domingo, 9 de janeiro de 2011

fandefum (2/2)

Lamentos de um torcedor - parte 2 de 2

No post anterior, parte 1, eu comparava as descobertas que fiz vendo as transmissões de TV das corridas que vi no exterior com as que costumamos ver no Brasil:

1) Cobertura e transmissão muito mais longa e extensas.

2) Muitos comerciais e propaganda.


[ ... continuação ]



3) Existem entrevistas dos três primeiros em todas corridas!

Sim, é verdade. E também após os treinos classificatórios!

E só quem viu as vitórias de Ayrton Senna ao vivo lembra de ouvi-lo em entrevista depois das corridas. Mas garanto que pensava, como eu, ingenuamente, que aquilo era algo eventual (e talvez só porque ele fosse a coqueluche da vez).

Só quando passei a ver GPs no exterior pelas TVs, é que me dei conta da obrigatoriedade das entrevistas com os três primeiros pilotos, tanto logo após o treino que define o grid, quanto após a premiação. E a Globo nos priva disto...

Por acaso, "zapando" entre os canais de esportes logo após uma corrida, vi que um dos canais da SporTV (da rede GloboSat) interrompeu sua programação para trazer um "Plantão de Notícias" e qual foi a grata surpresa ver que era a entrevista coletiva oficial e obrigatória com o 1o, 2o e 3o colocados. Pena isto não acontecer em todas as corridas...

Por razões de logística e do pouco tempo para tantas as atividades que nos obrigamos de domingo pela manhã, quase sempre não posso mais ficar diante da TV nos dias de GP. Passei a acompanhar as corridas pelo rádio. Claro que não é a mesma coisa que ver aqueles bólitos sobre rodas em alta velocidade, mas pra quem é "fandefum" isto serve nem.

Fica-se sabendo das coisas que acontece em tempo real e nos bastidores, muitas vezes até antes da TV, que às vezes nem informa aquilo...

Outra vantagem de se acompanhar um GP pela transmissão de rádio é que elas transmitem até as entrevistas finais, e com tradução simultânea. (A Rádio Band, sempre; a Rádio CBN, que é integrante da Rede Globo, só quando tem um brasileiro entre os três finalistas ou quando a corrida tem um peso especial ou algo polêmico)


O fato da Globo ter exclusividade no Brasil da transmissão de F1 pela TV, tem algumas desvantagens:

A) "calaboca galvão"

Este jargão virou brincadeira no Twitter e na internet recentemente, ganhando o mundo, mas as atrocidades e gafes cometidas pelo narrador Galvão Bueno durante as transmissões esportivas, não só de jogos de futebol, mas em quase tudo, vôlei, tênis, olimpíadas e principalmente na Fórmula 1, são demais. Desde que começou era assim (e até pior!)... Dava mesmo vontade de gritar para ele calar a boca e ficar quieto para não dizer besteira. Mas ninguém lhe dizia nada, deixavam por isto mesmo, o cara foi crescendo e ganhando poder na Globo... E agora continua achando que pode falar a asneira que quiser (ou escapar) que está tudo bem. Quem fala muito, sem pensar muito, dá nisto: ele acha que o "calaboca galvão" é um fã-clube (em vez de piada e chacota ou protesto).
Para mim, o que mais marcou foi:

a) quando "Nelson passa Piquet!", durante a ultrapassagem de Nelson Piquet sobre Nigel Mansel, ambos da mesma equipe Williams

b) quando Ayrton Senna penava para levar o carro com apenas a sexta marcha nas últimas voltas para vencer o GP Brasil em Interlagos SP, e Galvão "adivinhava" os pensamentos do piloto que ele estava poupando o carro ou administrando a vitória, em vez de ver e comentar que ele estava visivelmente com problemas no equipamento, ou ainda dizer que o brasileiro estava emocionado, em vez de ver que ele sofria dores insuportáveis pelo esforço sobre-humano que realizou para concluir esta façanha.

c) quando diz que o problema da transmissão é por causa da geração das imagens locais (e não um padrão da FIA), e que se fosse no Brasil isto não aconteceria (por ser geradas pela Globo), mas que quando acontece (não raro) ele nem comenta nada.

