situação atual; ao contrário, me coloca nela, me traz até neste ponto!

E se até aqui cheguei, sem dúvida é uma vitória, proeza maior do as de quem ficou antes pelo caminho... 

Mas uma vitória inglória, cujo prêmio é juntar cacos, e que não valem nada porque serão tomados.

Que bela obra de vida!...
Que bela herança para se deixar para os filhos!...
Um orgulho que é uma vergonha.
Que alegria triste!...





"Quando ocorre de se estar
entre o 'só corro...' e o 'socorro!' "


Mesdre




10 comentários:

Paula Barros disse...

É triste, dolorido e sofrido, lermos algo assim. Vivermos num país, onde honestos sofrem de crise existencial, sofrem por serem honestos e não terem alcançado a vida que almejaram, que acreditaram que o caminho da honestidade, do trabalhador comprometido e esforçado, traria a tranquilidade financeira, o reconhecimento profissional.
É lastimável. Me sinto assim muitas vezes. Força!

Julio Melo disse...

Que baita texto, hein!!??

Crise existencial?

Andre Martin disse...


Paula Barros:


Obrigado pela força, e por ser também mais um pontinho azul no oceano de pontos pretos (sem nenhuma conotação racista!)...

O mais dolorido, sabe o que é?

É que este povo "honesto e trabalhador" é quem sustenta este país, governo e bando de vagabundos... É extorquido, exaurido, esgotado, massacrado e humilhado. Todo mundo chuta em cachorro caído!...
Estrangulam a galinha que põem os ovos de ouro!... Morre a galinha e não resolvem o problema.



Andre Martin disse...


Júlio Melo:


"Baita", em paulistano é mesmo que "puta"; em árabe, seria "casa dela"; em italiano, "cabana"...

crise?
quem?
quem não?

existencial?
o buraco financeiro é mais embaixo ainda!...
de quem tem, não tiram;
de quem não tem, levam até a alma!...

Julio Melo disse...

Então foi um puta texto...

Então tirando a sua condição "financeira, econômica, fiscal, contábil, jurídica, psicológica, terapêutica, médica, mental, etc..." está tudo bem.

Andre Martin disse...


Júlio Melo:


É sempre assim:
retirando as coisas ruins,
fica tudo bem!
rsrs


Helinha disse...

Pois é, sei bem como é isso... Na verdade, em uma escola isso é mais que visível, é gritante. O problema maior é que a gente às vezes se sente até culpado por ensinar aos filhos valores como a honestidade... que se deve estudar e trabalhar, respeitando a todos, etc... Imagine, então, ensinar a filhos e alunos??

Mas como você disse, tirando as coisas ruins, tá tudo bem!

^^

Beijos!

Andre Martin disse...




Quem só corre contra o tempo,
não tem tempo de socorrer ninguém,
nem a si mesmo!



Carla Fernanda disse...

Te lendo e relendo!

Carla Fernanda disse...

Presente!


Outra hora eu vejo
Procuro saber detalhes
Que dias se passaram
O mês já vai acabar daqui a pouco
A resposta que espero não chegou
Importa muito
Suporto pouco
Pensei em sair correndo sim
Passar pela chuva cantando
Pisar no mato alto de pés descalços
Colher flores e levar até aí
Para enfeitar a sala vazia
Assar um bolo de leite
Torrar café
Passar perfume
Falar do que se passa e do que não passa aqui
O mundo anda é voando
Parada é a vida parece
Nas fotos da estante
Olho e escuto delas eu mesma
O tempo de ontem não existe
Estudo o presente estrangeiro
Sinto a pressa do rio correndo ao mar
Depois das curvas do caminho
Matou a sede de tantos
Prefiro pescar nas tarde de domingo
Acho que nem sei onde estão as iscas
Não tenho mais varas de bambu
Vivo longe dos bambuzais
Eram muitos ao longo do meu caminho
Imagino onde estariam os pássaros à noite
Escuto o barulho da rua sumindo de madrugada
Deixando tudo mais alto aqui no quarto
Enquanto não posso dormir ainda
Acordo e te deixo sossegado
Sem te tocar escuto seu sono
Encontro-te no sonho embaixo do sol
Olhando para a lua
Onde for a festa
Entre a cama e o lençol
Pouco espaço me sobra para deitar contigo
E gozar sozinha da noite sem ti
Trazendo-me imagens
Encantadas aos olhos
Faço poesia com elas
Entre as rimas existimos perfeitos
Amantes muito mais
Que amamos antes
A vida é isso
Feita disso

Por isso
Quero ser doce
Tomara que fossem férias
E chovam versos amanhã de manhã
Para que eu pudesse escrever mais
Porque agora tenho que ir
Preciso lembrar-me de sorrir
Hora de partir
Onde está escrito
Sair?

(Carla Fernanda)

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