sábado, 24 de abril de 2010

Desbravadores Admiráveis (5)


União Ibérica e a Expansão do Brasil


Ao saber de uma história como a de Álvar Nuñez Cabeza de Vaca e de suas andanças pelo nosso continente, pode se incomodar com a idéia de uma armada espanhola ficar andando livremente pelo "Brasil Português" e pensar que isto se deu na época na União Ibérica, período em que a Coroa Portuguesa ficou sem sucessor real e ficou sob jugo da Coroa Espanhola, pouco depois do Descobrimento do Brasil... e que, graças a Deus, Portugal se ergueu anos depois e acabou com essa tirania...

Não, isto NÃO foi durante a União Ibérica. Espanha incorporou Portugal entre 1580 a 1640. Álvar Nuñez Cabeza de Vaca esteve na América do Norte entre 1527 e 1535, e na América do Sul entre 1541 a 1545.

E nessa época, o tal "Brasil Português" ficava a leste da controvertida linha demarcatória do Tratado de Tordesilhas (de 1494), e na prática se estendia só até o conhecido porto de Cananéia-SP (os portugueses achavam que ia até Laguna-SC; os espanhóis pensavam que era em Iguape-SP). Tanto que, quando a armada de Cabeza de Vaca chegou ao neste porto em 1541, tomou posse em nome da Espanha.

Além disto, além do litoral, era terra de ninguém, era o SERTÃO, como chamavam todo o restante, não havia nem Brasil Português nem Brasil Espanhol... Era de quem chegasse primeiro (obviamente a despeito dos índios, que já estavam lá, e que não se consideravam "donos" da terra, por questões culturais). Eu mencionei Santa Catarina, Paraná, Paraguai, Mato Grosso só para nos localizarmos com referências atuais, mas na época, eles nem sabiam onde estavam. (rsrs)

Agora, quanto à suposta "tirania" imposta pela União Ibérica, na verdade foi o contrário. Graças à fusão entre as duas Coroas, houve um relaxamento da acirrada disputa por territórios (afinal, agora era tudo do mesmo dono! rsrs).

Justamente durante essa época, os Bandeirantes, esses admiráveis desbravadores, adentraram pelo sertão e expandiram o território brasileiro conhecido. Os jesuítas se encarregavam de estabelecer escolas e unidade cultural.


Quando Portugal se libertou do domínio espanhol, voltaram os desentendimentos também pela soberania sobre os territórios, digamos, do Brasil Português versus Brasil Espanhol, e isto só foi normalizado com o Tratado de Madri (de 1750). Foi aplicado o princípio do direito privado romano do "uti possidetis, ita possideatis", isto é, "quem possui de fato, deve possuir de direito". Ou seja, onde as Bandeiras e Entradas deixaram rastros, passou a ser Português (imagino que a Coroa Espanhola não tinha idéia do prejuízo que tomou nesse acordo).


E eu, particularmente, deprecio o que Portugal fez depois disto. Mas reconheço que teve lá suas razões... Para se recuperar, passou a ser mais tirânico com suas colônias, o Brasil sobretudo. Vetou todo tipo de desenvolvimento local para que aqui fosse puramente fonte exploratória.


Marquês de Pombal, primeiro-ministro que assumiu o governo de Portugal de 1750 a 1777, decretou a expulsão dos Jesuítas do Brasil em 1759, e com isto fechou as escolas por todo país, que ensinavam em Brasílica para o povo.

A língua geral normalizada pelos Jesuítas a partir do Tupinambá (ou Tupi Antigo), e que por similaridade era falado de costa a costa (e no interior) de todo o Brasil, era também a língua materna dos Bandeirantes Paulistas (ver comparação de sua concepção romântica versus histórica, no quadro acima, tendo Jorge Velho como exemplo), que batizaram localidades com nomes Tupi até onde esse idioma nem era falado pelos índios nativos.

Assim, o que era "nossa" língua legitimamente brasileira por mais de 250 anos, passou a ser marginalizada, graças ao poderoso e tirânico Marquês de Pombal (Sebastião José de Carvalho e Melo), que conseguiu assim "ressuscitar" a língua portuguesa e torná-la nosso idioma oficial por todo o Brasil.

O que sempre me deixou revoltado foi nunca ter aprendido ou ouvido isto nas aulas de História nas escolas... Duzentos e cinqüenta anos de tradição lingüística nacional, simplesmente ignorada! Inaceitável, mesmo considerando o período "nacionalista" do regime militar nas décadas de 60 e 70... O que sei sobre isto, e aqui compartilho com vocês, foi "redescoberto" muito tempo depois, garimpando livros e dicionários de Tupi, por conta própria, um hobby. Ainda bem que hoje em dia existem Wikipédias para os internautas da vida! (rsrs)

Um comentário:

Erika Freitas disse...

Ui, história! Nunca mandei bem em história. Queria ter paciencia e tempo pra voltar a ser livros de história do Brasil e tals. Acho essencial. ^^

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