E um monte de outros absurdos ou insultos ao telespectador atento, que parei de "colecionar" e passei a ignorar para não me aborrecer quando meu objetivo é ter prazer e diversão.

Ainda bem que posso desligar o som da TV e acompanhar a narração pelo rádio, ou ver mais tarde o videotape (reprise/compacto) pela SportTV.

B) Prioridades

Considero um enorme desrespeito aos fãs (de F1) quando interrompem, atrasam ou encurtam (ou pior, nem transmitem) as corridas de F1 com outra transmissão que passa naquele mesmo período do tempo, no dia e horário. Exemplo: torneio de natação, Copa do Mundo ou jogos da Seleção, vôlei, Olimpíadas, etc)

A Globo costuma fazer isto sem o menor remorso ou pedidos de desculpa aos telespectadores cativos que fazem a audiência da F1.

Se a emissora detém a exclusividade da transmissão do evento, deveria cumprir isto antes de tudo. Se não pode compatibilizar os horários de outras transmissões igualmente exclusivas mas para OUTRO público, então deixe outra emissora dar a escolha às pessoas, abrindo mão da exclusividade. Não é justo prejudicar nem um público nem outro.


( desenhado por AndreM, na década de 80, colorizado no paintbrush )


Mas creio que o maior lamento de um fandedum são as Férias loooongas entre uma temporada e outra.

Depois de nos habituarem a assistir e acompanhar quase semana sim semana não (em algumas vezes até 3 semanas consecutivas com GPs) com o calendário organizado para as provas, as temporadas costumam encerrar em Outubro e a próxima só inicia em Março! São quase QUATRO meses inteiros sem atividade de corridas. Uma longa espera que parece interminável... Isto poderia ser revisto pela FIA, para o bem de todo legítimo fandedum.

Enquanto isto não acontece, a gente aguarda e assiste quando pode.

VRRUUUMMMMMM...
E lá está um fandedum!


fandedum = Fã de F1 = Fanático por Fórmula Um.



Bônus:

Você pode também querer ler esta análise do incidente no GP da Hungria de 2010:
Defesa Agressiva
http://mesdre.blogspot.com.br/2010/08/defesa-agressiva.html



8 comentários:

tossan® disse...

Ouvi muitos comentarios sobre a formula 0(quase) 1… uma delas dizia; o CIRCO da formula 1…todo circo que conheço os PALHAÇOS estão dentro…então definitivamente a formula 1 não é um circo… Os artistas estão do lado de fora, são aqueles que ainda assistem isso. Eles sim é que são os verdadeiros campeões da paciência!
"Pode passar meu amigo eu vou deixar a vida te levar". Isso é lindo! Abraço

Júlio Melo disse...

Caramba André, muito show o novo desenho colorido artificialmente em HD, (não vou fazer piadas não). Belo trabalho no Paint... o piloto tem capacete amarelo... agora a zebra está parecendo com a fazenda do Chico Bento (por causa do fundo verde)... não resisti. Parabéns.

3. Acho que a F1 na Globo está no lugar certo, primeiro porque temos 3 opçoes de canais (Globo, Sportv e Sportv 2). O canais Sportv, por exemplo, transmitem os treinos livres (geralmante na madrugada, por causa do fuso) e as corridas em horário alternativo (dependendo eu as re-vejo), com comentários do Lito Cavalcanti. Sendo assim, não tem ninguém melhor que a Globo para fazer. A Band sacaneia a Indy, RedeTv ontem tava passando Inter e Napoli como se fosse ao vivo (o jogo foi na quarta ou quinta), Record é outra que não dá para confiar... Eu já comentei sobre isso nesse experimento de blog aqui http://brasil2014rio2016.blogspot.com/

(sobre o rádio eu já comentei...)

Eu também acho o Galvão um chato, mas eu não jogo fora a experiencia dele e do Regi, aliada ao conhecimento do Burti não. Ele narra F1 a mais 30 anos, eu não era nem nascido...
Hoje em dia nas transmissões esportivas se valoriza muito o conhecimento do narrador e ele tem isso; do mesmo jeito que os caras da Espn tem sobre o campeonato Ingles, o Italiano, UCL, NBA, NFL e etc; ele tem de F1 e não tem ningúem a altura e que trasmitia "in loco" antigamente, antes da Globo ficar pão-dura.

Buemba Buemba [Voce sabia que a FOM (Formula One Management) obrigou a Globo a na transmissão a falar "RedBull" em vez de falar só "RBR"?]

O vacilo maior da Globo foi quando ela deixou de transmitir a F1 para transmitir um jogo do Brasil num desses campeonatos aí, e foi aquela corrida em Indianapolis em que tinhamos apenas 6 carros na pista, pois as outras equipes desistiram de correr por causa dos pneus... depois disso a F1 nunca mais voltou aos EUA.

Uma vez eu coloquei o calendario da F1 lá no PF e disse que o ano só começava em março... mas nesse perído sem F1 a gente aproveita para descansar, afinal cansa. Pra FIA 20 corridas no ano é o limite por temporada, e em 2011 já teremos 20. Tá todo mundo duro na F1.

É André, vamos esperar março chegar, até lá a gente descansa...

Um abraço.

Jaqueline Köhn disse...

Oi André, tudo bem?

Como mulher, só tenho a fazer o seguinte comentário:

Nunca interrompa um homem em dias de corrida de F1, pode ser perigoso ... rsrsrs

Beijaummmm!!

Andre Martin disse...


tossan:


Interessante, nunca havia pensado por este ângulo. Nada como um ponto de vista de um talentoso artista=fotógrado!

Andre Martin disse...


Jaque:


Bem, "perigoso" eu não sei...
Mas com certeza um dos dois (o homem ou a mulher) vai ficar muito frustrado se isto acontecer ou não...

hahaha, adorei o beijaummm, em alta velocidade!

Andre Martin disse...


JúlioMelo:


Atualmente não existem experts... Basta estar munido de um laptop, conexão com internet e google (ou um bom banco de dados ou almanaque eletrônico), que todas essas informações históricas e estatísticas pode sem dadas para enriquecer a transmissão (e você nem vê essa obtenção, enquanto assiste à transmissão).

Eu concordo que estar presenciando e acompanhando todas estas corridas e treinos facilita a visão global e o ententimento do contexto histórico, e talvez até alguns detalhes e curiosidades que os números e dados não mostram.

Mas isto não o faz melhor que qualquer outro aficcionado pelo automobilismo. Este talvez não cometesse tantos erros nem asneiras, se colocado no lugar dele.

E atualmente (com o mundo em crise fincanceira e sem ayrtons sennas ou brasileiros vencedores), até Globo nem tem mandado os comentaristas e narradores "in loco", só o/a repórter de campo. Acho até que as rádios mandam mais gente em viagem acompanhar do que a tv.

O GB não é chato, ele é insuportável! Narrador competente era Luciano do Vale. GB apareceu para substituí-lo quando LdV saiu da Globo. Ele até que tentou ser melhor e fazer seu nome: no começo, as gafes e os erros eram perdoáveis, afinal ele não era LdV! Mas ele insistiu errando e nem sequer se desculpando e se corrigindo (isto ele tem feito mais recentemente).

Porém, o que há de mais irritante nele é sua mania de chamar um profissional, seja um reporter ou comentarista (jogador/piloto convidado, juiz ou especialista em F1, do quadro de contratados da emissora), que ele tenta se mostrar maior que o mestre: antes de fazer a pergunta ou dar a voz, ele desanda a falar tudo que o outro poderia dizer, como novidade ou coisa interessante, partindo deles), só para exibir essa tão venerada "experiência".

Ora, mesmo que ele saiba (o que dizer, de outros programas de tantas outras vezes), atenha-se em sua função, deixa que o outro diga! Senão fica parecendo que o outro nem precisaria estar ali (senão para ratificar o que GB disse antes, porque ficar discordando claramente no ar, pega muito mal). Chega a ser desconsertante a saia justa que ele deixa com a sua "deixa", ele não dá espaço a quem é devido, ele precisa se sobressair (isto para mim NÃO é competência!). Ele que concordasse depois, ou então colorisse com alguma coisa a mais a acrescentar, se soubesse e lembrasse. Eu desaprovo esta eterna atitude dele.

Teve uma época que houve um sério desentendimento com Reginaldo Leme, por causa disto. Os dois ficaram "brigados". Em toda transmissão, era notória a troca de farpas e faíscas entre eles, chegava a ser desagradável. Daí acho que a Globo resolveu por panos quentes, e o lado mais fraco (RL) cedeu (possivelmente deve ter sido bem pago para não ser o primeiro propagador do calabocagalvão).

Bom, acho que nada disto era da sua época... rsrs

Júlio Melo disse...

André Mesdre Martin:

Eu tenho um grande amigo que viaja o mundo todo a trabalho e que, mais ou menos em 2007, criou um blog em que ele trazia relatos de suas viagens, e, na época, o mesmo se encontrava em viagem aos EUA. O mesmo disse: “Originalmente este blog foi criado para compartilhar minhas impressões sobre minha experiência de estar nos EUA,
entre 23/Junho a 28/Julho de 2007; e no Canadá, de 03 a 15 de Dez. 2007.” (Hehehe)

Eu, Julio Melo, que nunca fiz uma viagem internacional e consequentemente nunca vivi a realidade norte-americana nos EUA poderia criar um blog em que eu “compartilhasse impressões e experiências” sobre os EUA?
Do jeito que o mundo anda e com a tecnologia e as ferramentas de hoje eu até "poderia", mas o blog não teria o “tempero” que o blog desse meu grande amigo tem. (hehehe). O meu blog seria frio e a “despensa” principal (de onde eu tiraria os alimentos) seria o Google. (não que isso não seja válido)... (Hehehe)

Ou seja, o fato de meu amigo viajar o mundo todo e ter várias experiências e impressões sobre vários países do mundo “talvez” “não o faz melhor que qualquer outro”, mas a experiência vivida por ele vai fazer com ele tenha uma “bagagem” esportiva, literária, sociológica, antropológica, psicológica, histórica, geográfica, filosófica, taquigráfica, lingüística, etimológica, artística, zoológica, etnográfica, religiosa, retórica, profissional e etc que nenhum outro vai ter, e que acrescentaria em qualquer currículo (hehehe).

Ps. Não estou e nem quero defender o GB. (Hehehe).

Andre Martin disse...


JúlioMelo:


Hehehe

Bem, eu preferia que você tivesse optado em comentar o GB do que seguir por esta linha...

Pois então, posso falar de experiência própria que tenho base no que afirmei antes: hoje em dia, na prática, não há mais especialistas, qualquer internauta googleiro, interessado e fuçador, pode se dar muito bem, tomando vagas e salários dos "mais experientes"...

A impressão que temos é que toda essa "bagagem" pode até encher páginas de currículo, mas não vai lhe garantir nenhum emprego nem ascenção profissional.

E "impressões" são coisas muito pessoais, subjetivas. Outros podem concordar ou não.

Junto com a experiência, vem outro efeito colateral: a do obsoletismo, dada a velocidade da informação, como as coisas acontecem, e como os mais jovens vem superando os mais antigos.

Uma coisa é contar histórias, outra coisa é poder e saber usar isto e ter oportunidade de tirar proveito.

Enfim, c'est la vie!

No caso do seu amigo, que blog interessante deve ser o dele! Hehehe
Certamente ele deve se sentir muito honrado em poder contar com sua amizade e admiração.

Abraço, e obrigado pelos comentários!

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